A POSTA QUE NÃO É CONVOSCO

Recuso-me a aceitar a vossa postura careta, a vossa conversa da treta acerca dos prazeres dos outros que rejeitam apenas porque nunca os conseguiram provar.
Rejeito eu, a hipótese de acatar alguma espécie de subserviência aos objectores de consciência dos amores proibidos, os que amam escondidos como se fosse vergonha uma pessoa sentir-se feliz.

Renego a posição dos que entendem o sexo como uma coisa pequena que reduzem à versão mais obscena para poderem mais facilmente pactuar com a respectiva ausência.
Oponho-me à sua abstinência quando aplicada à força a todos quantos possam servir de mau exemplo para uma conduta irrepreensível, a que no seu entender é uma coisa impossível de tolerar nos dias em que não conseguem desabafar a sua infelicidade intrínseca que tentam passar aos outros como uma doença contagiosa ou mesmo como uma maldição.
Contrario essa vossa versão mal fodida quando apenas empata a vida a todos quantos a queiram vencer e a vitória está afinal no prazer que dela se extrai. Cada um à sua maneira, percebam como é foleira essa vossa aversão a tudo quanto evoque a tesão perdida algures num beco sem saída dos que se lamentam mas nem por isso nos sustentam a paciência infinita requerida para vos aturar os queixumes sob a forma de repreensões aos outros, os que incomodam pela diferença, ou mesmo com uma atitude mais hostil.

A agressividade latente nessa reacção urticária, beatas e beatos palermas, é coisa que reflecte apenas o desconforto que vos invade sob a influência nefasta da frustração. E deviam canalizá-la para a força na luta contra tudo aquilo que vos azeda por dentro em vez de a dirigirem para os rostos sorridentes que contrapõem as vossas carrancas cinzentas que nos infestam com castrações medievais.

Porque no fundo é a liberdade que vos incomoda, a de quem não se priva de uma boa estrada em vez de estagnar num cruzamento a hesitar, sem saber por onde seguir durante tanto tempo que se desenvolvem raízes que os agarram ao chão no ponto de intersecção entre a vontade que reprimem e a cobardia que camuflam com falsos pruridos de merda.
Com maledicência e desdém sobre o melhor que a vida tem e eles não agarram, pudibundos, enquanto definham, moribundos, à mercê das suas opções desastradas que repetem sem cessar até nenhuma outra restar que não a dos fenómenos de rejeição contra cada puta das que mostram o peito e não se dão ao respeito, vão para a cama com qualquer um mesmo que não seja nenhum porque andam assim pela rua e eles, porcalhões, perseguem-nas como cães e tudo isto faz muita confusão na cabeça da pessoa que ouviu falar do orgasmo como um pecado capital e nunca ousaria experimentar.

E eu desprezo-os e a elas também sempre que o discurso recai naquilo que as outras e os outros são capazes de fazer na tal demanda pelo prazer que só se pode considerar vergonhosa, sendo essa a única saída airosa para disfarçar a inveja recalcada.
E eu não mantenho a boca calada perante esse dedo apontado, esse dedo quantas vezes utilizado para libertar um pouco da tensão acumulada, à socapa de quem ressona a seu lado na cama, dessa postura falsa puritana que esconde muitas vezes o deboche descontrolado e por norma enviesado pelos medos e pelas distorções que só as mentes enclausuradas conseguem produzir.

Não consigo esconder a minha aversão a essa estúpida tentação para a crítica feroz aos que se libertam de alguma forma desses grilhões inibidores das paixões como dos amores e avançam pela existência sem ligarem pevas às pessoas tão parvas que nem reconhecem o absurdo inato à sua mesquinhez, à sua mania de imporem aos de fora os limites que sonham em segredo violar um dia mas esse dia tarda sempre a chegar e chega, na maioria dos casos, tarde demais para compensar a alegria que morreu numa qualquer noite fria e solitária na companhia de alguém que os ignora.

E vou seguir pela minha estrada fora sem admitir interferências ou qualquer tipo de ingerências no que concerne ao meu direito individual de me assumir irracional quando as emoções prevalecem, ou de preferir o recato prudente que sinta mais conveniente em determinada altura sem que isso sirva de pretexto para os considerandos seja de quem for.

Porque acredito que o amor, sob qualquer das suas manifestações, sejam elas para toda a vida ou fugazes paixões, não se presta ao juízo de quem pela forma de intervir, com tiradas anedóticas, prova não o possuir.

E porque estou farto de hipócritas.
publicado por shark às 12:50 | linque da posta | sou todo ouvidos