Segunda-feira, 22.09.08

UM SEXO DO OUTRO MUNDO

A extraterrestre desceu da sua nave espacial com um ar montes de tecnologia avançada, a nave também, e eu temi o pior.

Vinha armada, mas em boa. Que o era, o que de imediato me garantiu que a criatura mais perfeita do universo é mesmo a mais perfeita de todo o dito cujo, mas como estava enfiada numa espécie de escafandro não consegui tirar-lhe as medidas todas à primeira vista embasbacada que lhe lancei.

 
Leu-me os pensamentos na hora, percebi-o pelo facto de ter corado (neste caso esverdeado) segundos depois de apontar as antenas na minha direcção. Pedi-lhe desculpas por telepatia e abri os braços para a fazer sentir o calor das boas vindas à moda portuga, mas ela, estranhamente, recuou com um ar intimidado mal lhe toquei (talvez fosse por lhe ter tocado involuntariamente com outra porção de terráqueo que não os braços, uma guarda avançada de geração espontânea que de repente se criou em mim. Não sei porque ela não se abriu no assunto.).
 
Recuei um passo, sempre com um sorriso destinado a inspirar-lhe a confiança que os meus pensamentos demasiado terra-a-marte pudessem fazer perigar, pois conhecendo as fêmeas terrestres um gajo sabe lá do que uma marciana mais arisca e eventualmente munida de um canhangulo de raios xpto é capaz.
Pensei com muita força o cliché do “venho em paz”, mas depressa percebi que ela devia achar-me maluquinho pois quem veio foi ela e mal aterrou já tinha um macho mal habituado armado ao pingarelho como se fosse seu (dele) o controlo da situação.
E ela não tinha mesmo nada o ar de quem precisasse de ajuda para mudar um pneu do seu ovni luminoso.
 
Percebendo-me confuso mandou-me sentar. Ou melhor, sentou-me com a força da mente. E isso fez-me concluir que as fêmeas fazem de mim o que querem, sejam as daqui sejam as de outra galáxia qualquer. Adiante, que entretanto eu já abancava dócil como um cordeirinho e ela, soberana, já me sondava o cérebro de fio a pavio em busca de algo de útil para enriquecer a bagagem de conhecimentos obtida em diversos planetas.
Preocupou-me a demora no processo, embora me consolasse a ideia de que isso implicava haver muita informação importante. A expressão dela, contudo, parecia denunciar o oposto e por isso esforcei-me por concentrar a mente em assuntos muito intelectuais enquanto o meu olhar se perdia pelas formas magníficas que o tal escafandro permitia vislumbrar.
Fiz mal em sobrecarregar o processador com esses raciocínios simultâneos, pois a criatura alienígena acabou por abandonar o cérebro e apontou a sonda para o resto do terráqueo inteiramente à sua mercê.
 
Só então me senti como que violado, incapaz de me mover (só nos movimentos voluntários, graças a Deus, pois detestaria fazer má figura no meu primeiro encontro imediato do terceiro grau) e sem fazer ideia do que aquela fêmea do outro mundo queria fazer de mim.
Acho que abusou de mim, pois sentou-se (levitou) ao meu lado e deu-me uma seca de pensamentos acerca do remorso de ter sido infiel ao seu ex marciano num planeta com um nome esquisito, horas naquilo, e às tantas mergulhou-me numa letargia que me deixou sem tino e sabe-se lá o que me fez com todo o seu poder.
Despertei cheio de frio no meio da clareira de um bosque, com dois guardas florestais a perguntarem-me o porquê de me encontrar naqueles propósitos (calças pelos tornozelos) e a ameaçarem-me com uma coima e mais não sei o quê.
 
Entretanto, no céu estrelado, um rasto luminoso assinalava a despedida definitiva daquele estranho ser.
 
E eu acordei outra vez. Mas desta vez foi a sério.

É que sem querer acertei com o braço na garrafa de vodka, tão vazia como o outro lado da cama, e ela caiu da mesa-de-cabeceira para o meio do chão.

publicado por shark às 18:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)
Domingo, 01.06.08

EU, FALO

Se eu vos disser que sou um pénis a escrever um post ninguém acredita e muita gente vai julgar que estas palavras são todas da autoria de mais um blogueiro ordinário que gosta de chocar as pessoas.

O problema reside na mania dos pressupostos, dos rótulos que elas (as pessoas) colam aos outros e aos pénis (que é suposto não falarem), facto que condiciona de alguma forma o desempenho de qualquer um de nós (os falos).
E condiciona sobretudo ao nível do sexo oral. Eu explico porquê.
 
Se eu, falo, afirmar que gosto de sexo oral ninguém estranha. Mas isso apenas porque aplicam de imediato uma conotação brejeira à expressão. E é de expressão que vos falo, por exemplo da expressão com duplo sentido que vos leva a presumirem que um pénis não bloga (não fala) e por isso o sexo oral em causa não é o que trata da oralidade, da verbalização, mas sim o dos mimos que nos dão (a nós falos) num contexto bem diferente daquele que pretendo exprimir.
 
Mas eu, o falo, recuso-me a vestir a pele (qualquer pele, sobretudo de borracha ou similar) da pila que só ergue a voz, que a temos, pela causa que alegadamente nos move em exclusivo. Só pensas nisso, o cliché, como se a vida de que vos falo se restringisse a uma única função mais uns chichis quando calha.
E eu aponto noutra direcção (no meu caso concreto é prá esquerda) e recordo-vos o conceito, brilhante, do pensar com a pila.
 
Pensar com a pila é algo que nada tem de bizarro ou de censurável. Aliás, nesta vossa blogosfera tão atraída pelos gajos com tiques e estatuto de intelectual, é perfeita a associação de ideias implícita (embora não conste que a prática o comprove). Pelo menos em teoria.
Como julgam vocês que um pénis ocupa o tempo passado, maioritariamente, no avesso das cuecas?
Um pénis nunca dorme, medita. E é por isso natural que se pense com a pila, havendo até casos em que o sexo oral (o falado) é prova bastante de que ao gajo associado mais valia cingir-se a seguir o raciocínio da pila e poupar o cérebro para as funções menores (por quanto paradoxal que isto possa parecer aos que possuem falos minorcas).
 
O sexo oral constitui para um pénis um ícone da mais pura liberdade de expressão, pois, como o nome indica, a um falo compete falar. E por isso não é assim tão estranho um pénis blogar. Porque um pénis raramente pratica o sexo que lhe está associado por inerência e por isso sentimos (nós, os falos) a necessidade de comunicação oral para podermos exprimir emoções, anseios, tesões ou simples devaneios ligados à miséria da nossa condição semi-clandestina por detrás de peças de roupa ou do puritano manto de pudor com que sempre nos cobrem.
E na ausência de uma boca (para falar) recorremos à expressão escrita, aproveitando as tais funções menores que o gajo acoplado pode executar sem um esforço por aí além.
 
Por isso não vejo porque a ideia de um pénis a blogar deva constituir uma mera ficção, uma fantasia estapafúrdia de alguém que por acaso até bloga.
As pilas não são todas iguais (e isto não sou eu, o falo, a colocar-vos as palavras na boca), diz-se por aí e eu sou forçado a concordar.
 
E chega a um ponto em que alguns de nós falos temos mesmo que falar, nem que seja com os nossos botões.

(Com o fecho eclair é que não há conversas e qualquer pila que já se tenha visto entalada numa dessas criações demoníacas que só podem ter brotado da mente de um órgão sexual feminino sabe bem do que falo…).

publicado por shark às 12:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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