A POSTA QUE A PUBLICIDADE ENVELHECE A PESSOA

Quando era mais puto prestava muita atenção aos anúncios da televisão e até lhes decorava as músicas. Achava na altura, e hoje tenho a certeza, que a publicidade reflectia muitas das tendências de cada época e por isso constituía informação a ter em conta.
Apesar dessa mania que muito acelerava as mijinhas nos intervalos dos filmes, ainda os blocos publicitários davam à justa para percorrer o corredor até à casa de banho, ida e volta, eu tentava não me deixar influenciar nas decisões de compra. Uma daquelas pelejas à David contra Golias que eu, sempre calmeirão, raramente conseguia experimentar na porrada com os putos como eu, armados em rufias. Um desafio, como lancei algures aos jogos de casino e quase perdi, ao fim de uns anos a enfrentar a besta.

E agora entro na parte da posta que tem mais a ver com o título.

É que dantes eu percebia a linguagem publicitária, apanhava logo o trocadilho e sentia-me um consumidor esclarecido. Agora sinto-me perplexo perante a imbecilidade, a boçalidade, a irritabilidade que a maioria dos spots representa. E mais, agora deu-lhes a mania de repetirem até à exaustão, num mesmo bloco a perder de vista, os mais idiotas.
Vem-me à memória assim de repente o último que envolve os Gato Fedorento e umas pitinhas todas larocas, o que tu queres sei eu, e depois aparece o sapolas e mais não sei o quê e eu pergunto-me: o mercado alvo da PT Multimédia é assim tão vincada, descarada e definitivamente composto por broncos e broncas?

Mas há mais, como os da TMN, , numa sequência a atirar pró Bronx com uma malta bué da jovem a praticar o coolto do telemóvel, ainda mais bizarra do que a generalidade das campanhas das operadoras telefónicas. E quase todos os que envolvem hipermercados, fora da época das leopoldinas e das popotas. E ainda uma parte dos que bombardeiam as crianças com brinquedos, como um gótico que já referi algures de uma tal de Dareway (uma espécie de veículo motorizado com uma posição de condução ridícula).

São cada vez mais os anúncios que não entendo, que rejeito, que me enervam. A moral da história, como o exemplo flagrante da publicidade a um automóvel que gira em torno de um acto de vingança de uma fulana contra o namorado que lhe tratou o popó sem o carinho exigido, é quase sempre perversa. A estética escarrapachada nuns quantos é, no mínimo, duvidosa. E as figuras mediáticas exploradas até ao tutano não têm, na maioria, jeito nenhum para figuras de proa publicitárias.

E eu fujo cada vez mais das recomendações que custam balúrdios a alguns anunciantes descuidados ou sem olhinhos na cara, nem que seja para punir a forma preguiçosa como me tentam impingir a banha da cobra.

Cada vez mais envelhecido por me sentir completamente desnorteado perante o mundo estranho e imperceptível como a publicidade moderna o ilustra.
publicado por shark às 00:02 | linque da posta | sou todo ouvidos