CULPA MINHA

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Foto: sharkinho

Acontece-me imenso. No meio da fúria que por vezes me controla digo e faço coisas de que me arrependo depois. Fujo de mim nessas alturas, incapaz de me entender e de encontrar uma plataforma lúcida para o diálogo interior. Para evitar o pior.
Não consigo. Deixo-me dominar pelo lado menos bom de uma personalidade talhada para a confusão. Expludo impropérios e impludo em terríveis conclusões. Uma amálgama de raiva desnorteada com uma tendência vincada para a loucura temporária.
Entretanto já passou. E eis-me de novo confrontado com o remorso costumeiro, a minha penitência de estimação.

Dou o braço a torcer, sempre que me reconheço fora da linha perante seja quem for. E forço muitas vezes as tentativas de reconciliação, apesar das inúmeras desilusões que esta mania me traz. Prefiro dar-me bem com as pessoas, mas não lhes tolero provocações. Perco a razão à partida, desproporcionado nas reacções. Vou longe demais. E isso não é bom, pois gajos como eu passam a vida apanhados em contrapé.
Ajo, no fundo, em conformidade com o impulso que me trai. É este o retrato dos meus momentos piores, hoje como num passado que sinto distante mas nunca passível de olvidar. Faz parte do homem que sou. E aqui estou.

À míngua da vossa simpatia.
À mercê do vosso desdém.
publicado por shark às 18:15 | linque da posta | sou todo ouvidos