RESPONDEMOS BASTA

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Sei que, apesar de te ter pedido que não o fizesses, lês o meu blogue. Não nos resta nesta altura qualquer outra via de comunicação. E por isso a aproveito para te recordar que faltaste à tua palavra outra vez. Fizeste uma promessa à que provavelmente será no futuro a única pessoa do teu sangue capaz de gostar de ti, sem as reservas que o teu comportamento me suscitou e caso eu falhe na minha tentativa de o evitar.
Fizeste a promessa, mas não cumpriste. E ela reparou. E sentiu. Não existe em mim lugar ao perdão para quem a magoa, disso sabes bem. Mesmo assim, arriscaste a indiferença habitual, a definição de prioridades que a deixa sempre de fora, no fim de uma lista interminável de preocupações comezinhas e de pessoas sem valor algum. Foi um erro crasso de avaliação. Porque existo eu. E não te concedo o perdão.

Ela não chora a tua ausência, nem grita a revolta que a tua atitude lhe possa provocar. Cala bem fundo o desgosto que lhe dás. Sofre em silêncio, com a dignidade que sempre cuidei de lhe incutir mas levada ao extremo para reprimir qualquer lágrima que a tua memória vai deixando de merecer.
És indigna do teu lugar no seu coração, agindo dessa forma. Cruel, até. E ela ainda não o entende como eu, mas um dia ouvirá da minha boca a explicação sincera e frontal para tudo o que se passou. O que se passa nesta altura, aliás, contigo desleixada no carinho a quem já provou sem margem para dúvidas a sua dedicação. Um desperdício, digo eu.

Avisei-te por mais do que uma vez. Fiz-te sentir o que está em causa. E nunca te escondi a minha desilusão.
Agora, reincidente na tua negligência, exibiste de novo e com clareza o lugar que ela ocupa na tua escala de afectos, a ausência da saudade que todos estes meses te deveriam provocar. Mas não, não sentes as coisas como ela ou como eu. És uma estranha à nossa concepção do amor, uma carta fora do baralho no jogo das famílias a brincar.
Confirmaste o que nunca te omiti, as minhas piores previsões. Criaste-lhe ilusões que trataste de desfazer.

Basta assim. Poupa-a à influência perniciosa do péssimo exemplo que lhe dás. Poupa-me à ira que provocam as tuas omissões e a hipocrisia com que lhe afirmas o teu amor. Deixa as coisas como estão, distantes, esquecidas, remetidas para o fundo de um álbum de fotos qualquer. Não a procures, não a exponhas constantemente a esta dor calada que cada vez menos a impede de sorrir. Eu prefiro assim e sei que ela também, mesmo não sendo capaz de o confirmar.
Abdica do teu papel de fantasma, de referência ausente para uma data de merdas que não lhe interessam partilhar. Ela só precisa do teu amor. E tu não lho dás.
Fazes então falta a quem e para quê?

Na casa que foi tua, onde tentei responder a esta pergunta, cheguei a várias conclusões e nenhuma a inclui (como a mim há muito não incluía) no caminho que percorres sem ao menos olhares para trás de quando em vez. Sem tempo para quem te adorou e agora se prepara para te esquecer. Com a minha resignada colaboração, que a amo acima de quaisquer pruridos de ordem institucional ou convenções da treta. Não a amo por obrigação e protejo-a da tristeza que lhe possam provocar.
Conto contigo para agires em conformidade, pois sei que a tua resposta não será diferente da minha.
publicado por shark às 13:21 | linque da posta | sou todo ouvidos