A POSTA NO CINZEL

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Vejo-te deitada de bruços, na cama ou no chão. Esculpida pela vida que te fez mulher, curvilínea, tentadora como um circuito de velocidade onde o meu coração já acelera. E o corpo não espera mais por ti, abraço de lava que beija a rocha para a derreter até ao momento de completar a fusão. Assim me vejo abraçar-te, esmagada sob o peso do homem que sou, incapaz de te mexeres que não apenas o bastante para me receberes. Dentro de ti para sempre, naquelas horas de loucura em que da tua boca ouço apenas a palavra mais, ou da tua mente, telepatia, não sei. Mais de mim. Para te provocar o gemido que me atiça, o grito abafado que me sopra pelas eiras como fogo ao vento num ocaso de Verão.

Vejo-me espalhado pelo teu corpo deitado, numa esteira ou num sofá. Mergulhado no suor a dois, mordisco-te uma orelha e passeio na tua nuca os lábios molhados, cabelos colados, as mãos que soltam agora as tuas para poderem percorrer-te, escultura. Então, vejo-me escorregar para um dos teus flancos até as minhas costas assentarem e as minhas mãos te agarrarem, pelas axilas, arrasto-te sem pressas para cima de mim. Para poder observar-te a expressão e nela ler o desejo de que preciso para alimentar ainda mais a minha fome de te ter. E leio no teu olhar, em letras garrafais, a palavra mais esperada.
E também eu preciso mais. De ti que escorres agora no outro lado da tua pessoa, um amante em ebulição, gotas do teu amor. Lágrimas de prazer, chuviscos de transpiração. E depois gritas outra vez e tombas sobre mim, ancas cada vez mais serenas no movimento de vaivém.

Vejo-nos paixão.
publicado por shark às 02:57 | linque da posta | sou todo ouvidos