A POSTA ENROLADA

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Fiquei feliz quando pude olhá-la de novo. Sentia-lhe a falta, por vezes. Do cheiro intenso, único, que a distinguia. Da sua influência decisiva no meu humor. Do fumo que parecia envolvê-la como um manto de nevoeiro numa cidade portuária qualquer. Quando a olhei não pude deixar de sorrir.

Não tardámos enrolados, ela sobretudo. Enrolada a preceito, depois de aquecida com jeito, pontas da seda nos extremos das minhas mãos. As pontas que lambi, sem pressa, mais o caminho a percorrer entre cada uma delas.
Espalhei a substância a todo o seu comprimento, lentamente, até ao momento de a enrolar, de completar o movimento que a recheava como uma lula. Depois, cobri esse recheio com uma fina película de papel, como uma couve lombarda abraça uma salsicha. E o meu apetite por ela despertou.

Peguei no isqueiro e rocei a chama numa das pontas e envolvi com o calor dos meus lábios a extremidade oposta. Dela inspirei uma obra-prima, um clássico da ficção, uma maravilhosa nave espacial, em voo picado para os mais altos planos. Depois expirei. E inspirei outra vez, introduzi-a aos poucos em mim. No meu sangue já ela corria quando a coisa me bateu.

Muito mais do que a primeira que fumei.
publicado por shark às 15:05 | linque da posta | sou todo ouvidos