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CHARQUINHO

Sedento de aprendizagem, progrido pelos caminhos da vida numa busca incessante de espíritos sábios em corpos docentes. (sharkinho at gmail ponto com)

CHARQUINHO

Sedento de aprendizagem, progrido pelos caminhos da vida numa busca incessante de espíritos sábios em corpos docentes. (sharkinho at gmail ponto com)

11
Jul21

A posta na pandemonia.

shark

Era fácil de perceber, ainda antes da pandemia. Dizia-se que "está tudo doido". Multiplicavam-se os episódios mais ou menos graves, mais ou menos bizarros, que denunciavam isso mesmo: uma parte significativa da população parecia já estar "do outro lado".

A pandemia, com todas as pressões associadas, não só parece ter agravado o problema pré-existente como ter também feito engrossar as fileiras dos que parecem viver numa realidade paralela. E não me refiro apenas às tontinhas e aos tontinhos que defendem coisas mirabolantes como a Terra plana, mas a cidadãos comuns, com uma vida aparentemente normal, com uma postura sem alarido, subitamente a revelarem-se sem respeito por convenções, por valores, por regras elementares de uma coexistência pacífica.

E depois ainda há os suficientemente desequilibrados para defenderem arrufos fascizóides e a alinharem com o discurso autoritário de palermas sem norte que, hoje como no passado, apenas vêem na lei dos mais forte a sua única possibilidade de experimentarem alguma forma de poder, tão básicos se revelam. Tudo chanfrado, como se existisse uma avaria colectiva e contagiosa nos cérebros de cada vez mais pessoas.

A lógica é a primeira a sucumbir, afogada em falsos pretextos, falsas notícias, desinformação destinada a abrir os portões do caos às mentes mais fragilizadas, incapazes de discernirem o deserto terrível para lá da miragem policial, dominadora, segregadora de grupos sociais e agitadora da respectiva revolta que alimenta os medos fantasiados, num ciclo perfeito de alucinação daquelas que destroem aos poucos o tecido social de qualquer democracia à mercê.

Depois começam a morrer os princípios universais, substituídos pela loucura dos valores prepotentes que anestesiam a consciência de quem ainda a possua. Sempre assim foi, sempre assim será. Não é coisa de que o tempo nos salve, de que o progresso nos possa proteger. 

Vemos a loucura a crescer a cada dia que passa, disfarçada de rebeldia contra um imaginário opressor que nos quer impor confinamentos, vacinas, condicionalismos à liberdade como a interpretam os malucos, os irresponsáveis e os que precisam do pandemónio como do pão para a boca para sustentarem ideias mal pensadas, acusações mal fundamentadas e assim poderem surgir no meio do caos como salvadores da Pátria que trataram de destruir, explorando-lhe as fraquezas que andaram a semear.

Vejo apenas mais uma forma de loucura, mais esperta, mais sabida, mais experimentada na arte da mobilização de tiranetes e aspirantes a ditadores, a comandantes dos modos de vida alheios. Com terreno fértil na ressaca de um problema que a todos afecta e a todos surpreendeu.

Com o manicómio de portas abertas, pela dificuldade em distinguir quem joga com a equipa toda e quem, sem dar por isso, anda a perder parafusos a cada passo sem tino numa sociedade que, como outras, acabará por evidenciar sinais cada vez mais evidentes de uma indisfarçável desagregação.

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