A FÓRMULA ZERO

wacky races

 

 

Já não lhes achava piada nenhuma antes da crise energética que o mundo enfrenta e agora abomino-os. E não constituem tema de que me possa esquecer, sobretudo entre as quintas-feiras e os domingos, pois são esses os dias em que os street racers fazem rugir as suas máquinas infernais na Ponte Vasco da Gama e em todas as estradas que lhe dão acesso na zona oriental de Lisboa.
 
O conceito é imbecil por inerência. Street racers são pilotos de corrida amadores cujas pistas são as ruas onde circulam cidadãos, famílias, cuja segurança se vê ameaçada pelos imensos cavalos que deslocam os burros em competições mais idiotas do que os torneios medievais.
Desconheço se existem troféus para os vencedores destas wacky races, mas da sua glória posso e afirmo constituir uma impossibilidade factual.
 
Disputar corridas de automóveis em estradas frequentadas por gente alheia à competição é um insulto à inteligência e ao bom senso que grita (ronca) madrugada fora aos ouvidos dos cidadãos que pagam impostos para que as forças de segurança impeçam estas alarvidades a motor.
Parecem fazer orelhas moucas, as autoridades, ao barulho que ecoa ao longo dos quilómetros de pista preferencial dos pilotos da treta que provavelmente jamais singrariam num circuito a sério em disputa com os verdadeiramente bons na condução.
E apesar de terem já acontecido fatalidades em duas ou três concentrações clandestinas, uma espécie de raves sobre rodas, nem isso parece ter bastado para alguém se propor acabar com a paródia.
 
Um dos grupos mais afectados pela estupidez dos street racers são os adeptos do tuning, sendo que raras vezes os dois grupos se misturam apesar de alguns corredores gostarem (passarocos) de chamar a atenção (da polícia também) com o ar supersónico dos seus bólides convencionais.
Mas sem dúvida alguma os maiores perdedores com a maluqueira rodoviária destes anónimos ases do volante são os cidadãos comuns que não dormem em casa e os que arriscam a vida nos troços onde os assassinos em potência surgem sem aviso nos seus desafios à sorte.
E a mais de 200km/hora basta uma falha mecânica ou o rebentamento de um pneu.
 
Contudo, se tivermos em conta os problemas que derivam do consumo extravagante das máquinas infernais que correm sem nexo pelas ruas onde os limites de velocidade deixam de existir, a prática do street racing é uma ofensa aos valores dos que levam a sério o problema dos combustíveis fósseis queimados para a atmosfera sem controlo pelas centenas (milhares?) de praticantes desta modalidade sem juízo.
 

Se a Liberdade é um valor que prezo e me apresso a defender, não é menos verdade que sempre declarei a minha intolerância para com quem dela abusa a correr.

publicado por shark às 22:32 | linque da posta | sou todo ouvidos