A POSTA NUM DIA MELHOR

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Foto: sharkinho

Esses momentos passam-nos pela vida como relâmpagos numa trovoada de Verão. Distraímo-nos e só nos apercebemos do clarão, não chegamos a saborear na retina a beleza e a intensidade da descarga luminosa que adivinhamos magnífica.
Depois, só depois, escutamos o som imponente do trovão e ficamos com a certeza de que aconteceu algo especial. E passou-nos ao lado porque não estávamos atentos ao céu.

São irrepetíveis os lapsos de tempo nos quais temos a sorte de experimentar sensações e emoções únicas, de participar directamente no melhor que a vida nos dá. Por isso nos devemos concentrar nesses instantes mágicos, agarrar a rara oportunidade de conhecer a felicidade e de a desbundar em pleno do princípio ao fim. Enquanto ela durar, pois o infinito é uma ilusão nestas coisas.
A faísca que rasga o ar e lhe arranca um estampido de celebração só acontece uma vez. Quem não a vê só sabe que aconteceu pelo barulho, pelo ruído de fundo da magia que nos escapou. Só então corremos à janela em busca de uma reprise e deparamo-nos com uma sequela, apenas parecida com o original que só por milagre será alvo de uma reposição.

Sentado no balcão, tento prescrutar o céu para não perder pitada. Absorvo cada milésimo de segundo de duração daquele encanto que os meus olhos registam para memória futura. E esta a disparar ao ritmo de uma máquina fotográfica profissional, de uma caçadeira de repetição, ansiosa para recolher as imagens e as impressões que nos fazem as recordações que valem a pena gravar.

Reflectido no mar adiante, o raio multiplica-se por dois e amplia o estímulo visual, o impacto da explosão de luz e de som.
E eu, feliz, reclino-me na poltrona para aguardar, com saudade do que passou, o próximo momento em que a vida fará mais sentido para mim.

Na linha do horizonte, a noite já se veste com os tons garridos do sol que me ilumina mais um dia. Quero presenteá-lo com um sorriso.
Partilho-o convosco nestas palavras. Tenham um dia memorável, cheio daquilo que nos faz beijar o ocaso por prenunciar um amanhã que mal conseguimos aguardar. É assim ou não é?
publicado por shark às 11:32 | linque da posta | sou todo ouvidos