A POSTA NO PACOTE DE AÇÚCAR

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“É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe.”

Epicteto



Estava a beber uma bica na esplanada, entretido a observar as pessoas que passavam. Gosto de observar as pessoas, pelo prazer de as adivinhar pela pinta. Nem sempre se consegue avaliar assim o livro pela capa, mas regra geral correspondemos na aparência (e nalguns rituais) ao perfil que queremos exibir.

Um dos ensinamentos mais úteis que me foram transmitidos pela geração anterior, e eu dou mais valor aos conhecimentos quando lhes reconheço uma aplicação prática ou uma utilidade intrínseca, foi a forma de interpretar as mulheres através dos sinais que estas transmitem. Todas as chaves que conduzem à interpretação, qualquer uma, dessas criaturas misteriosas e imprevisíveis são um dado valioso que qualquer apreciador deve ter em conta.
Não vou maçar-vos com uma listagem desses sinais (ou tiques de expressão) que a experiência dos mais velhos me transmitiu. Até porque o segredo é a alma do negócio e nestas coisas não podemos dar abébias à concorrência...
Mas dou-vos um exemplo concreto, dos que nunca falham: mulher que caminha apressadamente batendo com os saltos dos sapatos no chão é com toda certeza um pirafo colossal. Isto é conversa de homens, claro, e espero que ninguém se sinta melindrado(a) com esta premissa sexista.

E é deste tipo de sabedoria que estou empenhado em absorver. Não apenas a que diz respeito à criatura mais maravilhosa do universo, mas toda a que sinto poder valer-me na busca incessante do melhor caminho para uma existência preenchida e feliz. As questões práticas da vida...
Por isso mesmo, pouco me interessa se o tal Epicteto era um filósofo romano por alturas de 60 a 90 DC que foi banido com os restantes pensadores da sua época por um imperador idiota (Domiciano) que não entendeu o facto de contribuir assim para cavar a sepultura do império que liderava. Sem ideias, não há civilização que resista.
Mas não é por isso que irei a correr à biblioteca para conhecer melhor este bacano cuja citação, impressa num pacote de açúcar dos cafés Chave D’Ouro, serviu de base para esta posta.

O que me interessa mesmo é perceber como um gajo que foi enterrado há quase dois mil anos consegue proferir uma afirmação que ainda hoje é actual. E aposto que o gajo não fazia ideia da importância da forma de caminhar das romanas para lhes avaliar o potencial...
Eu acho que ele tem razão. Só sei que nada sei, ouvidos à escuta e olhos na estrada para (re)conhecer sempre os melhores caminhos. A sabedoria é como um mapa que acumula as indicações de quem já percorreu uma parte do percurso para que outros lhe acrescentem uns pós a seguir. Rumo a ninguém sabe bem para onde, pois o sacana do mapa cresce a toda a hora e uns viram à esquerda e outros à direita e há até os que buscam o saber às arrecuas.

Tanto faz, desde que a malta vá partilhando o resultado das suas experiências e reflexões. E é essa óptica que corresponde à minha, quando me interrogo acerca do exercício de blogar.
publicado por shark às 13:03 | linque da posta | sou todo ouvidos