Terça-feira, 18.09.12

A POSTA NUMA PORTUGUESA DAQUELAS

Inês Costa venceu o The Art Of Building, um concurso fotográfico internacional com milhares de candidatos.

E como podem ver aqui, a concorrência é feroz.

publicado por shark às 09:49 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 11.04.10

DIREITO DE RESPOSTA, TAL COMO O ENTENDO

VALENÇA E OLIVENÇA: UMA COMPARAÇÃO QUE CRESCE NOS "BLOGUES"

 

Antes de mais nada, quero dizer o ÓBVIO sobre o caso de Valência, e
que se segue.
É, de facto, impressionante a cegueira das nossas autoridades no que
toca a questões de
soberania. Primeiro, foi a Maternidade de Elvas... o que priva
portugueses de Direitos de
Cidadania! Na verdade, se dentro de trinta e cinco anos um elvense
quiser ser Presidente
da República, NÃO O PODERÁ ser, por Não ter nascido em território nacional.
Isto é uma estupidez!
Por outro lado, Olivença... que em alguns blogues se diz estar agora
melhor que no tempo
português... e que Valença, com sorte, poderia seguir o mesmo
destino... convém
esclarecer que, segundo as fontes espanholas... era, em 1801, uma cidade
comparável a Badajoz (História da Extremadura Española, Col.
Universidade da Extremadura,
1996 (mais ou menos), livro de bolso ). Hoje, tem dez mil habitantes,
cerca de 65% do que
tem Estremoz, que
em 1801 tinha pouco mais de metade do que Olivença. Para além disso, a
História, a
Cultura, a Língua, foram apagadas ( e ainda são! Não se ensina aos
oliventinos, na
escola, NADA da sua História).
A irresponsabilidade dos dirigentes portugueses, a sua falta de
sentido de estado e de
dignidade, parece não ter fim.
Voltando a Valença , penso que falta em Portugal uma política
minimamente coerente de
dignidade nacional. Por exemplo, conheço bem a raia
alentejo-extremadura, e fico
estupefacto quando oiço os "alcaldes" (espanhóis, obviamente) das localidades
fronteiriças dizerem-me que, estando as suas localidades a representar
Espanha na
fronteira, têm de ser "salas de visitas", e, portanto, estar bem
cuidadas para não dar
uma má impressão! Ora, do lado português, parece haver um cuidado
extremo... mas, ao
contrário, em mostrar e acentuar (aqui com a cumplicidade do Governo
de Lisboa) o que é
inferior, o que é mau, e em dizer, mesmo quando isso nem é assim, que
"o lado espanhol é
que é bom e desenvolvido". Isto é suicídio político e de dignidade,
digamos assim.
Por outro lado, sejamos objectivos! O "Alcalde" de Tui não deveria
afirmar que vai abrir
um centro de SAÚDE JÁ A PENSAR NOS PORTUGUESES! Isto parece querer
dizer "nós pensámos
nos pobrezinhos (coitados!) que são os desgraçados dos nossos vizinhos
de Portugal". Vejo
isso como uma forma de ingerência... mesmo porque sei que, se algum
Presidente de Câmara
Português tivesse um gesto semelhante para com uma localidade
espanhola, logo a Imprensa
espanhola reagiria com indignação a dizer que " espanhóis não precisam
de esmolas", e
"que os espanhóis resolvem os seus problemas sem recorrer a
terceiros". Esta é a grande
diferença entre governantes actuais dos dois maiores estados ibéricos
(Andorra existe!).
Os governantes portugueses nada estão a fazer por Valença. Governantes
espanhóis, perante
um caso similar, já teriam reagido... como o fizeram quando se içaram
bandeiras
portuguesas na Galiza, a propósito de uma questão desportiva.
Já agora, eu estive em Rio d´Onor há cinco anos, e vi, na parte espanhola,, a
disponibilidade de helicópteros militares espanhóis de P. Sanabria
para levar doentes
para Zamora... apesar de o Hospital de Bragança estar a vinte Quilómetros...
Há realmente, repito, muita irresponsabilidade por parte das
autoridades de Lisboa. Estas
situações criam melindres e ressentimentos. Tudo, afinal, o que pode
vir a ser pouco
saudável na
convivência entre Estados Ibéricos...
Ainda volto a Olivença...pois leio em blogues espanhóis a
queixarem-se de que Portugal
é ridículo nas suas reivindicações, e que acabaria por pedir São Félix
dos Gallegos e
Ceuta...francamente! São Félix dos Galegos foi cedida a Espanha nas
"pazes" gerais de
1411; Ceuta foi cedida a Espanha em 1668, por tratado. Não são casos
comparáveis a
Olivença, que LEGALMENTE deveria ter sido reentregue a Portugal.
Alguns dos meus
antepassados tiveram de sair de lá...
E, devo dizer, pasmo com o argumento "tempo". Depois de Duzentos anos
está tudo
resolvido... O que dizer de Gibraltar, ocupado há trezentos anos...
Mais: este argumento permitiria que qualquer país ocupasse territórios
vizinhos, mesmo de
forma ilegal! Bastaria "aguentá-los" na sua posse durante...200 anos?
Tudo ficaria
"legal"?
Sou pela amizade de Portugal e Espanha, mas como iguais. Não estou
disposto a observar o
que se passa em Olivença, isto é, em plena Democracia, a manutenção de
um sistema de
ensino que não informa os oliventinos, de uma toponímia colonialista,
de apelidos
falsificados.
O Estado Português tem feito o que pode... e sem dúvida poderia e
deveria fazer mais.
Mas... como ir muito mais longe? Declarar uma Guerra? Só assim a
Espanha respeitaria os
Acordos Internacionais? Que dignidade mostraria Espanha dessa forma?
Quero uma amizade Ibérica. Sem "rabos de palha". Situações dessas só
servem para guardar
ressentimentos. Calados quando é conveniente. Mas... vêm ao de cimo à mínima
dificuldade... e com violência! Olhe-se a Jugoslávia nos anos 1990!!!
Estremoz, 09-Abril-2010

 

Carlos Eduardo da Cruz Luna

publicado por shark às 15:40 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 19.02.08

MONTANA FIRE

montanafire de john mccolgan.jpg
Foto: John McColgan
publicado por shark às 10:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 14.02.08

FUI EU QUE A FIZ...

poema da filha do shark.jpg

Por: Sharkinha

(...E agora digam lá se não toca uma música parecida com a do papá tubarão, hã? Feliz Dia dos Namorados!)
publicado por shark às 00:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (31)
Quinta-feira, 08.06.06

Em paz

em paz.jpg

Inesperadamente.
Abate-se sobre nós, como se fosse uma ave em voo picado, um turbilhão de Cor .

Desarma-nos, encanta-nos, quase nos subjuga.
E, ali, só nós e a Natureza, tomamos consciência da nossa pequenez e da vastidão do Mundo.
Mordiscando o caule de uma erva, enquanto aspiramos o ar morno da tarde, somos apenas mais um elemento da paisagem, perecível, como os restantes.
Que um dia desaparecerá, da mesma forma como apareceu. Do nada para o nada.
Por agora existimos. Em paz.
É aproveitar.

Mar
publicado por shark às 13:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quarta-feira, 07.06.06

Sweet September

longe deles.gif
aqui


Como diria o meu sócio, "adoro pessoas". São tão giras, tão previsíveis, tão agradáveis de observar nas acçõezinhas canalhas que praticam, tentando fazer boa figura (e isto não é, de todo, dedicado a alguém do sexo masculino) e passar pelas santas da casa, quando estiveram no cerne de todos os incêndios ateados enquanto manobraram outros para lhes fazer o trabalhinho sujo.
E elas, as "pessoas", a gozar o pratinho à conta dos que se atiram prá frente sem medo, em contraponto à sua cobardia, amarela e peganhenta, gordurosa como o excesso de peso de que sofrem.
O problema delas, das "pessoas" é que se denunciam quando se deixam entusiasmar em excesso.
E deitam a perder todo o esforço que fizeram, inglório, ao tentar ficar por cima. (se bem que elas "as pessoas" também gostam de outras maneiras emais ainda com "pessoas" iguais a elas).
É por isso que eu hoje aqui dedico uma "poisia" a uma "pessoa" da minha estima, ex-confidente por sms e outras vias.
É que, como é grande, por sms não dava muito jeito a ainda podia vir a ser usado depois...

Mensagem do Mês de Setembro

Caminha placidamente entre o ruído e a pressa. Lembra-te de que a paz pode residir no silêncio.

Sem renunciares a ti mesma, esforça-te por seres amiga de todos.

Diz a tua verdade quietamente, claramente.

Escuta os outros, ainda que sejam torpes e ignorantes; cada um deles tem também uma vida que contar.

Evita os ruidosos e os agressivos, porque eles denigrem o espírito.

Se te comparares com os outros, podes converter-te numa mulher* vã e amargurada: sempre haverá perto de ti alguém melhor ou pior do que tu.

Alegra-te tanto com as tuas realizações como com os teus projectos.

Ama o teu trabalho, mesmo que ele seja humilde; pois é o tesouro da tua vida.

Sê prudente nos teus negócios, porque no mundo abundam pessoas sem escrúpulos.

Mas que esta convicção não te impeça de reconhecer a virtude; há muitas pessoas que lutam por ideais formosos e, em toda a parte, a vida está cheia de heroísmo.

Sê tu mesma*. Sobretudo, não pretendas dissimular as tuas inclinações. Não sejas cínica no amor, porque quando aparecem a aridez e o desencanto no rosto, isso converte-se em algo tão perene como a erva.

Aceita com serenidade o cortejo dos anos, e renuncia sem reservas aos dons da juventude.

Fortalece o teu espírito, para que não te destruam desgraças inesperadas.

Mas não inventes falsos infortúnios.

Muitas vezes o medo é resultado da fadiga e da solidão.

Sem esqueceres uma justa disciplina, sê benigna* para ti mesma. Não és mais do que uma criatura no universo, mas não és menos que as árvores ou as estrelas: tens direito a estar aqui.

Vive em paz com Deus, seja como for que O imagines; entre os teus trabalhos e
aspirações, mantém-te em paz com a tua alma, apesar da ruidosa confusão da vida.

Apesar das tuas falsidades, das tuas lutas penosas e dos sonhos arruinados, a Terra continua a ser bela.
Sê cuidadosa.
Luta por seres feliz.

(Inscrição datada do ano de 1692. Foi encontrada numa sepultura, na velha igreja de S. Paulo de Baltimore)

* No original, o género era masculino mas a "pessoa" é do feminino por isso substituí.

Mar
publicado por shark às 17:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 02.06.06

Manobrando...

cordelinhos.jpg
aqui


Como num passe de mágica.
Fenómenos inexplicáveis, experiências com resultados imponderáveis, acasos muito pouco casuisticos.
Volatilizações, com materializações subsequentes noutros locais. Pouco prováveis. Os menos prováveis.
Que, de coincidentes nada mais têm, para além de, em vidas passadas, terem partilhado o mesmo canto de universo por breves espaços de tempo.
Há redes de grupos e subgrupos que se alinham sem que seja plausível a explicação para esse efeito. Porque não se vislumbra, a olho nu, que concretização de objectivos comuns as legitimam. A não ser que...

Há passes de mágica que não passam disso mesmo: truques farsolas mal dissimulados, com pontas de lenços a espreitar de dentro das mangas e as orelhas do coelho bem visíveis, de fora da cartola. Apenas os ilusionistas de pacotilha se convencem de que conseguem ludibriar alguém. Por mais que puxem os cordelinhos, o público não se deixa enganar e apanha-lhes as manhas a cada passo que dão, rodopiantes no salão.
Espectáculos de segunda, que somos obrigados a seguir. De camarote. Em nome da defesa a todo o custo, garras afiadas prontas a retorquir, não te metas comigo que eu idem, nem me lembro que existes, daquilo que mais prezamos.
A lei da selva, em todo o seu esplendor. Nada de mais, afinal.

Mar
publicado por shark às 12:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 21.05.06

Tenho

god.gif

a mania estúpida de julgar os outros à minha imagem e semelhança. É assim uma espécie de vocação sublimada para exercer a profissão de Deus. Constata-se noutras características minhas, como ser teimosa e mandona, pensar que as pessoas me idolatram e ter um mau feitio desgraçado.
O pior é que farto-me de levar com baldes de água fria, coisa que, caso eu fosse mesmo Ele, não poderia nunca acontecer, pela lógica da gravidade. No mínimo, seria eu a abrir as torneiras do dilúvio, lá em cima...
O certo é que, enquanto imagino que quando alguém diz que faz, fará mesmo ou sempre que afirma a pés juntos que não faz, a acção não será jamais cometida, eis que um abanão na estrutura me demonstra que um qualquer gene defeituoso, a ponta da dupla hélice um nadinha torta, produziu um exemplar fora da minha matriz.
Pela quantidade de fugas aos meus parâmetros, constatadas na coabitação diária com os meus semelhantes, só posso mesmo exclamar: malditos hackers...

Mar
publicado por shark às 13:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sexta-feira, 19.05.06

Sabedoria

camadas de vida.jpg


Sobrepomos, em sobressalto, camadas sobre camadas de vida.
Múltiplas faixas paralelas, a todo o comprimento do ser que somos, umas claras como risos ou nascentes de água pura, outras cinza escuro, sombrias, dos dias feitos de lágrimas.
Fazemo-nos aos poucos como pessoas.
Do fino e tenro tronco original, apenas resta um pequeno círculo branco.
O núcleo daquilo que somos. Em torno do qual nos fomos endurecendo, afirmando, defendendo, existindo.
O deve e o haver entre as cores dos estratos sobrepostos, diz-me que tenho sido uma pessoa feliz.


Mar
publicado por shark às 13:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 17.05.06

Redacção e Poesia

Dois géneros distintos mas amplamente praticados sempre que se quer dar uma de "intelectuale"

Há por aí uns poetas
que se julgam de mão-cheia
só porque uivam à lua cheia.
Eu também gosto de poesia
mas as minhas preferidas são as fábulas.

E "prontos", como era para entrar na competição de quem melhor faz uma redacção ou escreve poemas de amor e drama, aqui fica o meu quinhão.

"O Sapo"
(renomeado da minha lavra, para a "poisia" que se segue)

e incha e incha.jpg




É avarento, faz o mal

É caloteiro prega espigas

Seu viver assim não vale

É mesquinho causa brigas


Tem soberba, é arrogante

Vai vivendo em sobressalto

Rebaixando seu semelhante

Para que o vejam mais alto


Perpassa ao lado do indefeso

E, com perversos sentidos,

Vai revelando desprezo

Pelos mais desprotegidos


O Soberbo

Por José António Alves


Mar
publicado por shark às 14:48 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 08.03.06

ELAS CARREGAM FILHOS E SONHOS

mulher, alvaro.jpg
gravura de Álvaro Cunhal in Desenhos da Prisão



Escrevi o meu primeiro texto sobre as questões da igualdade de género quando não passava de uma miúda. Teria uns 16 anos e, por altura de um outro 8 de Março, produzi uma prosa inflamada sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez e a discriminação da Mulher, para um jornaleco da Associação de Estudantes, que se chamava, muito criativamente, "Pedra no Charco"... Ainda hoje guardo, algures, um exemplar amarelecido por entre os objectos que conservo como recordações de infância.
E ainda hoje, vinte e muitos anos depois, aqui continuamos, a escrever artigos de opinião sobre questões que deveriam ser, simplesmente, letra de lei. Que até o são, em termos constitucionais e de direitos humanos, embora o desminta a dura realidade quotidiana de muitas e muitas mulheres. Por aqui continuaremos. Enquanto a desigualdade for a lei que se pratica.
Não se trata apenas de, em Portugal, elas constituírem a maioria dos diplomados do ensino superior. Ou tão pouco, de apresentarem uma das mais elevadas taxas de actividade a tempo inteiro, da União Europeia. Nem sequer de estarem, até, fortemente representadas na administração pública.
Em matéria de tomada de decisões e de ocupação dos cargos mais elevados da hierarquia política continuam, de facto, minoritárias. A maior qualificação escolar e a forte presença das mulheres na população activa não tem como decorrência directa a igualdade de oportunidades entre os dois sexos.
Mas não se trata, aqui, de recordar que, de todos os pobres do mundo inteiro, 70% são mulheres, e que, dos analfabetos e desempregados, dois terços ainda são mulheres ou ainda que, hoje, no século XXI, quando o avanço da ciência e da tecnologia nos permitem equacionar a hipótese de viver em Marte, morrem por dia milhares de mulheres, por deficientes condições de assistência sexual e reprodutiva.
Não, não é apenas isto que está em causa. É o facto de elas terem, efectivamente, as mesmas capacidades que eles. E aí estão, nos dias de hoje, mulheres em todos os ramos de actividade profissional, até mesmo aqueles outrora "interditos" ao sexo "frágil", a prová-lo.
São estas mulheres-exemplo que demonstram a ausência de razões para a discriminação, a falta de oportunidades, o tratamento diferenciado, a condescendência, com que ainda se encara a participação da mulher na vida política, social e profissional da generalidade dos países. Mesmo os ditos desenvolvidos.
Do que se trata, aqui, é de reclamar justiça. (...)

(...)Até lá, continuaremos por aqui.
A escrever crónicas e entoar cânticos, a empunhar bandeiras e a gritar denúncias, a provar verdades, à espera do dia em que mulheres e homens, ombro a ombro, construam em conjunto a sociedade em que nós, as mulheres de hoje, já gostaríamos de viver.


publicado originalmente no Diário do Alentejo - rubrica "em foco", em 3/3/2006


Mar
Dos tempos da II Mundial para cá, a evolução foi, sem dúvida, notória, mas mantém-se a divisão tradicional de papéis entre homens e mulheres, no seio da família, a qual é transposta para o resto.
Na esmagadora maioria dos casos é, ainda, sobre a mulher que continua a recair a responsabilidade de cuidar dos filhos e da família. Deste modo, o papel que é uma benção, o da maternidade, cedo se transforma numa condicionante do acesso ao emprego ou a uma carreira, já que uma mulher em idade reprodutiva é facilmente preterida a favor de um homem com idênticas qualificações.
Uma verdadeira política social de promoção da igualdade, deveria, assim, contemplar a criação de equipamentos de apoio à infância e à terceira idade, para uma fácil conciliação de uma vida profissional com a familiar. Enquanto não se produzir a mudança, fará sentido que prossiga a luta das mulheres - e dos homens, seus companheiros - pela igualdade efectiva.
A triste realidade é que, a nível mundial e em termos globais (ainda que com algumas excepções) os valores predominantes ainda colocam as mulheres num estatuto de subordinação. E isto acontece, genericamente, porque as diferenças biológicas, são transformadas em desigualdades sociais. Erradamente. Pelo facto de estarem associadas à mulher características físicas e psíquicas como a meiguice, a fragilidade, sensibilidade, passividade e intuição e ao homem a coragem, a racionalidade, força ou competitividade, ainda hoje, qualquer demonstração de maior assertividade por parte de uma delas no exercício das suas funções profissionais, é associada a histerismo pré-menstrual, ao passo que, quando se verifica num homem, é sinónimo de competência.
São representações sociais machistas e sexistas que assim o determinam. Pois se não o fossem, machistas, associariam a meiguice e a sensibilidade a uma capacidade acrescida para gerir recursos humanos em situações de conflito ou a intuição à efectiva percepção dos problemas quase sempre antes que os homens os vislumbrem, sequer, no horizonte.
Quanto à fragilidade, é quase sempre aparente. Os seus corpos carregam filhos e sonhos, elas baixam febres e amparam quedas, dão pareceres, produzem relatórios, limpam narizes e corrigem trabalhos de casa, desenham edifícios, projectam pontes, fazem contas e compras e escutam confissões, elas analisam amostras em laboratórios e curam doentes, aninham os lutos delas e dos outros, batem recordes, educam, lavam pratos e almas e passam e cozinham e acarinham ao fim do dia. Elas descobrem forças onde insistem em apontar-lhes fraquezas.
As identidades e papéis masculino e feminino não são um facto biológico, decorrente da natureza, mas sim algo que foi construído histórica e sociologicamente. E assim, isso significa que podem ser modificados.
Existem tribos em África que reconhecem à mulher, o papel preponderante na hierarquia social dessa comunidade. São elas que asseguram as decisões e a subsistência do grupo, enquanto a eles, por exemplo, cabe tomar conta dos filhos, até ao primeiro ano de vida destes.
Trata-se, então, de uma questão predominantemente cultural, a que perpetua as diferenças de género, nas sociedades modernas.
O que nos leva a concluir que, a educação terá um papel fundamental na transformação de mentalidades e de práticas e na construção de uma sociedade futura mais justa e igualitária. Promover uma prática educativa não discriminatória desde a primeira infância, com incidência no desempenho de papéis idênticos por parte das crianças de ambos os sexos, contribuirá, decerto, para uma sociedade do futuro em que a efectiva igualdade de oportunidades seja uma realidade inquestionável e que as situações de discriminação e violência sobre as mulheres sejam apenas um facto histórico passado. Assim haja vontade política e medidas reais de suporte.
Até lá, continuaremos por aqui.
A escrever crónicas e entoar cânticos, a empunhar bandeiras e a gritar denúncias, a provar verdades, à espera do dia em que mulheres e homens, ombro a ombro, construam em conjunto a sociedade em que nós, as mulheres de hoje, já gostaríamos de viver.
publicado por shark às 11:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quarta-feira, 02.02.05

ESTRATÉGIAS RUINOSAS

estrategias1.jpg

Num blog defunto que não vamos aqui mencionar e no âmbito de um post que ali publiquei, solicitei aos nossos caros telespectadores que participassem num aliciante passatempo: criar uma estratégia oblíqua.
Obviamente, levaram a coisa à letra e fizeram uma leitura oblíqua do texto - eu pedia apenas uma estratégia, uma síntese, uma essência, uma proposição de carácter genérico e abrangente, e houve quem apresentasse quatro. Não pensem que sou ingrato, mas gostava que ao menos na blogosfera me levassem a sério. No entanto, tenho de dar o braço a torcer - os nossos rádio-ouvintes até com uma perna às costas tiram coelhos da cartola.
Para tornar a leitura mais objectiva, baralhei um pouco a ordem original e identifiquei os autores por números. Sugiro que leiam as estratégias sem ver os nomes.


bica.gif


ESTRATÉGIAS OBLÍQUAS

Só tenho um problema se tiver solução para ele. (6)

Viste? Experimenta olhar de perto. (13)

Se alguma coisa não te parece estar suficientemente bem feita, é porque efectivamente não o está. (4)

Take one step ahead. Then fly if you can. (2)

No meio de uma discussão, não digas nada que possa vir a ser usado contra ti. (3)

Antes de saltares do precipício recua e vai embora. (9)

Ficar parado é como recuar. (12)

Quem não sabe, não mexe. (5)

Põe exagero em tudo o que fazes. (11)

Onde queres chegar? (14)

As ideias estão em todo o lado. Olha. (6)

Take one step back. Then focus. (1)

Trata-se de cultivar, não de salvar. (13)

O material tem sempre razão. (4)

Descobrir o lado humorístico nos maus momentos. (6)

Deixa cá ver o que acontece se carregar aqui. (5)

Espera, reescreve: talvez não seja tão genial como isso. (7)

Há coisas no mundo que não se comparam e as coisas são uma delas. (1)

Pensa. Depois, decide. (4)

Quanto mais se sabe mais se esquece. (8)

Há-de vir. (10)

Não se inventa. Inovar é reescrever a forma. (6)

Se já procurei por todos os lugares é porque está no primeiro lugar. (8)

Não fales antes de pensar se o que vais dizer faz mesmo falta. (3)

Vou comprar cigarros, mas volto. (9)

Ouve, e só a seguir fala. (3)

Se já procuraste e não encontraste é porque, só, não podias encontrar. (8)

Sente o apelo do precipício, do negro, da vertigem e da libertação. Antes de saltares, olha para trás, recua e vai embora. (9)

Se não sabes o que dizer, cala-te. (10)

Não penses mais nisso. (5)

Caminha o mais que puderes, chegarás lá um dia (e se te faltarem as forças, levanta um dedo que com companhia chegarás lá muito mais depressa). (12)

Movimento é hábito: desconstrói o passo; desconstrói o gesto. (13)

Avança: a primeira impressão é a mais expressiva. (7)

Pensa alto. (9)


bica.gif


AUTORES

1 João Pedro da Costa
2 Sharkinho
3 1poucomais
4 M.
5 Catarina
6 Maria Árvore
7 Onan
8 João Ribeiro
9 Vague
10 Mar
11 Cap
12 NOlimiar
13 Glória
14 derFred

postado por: derFred
publicado por shark às 14:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (64)
Segunda-feira, 24.01.05

UM POST ELÉCTRICO

elecpole.jpg

Lá em casa, quando éramos adolescentes, as festas tinham sempre luzes psicadélicas. A aparelhagem não prestava. Mas tínhamos psicadélicas. Sabem quantos choques apanhei a montar a porcaria das luzes? Acho que foi por isso que fiquei assim, indolente.

Postado por : derFred
publicado por shark às 14:29 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (67)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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