OS PRÓXIMOS REFÉNS

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciou que vai permitir o alargamento do prazo máximo do seu crédito à habitação até aos 80 anos de idade dos respectivos titulares, alguns anos para lá da esperança média de vida dos portugueses.

Esta "regalia", aparentemente generosa e talvez aguardada como pão para a boca pelos mais aflitos neste cenário de crise, implica duas conclusões imediatas que me saltam à vista com o brilho de mil sóis. Ou com as trevas de mil temporais que se adivinham nestes tempos endiabrados.

 

Por um lado, o custo total do financiamento irá aumentar com o acrescento dos juros relativos ao tal prazo mais alargado e, provavelmente, com o aumento do encargo com os seguros obrigatórios (nomeadamente o de vida). Por outro, e ainda pior, este prolongamento do prazo da dívida acabará certamente por implicar a transmissão da "herança" à geração seguinte pois já existe pelo menos um banco (BES) que dispensa o seguro de vida nos créditos para pessoas com 55 ou mais anos de idade.

Se (quando) o BES imitar o gesto da CGD em matéria de alargamento do prazo e caso a dispensa de seguro de vida se generalize teremos então criadas as condições ideais para o endividamento antecipado dos herdeiros de quem se veja forçado a aproveitar a "benesse" com que os bancos pretendem ajudar a disfarçar a visível aflição de milhares de famílias.

 

Na prática, estamos a ver preparar-nos o caminho para a perpetuação da actual condição de autênticos reféns da banca e a acrescentar-lhe as condições ideais para a passagem de testemunho automática aos legítimos sucessores.

 

Na maioria dos casos, sem que estes possam fazer algo para o evitar.

publicado por shark às 11:46 | linque da posta | sou todo ouvidos