NA EBULIÇÃO DA ESCRAVATURA

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Foto e inspiração do texto: Victor Ivanovsky, retirada (com uma vénia também) DAQUI.

Vejo-te a preto e branco, magnífica, numa película do tempo em que por detrás de cada diva tinha que existir uma mulher sensacional.
Sento-me numa cadeira vazia da sala cheia a abarrotar, perco-me no meio da plateia à tua procura com o meu olhar sedento de imagens luminosas como as que fazes explodir no meio da escuridão, sempre que a câmara se deixa seduzir por uma pose das que distinguem as eleitas a que o mundo presta vassalagem como às peças mais raras, únicas, aos tesouros mais valiosos que todos cobiçam mas nunca pertencem seja a quem for.

Vejo-te também desenhada com traço fino na policromia das emoções, tons suaves na moldura que realça ainda mais a força de cores tão vivas, quase berrantes, como aquela que te destaca os olhos no meio da tela acarinhada como se da tua pele se tratasse pela sensibilidade artística de um pintor genial.
Chego-me à fila da frente daquele grupo de gente que te contempla, atenção concentrada na deusa retratada num momento de génio de um reles mortal em plano secundário, despojado da pertença de um quadro que o mundo inteiro reclamou.

Vejo-te ainda admirada numa prosa bem esgalhada a partir do impacto da tua existência na retina e na alma de um autor qualquer.
Leio as palavras esculpidas no papel, a sensação que a tua pele inspirou na obra como ele a imaginou quando decidiu aceitar o desafio de te eternizar com a sua forma de expressão e atraiu a multidão que atafulharia o interior de cada livraria onde a tua foto de capa brilhasse como um halo de luz.

A preto e branco, magnífica, nas páginas monocromáticas com palavras em cinza suave que emolduram os teus olhos que se destacam coloridos na percepção de quem lê a emoção que protagonizas no ecrã da minha vida onde os teus filmes passam em sessões contínuas em todos os canais.

Recosto-me na cama e ofereço-me conquistado, rendo-me apaixonado, entrego-te o comando à distância da minha vontade que dedico por inteiro à satisfação de cada uma das tuas fantasias ou dos caprichos que entendas justificados, coloco-me ao inteiro dispor.

Preto no branco, em discurso livre e directo, o melhor do meu tempo és tu.
E eu ofereço-me todo nu, com os poros incendiados por um desejo libertador e os sentimentos escravizados pela tirania deste amor.
publicado por shark às 12:56 | linque da posta | sou todo ouvidos