A POSTA NA BOA ONDA II

Na política aprende-se depressa a não confiar em demasia nas alianças de circunstância. O amigo de hoje pode ser o feroz adversário de amanhã, bastando alterar-se a conjuntura que o aproximou da nossa causa. E nada invalida que essa conjuntura possa repetir-se amanhã...
Mas isso também se aplica às relações humanas, onde muitas vezes basta confrontar os nossos aliados com alguma prova de fogo para lhes expor as renitências. E estas surgem muitas vezes em pleno contar de espingardas, quando chega a hora de sabermos com quem podemos efectivamente contar.

O mal, se calhar, está em depositarmos demasiada esperança na capacidade das pessoas abandonarem as suas lealdades do passado (ainda que dedicadas a quem as desiludiu), talvez por não conseguirem renegar os aspectos positivos que lhes podem preservar uma boa memória de eventos que lhes desagradaram.
É incorrecto forçarmos alguém a fazer escolhas. Por ser injusto para quem se vê no meio do fogo cruzado e porque nos expomos a profundas desilusões quando fundamentamos as nossas expectativas numa espécie de chantagem emocional.

Já incorri por diversas vezes nesse erro ao longo da minha vida e dei-me sempre mal. Questionei quem não devia, magoei por desconfiar. Quando afinal o que está em causa é uma manipulação da solidariedade dos outros, um falsear das suas verdadeiras emoções.

Julgo que aprendi a lição. E não repetirei a gracinha, para não correr o risco de olhar em volta e perceber-me só numa luta sem justificação.
Contento-me com a certeza de que a ambivalência não me priva da estima de quem gosta de mim.
Prefiro assim. E desisto em absoluto de qualquer conflito que me oponha seja a quem for. Não o alimentarei, para não fomentar o desconforto entre os que se vejam encurralados nas teias da lealdade dividida, pelo respeito que lhes merecem os dois lados em disputa. E basta que haja juízo na carola de um dos opositores.
Espero que todos(as) quantos(as) me sintam como um adversário aceitem esta oportunidade para enterrarem os machados de guerra.

Afinal, se eu não retorquir deixa de dar luta...
publicado por shark às 15:46 | linque da posta | sou todo ouvidos