A POSTA QUE UM DIA APAGAREI

huverrobot2.gif

Chateia-me a mania de nos noticiários conferirem uma importância danada às competições idiotas entre robôs, a versão pré-histórica dos Medabots. Uns rapazolas de predominância japonesa investem fortunas e neurónios numa maquineta capaz de empurrar um objecto na direcção do que se presume ser uma baliza.
Trôpegos, imbecis, feios que dói. Alguns ficam de patas para o ar, como tartarugas, patéticos. Outros empurram o objecto (a bola?) em todas as direcções menos a pretendida. E os telejornais compram a notícia, as imagens idiotas, os sorrisos de satisfação dos, enfim, vencedores.

Porém, as coisas podem ser postas noutra perspectiva quando recordamos uma outra notícia de índole similar. A do computador que aprende com os próprios erros e obriga os melhores do mundo a transpirarem para lhe ganharem uma partida de xadrez. Uma máquina, qualquer máquina, capaz de progredir na aprendizagem é um sinónimo de tecnologia demasiado na ponta.

Se um computador parece à partida inofensivo, tão imóvel como um cinzeiro ou um umbral de porta, as coisas tornam-se menos simples quando imaginamos um equipamento pensante capaz de interagir com uma máquina com rodas. É disso que estamos a falar, quando adivinhamos a tentação do cruzamento de espécies na natureza das pessoas. Rottweilers e Pittbulls em potência, eléctricos, metálicos, autónomos e demasiado inteligentes dentro das portas de cada casa...

Isto é ficção científica (ou lunática, se preferirem). Claro. Em 1920, o space shuttle também era. Em 1960 achariam um piadão ao conceito de internet. Em 2004 acomodo-me e encaro sem medos o monitor.
Mas tenho a certeza de que não serei avô quando enfrentar pela primeira vez o momento de olhar para o meu computador com rodas, desconfiado, sabendo que nesse momento ele também pode estar a olhar para mim.
publicado por shark às 16:07 | linque da posta | sou todo ouvidos