Quarta-feira, 06.07.11

A POSTA NO MUSEU PORTUGUÊS DO SEXO

artes e leilões

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Um dos dois museus que visitei na minha passagem por Amesterdão foi o do Sexo. Sim, com a maiúscula que me merece um prazer que me tem acompanhado ao longo da existência para me compensar de coisas como as dores de dentes e assim.

De resto, muitos turistas como eu procuram essa oportunidade de visitarem um espaço dedicado a tão importante actividade humana. Determinante, se virmos bem as coisas.

Em Portugal não existe um Museu do Sexo e podia. Podia à grande e à francesa, pois se para um museu o espaço é importante aquilo que lhe dá razão de ser é o espólio.

E esse já a São Rosas garantiu, ao longo de muito tempo e dinheiro investidos num projecto que só por distracção ou por manifesta falta de visão estratégica ainda não foi abraçado por quem tenha a oportunidade de o conseguir.

 

Se eu fosse Presidente da Câmara de Lisboa nem pensava duas vezes. O potencial de atracção turística que vi na cidade holandesa seria aumentado de forma exponencial num país latino e de vocação anfitriã como o nosso e não me restam dúvidas de que seria um sucesso falado ao longo de décadas.

Aliás, mesmo que eu não fosse Presidente da edilidade bastaria ter a capacidade financeira para propor uma parceria que acredito muito lucrativa e seria meu o orgulho de o reclamar para a cidade onde nasci.

A São Rosas possui uma colecção notável de peças ligadas a esse fruto proibido (o turismo caseiro não faltaria), mais do que suficiente para garantir uma exposição digna de ser apreciada por quem gosta da fruta e não tem vergonha de o assumir.

 

Lamentavelmente, os anos vão passando sem que, por exemplo, a cidade das Caldas da Rainha, sem dúvida a mais adequada e a que mais sairia beneficiada com tal ex libris, tenha conseguido ultrapassar os obstáculos que impedem a concretização de uma legítima ambição por parte de quem já fez a parte mais importante e ainda por cima quer partilhá-la.

É de demoras assim que se tem feito o país que hoje nos faz deitar as mãos à cabeça, sistematicamente adiado na concretização das melhores ideias e das melhores iniciativas de que somos capazes.

 

E se continuam a fazer-se esquisitos, meus amigos autarcas e empreendedores regionais, a São Rosas é capaz de olhar para o lado de lá da fronteira e ver-lhe oferecidas as instalações que lhe faltam para a coisa acontecer.

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publicado por shark às 00:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (18)
Segunda-feira, 10.05.10

A POSTA QUE TUDO MUDARIA PARA MELHOR

Mais uma vez vamos poder habilitar-nos a um jackpot do Euromilhões. Vão ser quase cem milhões de euros, uma quantia quase pornográfica que pode transformar um ou mais apostadores em milionários.

Eu, que estarei no lote dos sonhadores, dou sempre comigo a pensar no que faria com tantos zeros à direita no meu saldo de conta e nunca consigo deixar de pensar nos milagres que tamanho poder económico me permitiria fazer acontecer.

E não há maneira de perceber porque carga de água qualquer pessoa abastada o suficiente para não precisar de trabalhar até ao fim dos seus dias com a garantia de uma vida de luxo não dedica uma parte desses dias a sentir que faz a diferença nas vidas de outras pessoas menos afortunadas.

 

Nem que fossem apenas dez por cento do total, dez milhões de euros, investidos com o único objectivo de contemplar o máximo de vidas com o toque de midas de alguém capaz de vencer a ingratidão e a ganância. Nem que fossem apenas dez por cento dos milionários do mundo a dedicarem uma parte do seu tempo, da sua atenção e da sua fortuna à nobre missão de tornar o mundo num local mais digno para todos vivermos, tudo seria diferente para melhor.

Se eu fosse rico quereria começar cada dia não a magicar formas de multiplicar o dinheiro (quando é muito multiplica-se por si próprio...) mas a destinar uma parte desse dia a resolver um problema qualquer.

 

Uma escola na Guiné-Bissau. Um hospital no Ruanda. Um laboratório de produção de vacinas em massa contra as doenças que matam gente num lado do mundo e já nem constituem ameaça para o outro. Uma hipoteca de uma família endividada. Uma bolsa de estudos para um estudante brilhante mas sem meios para progredir na sua formação. Uma organização bem apetrechada para a busca de crianças desaparecidas ou para a protecção de mulher vítimas de violência doméstica. Uma refeição garantida para os sem abrigo de uma cidade qualquer.

 

Mas se as pessoas não constituírem uma motivação suficiente, as alternativas também não faltariam.

Um abrigo para milhares de animais abandonados. Um santuário para a protecção de várias espécies ameaçadas de extinção. Um centro de investigação de energias alternativas. Uma herdade imensa para a produção de agricultura biológica. Fornecimento de carros híbridos ou mesmo eléctricos para as frotas de instituições ligadas à conservação da natureza.

Bastavam poucas horas de cada dia para falar com pessoas e estudar hipóteses de aplicação de dinheiro que, em números tão astronómicos, é sempre dinheiro que sobeja. Quem pode viver milionário sem ter na consciência um remoque que faça acordar para a necessidade de intervir de forma positiva, de entrar na história de vidas pela porta principal?

 

Confesso que me custa a aceitar que alguém consiga viajar a bordo de um iate para um paraíso qualquer sem perder o sono com a realidade factual de existirem tantos seres humanos a viverem noutro planeta, a esgravatarem na existência as migalhas de sorte que restam a quem nasceu no tempo ou no sítio errados e não consegue sequer garantir a sobrevivência dos seus.

Nunca fui apologista de apropriações indevidas dos bens seja de quem for, tal como entendo que ninguém abdique da sua condição em prol de uma generosidade excessiva.

Mas dez por cento, apenas uma pequena parte que devidamente gerida pode alterar para melhor tanta vida...

 

E às tantas, no meio dessas vidas anónimas que se esgotam em desânimo ou em revolta, até pode estar um potencial terrorista a quem a intervenção certa, a oportunidade concedida, transformasse num futuro líder em condições para uma nação à deriva ou, no mínimo, em menos um soldado disposto a matar ou a morrer por uma causa que poderia perder a razão de ser perante um gesto solidário por parte de quem, na ausência dessa preocupação, se converte de imediato num alvo de cobiça, num inimigo natural...

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publicado por shark às 11:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (24)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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