A POSTA ESTUPEFACTA

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Rui Rio, candidato do PSD à presidência da Câmara Municipal do Porto e actual titular do cargo, visitava uma idosa centenária no âmbito da versão pimba de qualquer campanha eleitoral. Entusiasmado por não choverem impropérios ou manifestações de desagrado pela sua presença, deixou-se embalar pelas delícias que o poder proporciona.
Em directo, diante das câmaras que também gostaria de controlar (as da tv), sacou de todo o seu vigor e logo ali afirmou que "não fazia uma promessa, o telhado da casa da senhora iria ser reparado sem demora". Pela rapaziada da Câmara, rapidamente se deduz...
Ou seja, ficamos todos a saber quem manda e o quanto é valioso ser o Presidente em exercício quando se entende natural utilizar os argumentos de peso que os contribuintes proporcionam.

Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à presidência da Câmara Municipal de Lisboa e ex-Ministro, fazia não sei bem o quê a propósito da versão pimba de qualquer campanha eleitoral. Tinha sido divulgado há poucos dias o facto de existir um claro benefício das autarquias da mesma cor política do Governo (PS ou PSD), em matéria de atribuição de verbas e outros benefícios que o Estado controla para, afinal, utilizar em função de critérios partidários.
Em directo, diante dos microfones que o privam da sua melhor (leia-se "mais boa") vantagem eleitoral, afirmou que Lisboa só teria a ganhar com "uma Câmara da mesma cor do Governo em funções".
Ou seja, ficamos todos a saber que desvirtuar as regras da Democracia passou a constituir um argumento válido no entender de quem, assim, não só confirma o teor dos números divulgados e da vergonha neles implícita mas ainda se dá ao desplante de os invocar como uma excelente razão para votar no Partido Socialista.

Estou cada vez mais distante desta escória que me desgraça. No bolso e no amor aos valores democráticos, pois vejo-me na contingência de ir votar por respeito aos que lutaram e sofreram por esse direito tão grato mas com a clara noção de que apenas contribuirei para legitimar o poder desta corja que, na prática, merecia era uma abstenção arrasadora.

E nem preciso referir as mais que certas vitórias dos caciques da moda, travestidos em independentes.
Já percebi que nestas eleições que se avizinham há fortes hipóteses de eu nem pegar na caneta...
publicado por shark às 20:35 | linque da posta | sou todo ouvidos