A POSTA NA ALEGRIA COSTUMEIRA

portugal profundo.jpg

Chove a potes lá fora. Será húmida a festa dos vencedores.
Eu não festejo coisa nenhuma. Assisto na televisão ao discurso vitorioso de um cacique que parece contar com um propagandista do tipo Heinrich Himmler na sua prole de assessores, esganiçado. Já assisti à reacção amarga e elucidativa de um outro da sua laia, talvez pior, sacudindo a culpa do seu revés para os ombros de um pato bravo da construção civil.
Ainda faltam outros dois, retumbantes na sua confirmação de que pouco interessam os partidos políticos quando os figurões controlam a cena.
A democracia expõe-se em directo ao ridículo da sua actual condição.

No resto, o costume. O partido no poder perdeu pouco e, no meu entender, perdeu onde mais merecia (pelo nível dos seus candidatos de merda). O maior partido da oposição ganhou onde precisava mas já tinha perdido onde os seus rebeldes se impuseram. O partido que nunca perde voltou a não perder e ainda pode invocar algumas surpreendentes vitórias. O partido desfeito parece, nesta altura, ter recebido a f(r)actura das portas que se fecharam nas costas do seu novo líder. O partido tudo-ao-molho recebeu uma clara indicação de como ninguém deu pelo efeito do seu aumento parlamentar e apenas obteve aquilo que se previa, presenteando a Câmara alfacinha com um vereador no qual se depositam esperanças legítimas. E os partidos dos quais mal se conhece o nome permaneceram na sombra.
Tudo na mesma, portanto.

Desconheço ainda o nível da abstenção. Mas pouco alteraria o desencanto com que encaro mais esta exibição de como a política já não se compadece de ideologias. As estruturas partidárias esfalfam-se por mobilizar outros que não os directamente interessados no resultado final da coisa, na tacharia. Não conseguem, como a pálida campanha eleitoral confirmou. E isso aplica-se a todos por igual.
Apodrece aos poucos, o sistema, abandonado pela maioria. Deixado à mercê das hienas, como um pedaço de carne putrefacta que dividem entre si enquanto rosnam. Pela melhor parte do festim, a ocupação dos lugares em disputa, por troca com as aves de rapina espantadas pela vontade popular.
A falta de entusiasmo tresanda.

A chuva é muito desmotivadora.
Nem sequer festejámos em condições a qualificação da nossa selecção de futebol para o Mundial da Alemanha...
publicado por shark às 22:40 | linque da posta | sou todo ouvidos