COSTELA ALENTEJANA

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Foto: sharkinho

Desde que me conheço sou um apaixonado pelo Alentejo. Sempre afirmei, aliás, que se pudesse ter escolhido um ponto do país de onde ser originário seria algures na planície alentejana.
Estou-me positivamente cagando se estou de alguma forma influenciado pelo facto de amar uma mulher daquela terra. Não é apenas disso que se trata e espero que as palavras que escreverei o confirmem, hoje e no futuro. E mesmo que seja disso que se trata não vejo nada de errado o sigo o meu caminho com a mesma passada.

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Foto: sharkinho

O Alentejo é o único local do nosso do país e do planeta (dos que já pisei) onde me sinto em ligação directa à terra, onde entendo o que me une ao universo que me rodeia, aquilo que sou. Só senti algo de similar na savana dos países africanos banhados pelo Índico que tive a felicidade de conhecer.
De resto o horizonte é parecido, na interminável alcatifa amarela pintalgada de verde aqui e além, mais o branco ocasional do casario caiado com brio e vaidade, e no tapete dourado com árvores isoladas a colorir de esperança a imensidão que nos oferece a paisagem de Masai Mara (Quénia).
São terras que exercem sobre o nós o poder que as cidades abafaram sob camadas de asfalto ou de betão que nos afastam da essência e nos mergulham na desorientação.
Parte da infelicidade latente dos citadinos reside aí.

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Foto: sharkinho

E as pessoas, sim. Os alentejanos são únicos e especiais. Mexe comigo a profundidade do seu sentir, expresso nas canções que me turvam de lágrimas o olhar e embargam a voz. Seduz-me a forma simples como encaram o destino em tudo o que tem de mau e apreciam o que de melhor lhes dá. Encanta-me o seu orgulho pela terra que os viu nascer. Enche-me de alegria o seu talento natural para acolher, o jeito espontâneo para serem excelentes anfitriões. Sempre me senti bem vindo na parcela do território nacional com que mais me identifico, do estado de alma (o Alentejo é Fado) à gastronomia (como o simples se pode requintar...) passando, sem dúvida, pela intensidade das emoções que aquelas gentes transmitem a todo o instante quando falam das coisas da vida, tudo exponenciado pela sua natureza sentimental. Pela forma bonita como cultivam o amor que nos dão.

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Foto: sharkinho

Sinto-me ligado ao Alentejo como se estivessem nessa terra as minhas raizes mais profundas, como algo embutido em mim à nascença. E agora mais do que nunca, claro está, e outra coisa não seria de prever. Assumo-o sem complexos ou hesitações.
Ademais, no meu Sul existe agora um mar de razões para sublimar esta atracção.

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Foto: sharkinho
publicado por shark às 17:18 | linque da posta | sou todo ouvidos