A POSTA DETERMINADA

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O autor, na sequência do esforço intelectual para produzir esta posta...

Discuti o assunto pela primeira vez nos tempos do liceu, no contexto da disciplina de Sociologia. Na altura as respostas foram pouco esclarecedoras, até porque existiam duas correntes de opinião distintas que se antagonizavam.
De um lado estavam os que defendiam a preponderância dos factores genéticos, a hereditariedade e afins. Do outro, os que advogavam a influência decisiva dos factores externos (exógenos?), o ambiente circundante que nos molda feitios e decisões.
Abundam os argumentos, até porque a questão é recorrente. Recordo-me até de um spaguetti de nome Lombroso que media os crânios dos condenados com vista a estabelecer um padrão. Este foi-me apresentado, já na faculdade, por um professor que não escondia o seu entusiasmo pela teoria da medição das carolas. Até na forma do rosto seria detectável a maior ou menor propensão para a criminalidade de um indivíduo, o que tornava suspeito (em teoria) qualquer irmão gémeo de um marginal.

Confesso que não afino por esse diapasão. Rotular implica estigmatizar. E se filho de peixe sabe nadar é porque num ambiente aquático não lhe restam alternativas. E se quem sai aos seus não degenera, isso não implica necessariamente um desprimor caso se verifique o contrário.
O ambiente será então o factor determinante? Parece mais fácil de assumir, mas nesse caso teríamos demasiadas excepções à regra para a consolidar. Não são raros, nem surpreendentes, os casos de filhos de perigosos bandidos, a cara chapada dos progenitores, que se revelam cidadãos exemplares. E vice-versa. Lá se vai o padrãozinho catita do cientista social...
Claro que seria estúpido catalogar TODOS os indivíduos nascidos em determinados ambientes e condições sob um mesmo epíteto. Como seria imbecil considerar inabaláveis as conclusões dos estudiosos que apontam para a certeza de determinados traços fisionómicos corresponderem a personalidades específicas, a história dos fleumáticos e dos coléricos e por aí fora que tanto estimulam os analistas da nossa mona. São certezas tão válidas como as que recolho da leitura diária do meu horóscopo ou da previsão meteorológica para amanhã ou depois.

Até porque a estatística não passa de um mero indicador, sobretudo quando estão em causa as pessoas. Se o outro comer o bife todo, eu fico com metade dos créditos mas também acumulo uma fomeca desgraçada.
Daí, mantenho uma posição prudente e jogo na tripla. Sem uma resposta convincente, ignorante assumido em matéria de determinismo, gostava que alguém mais esclarecido me explicasse em português corrente porque não sou abastado como a minha tia (tão parecidos os nossos crânios e afinal...), porque não sou cadastrado como um puto da minha criação e, acima de tudo, porque é que não tive ‘uma semana favorável’ como afirmou a astróloga Maia e porque sistematicamente saio de casa armado em toino com o guarda-chuva na mão e tenho que voltar atrás para ir buscar os óculos de sol? Ou vice versa?
publicado por shark às 12:58 | linque da posta | sou todo ouvidos