SELECÇÃO NACIONAL OU ENTREPOSTO COMERCIAL?

Quando no Mundial do México em 86 a selecção nacional dessa altura pareceu abdicar do apuramento, perdendo dois jogos “de ganhar” depois de ter ultrapassado um primeiro “de perder”, toda a gente percebeu que havia algo de errado no filme.

Saltillo acabou por ficar gravada na memória colectiva dos portugueses (que acompanham o futebol) como uma terra associada às vergonhas que o nosso desporto rei cria nos bastidores.
                                                    
Estive para exercitar nesta ocasião o meu talento inato para Zé Mourinho de sofá, evidenciando o meu brilhantismo na correcção à posteriori das decisões erradas do Scolari ou de outro treinador qualquer. Mas desisti da ideia, sabendo que nada iria acrescentar ao que o Rui Santos dirá n’A Bola, milhares de bloguistas dirão nos seus espaços e milhões de portugueses já hoje desabafaram nas secretárias do escritório ou nas mesas dos cafés.
Prefiro explorar precisamente a teoria da conspiração marginal ao futebol que se joga com os pés. E essa, que justificou a minha associação de ideias expressa no parágrafo introdutório, desenvolve-se fora do terreno de jogo embora se exprima nas exibições e nos resultados finais das partidas.
 
Claro que é muito bonito acreditarmos que os rapazes deram o máximo e tal, mas fomos roubados ou tivemos azar ou a culpa (descarada) do treinador teimoso como uma mula e incapaz de arriscar nas substituições que (des)motivam quem no relvado está a perder e vê o líder substituir o ponta de lança.
Contudo, a diferença no rendimento de alguns jogadores, nomeadamente os mais badalados na dança das transferências milionárias, e sobretudo na motivação e concentração de toda a equipa desde o anuncio extemporâneo de mais uma deserção à Durão (e nisso o Scolari sai mesmo pela porta pequena), esses sinais fizeram toda a diferença frente à Suiça e repetiram-se ontem perante os alemães nem por isso tão poderosos.
 
Tenho, pois, a ligeira impressão de que a ressaca de mais este desaire trará as revelações que poderão juntar este Europeu ao leque de embaraços que somamos e quase todos explicados não pela real valia dos futebolistas mas pelos factores acessórios que lhes destabilizam a (pouca) cabeça e acabam por se reflectir naquilo de que são capazes com os pés.  
 
Gilberto Madail é um fulano que dá a cara pela instituição responsável por acautelar eventuais rebaldarias, a Federação Portuguesa de Futebol, e já não é a primeira vez que vêm a público as consequências do seu mau desempenho na liderança.
 
Depois daquilo a que assistimos nos relvados e do que nos chegou de fora dos mesmos, só lhe resta uma opção e deve exercê-la antes de ser definida a próxima equipa técnica a gerir os destinos da selecção.
 

Já devia estar escrito e entregue o seu inadiável pedido de demissão.

publicado por shark às 12:30 | linque da posta | sou todo ouvidos