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Uma das estratégias mais simples para conquistar o poder numa pequena sede local de um partido político (ou qualquer outra organização) é fazer-se rodear de um núcleo duro, um grupo influente pelo número e a partir do qual se promovem líderes em regime de sucessão, posteriormente catapultados para voos mais elevados e deixando em aberto a vaga para um sucessor seleccionado a partir do tal grupo original. O único mérito de alguns desses escolhidos é o tom da sua voz, mais proeminente no meio de uma discussão, ou a sua habilidade para gerir interesses que, invariavelmente, se conjugam na perfeição com os seus.

Também pesa imenso a flexibilidade revelada para aceitar como naturais as mais escabrosas piruetas que (e no contexto das alianças criadas e dos compromissos, das cumplicidades e dos compadrios inerentes tornam-se inevitáveis), garantem a perpetuação da sua "corrente" numa posição de força, cada vez mais influente nos mais importantes centros de decisão.
O segredo está na promoção das figuras de proa, as que depois de guindadas ao lugar pretendido tratam de retribuir o obséquio e assim chancelam o ciclo natural que pouco ou nada tem a ver com ideologias ou ideias sequer.

Claro que estes esquemas simples acabam sempre por se complicar, sobretudo quando a dimensão do grupo inicial se expande ao ponto de surgirem várias vozes sonantes para um mesmo lugar disponível ou a esfera de influência abarca poderes com interesses associados demasiado elevados para não suscitarem a cobiça dos que falam mais alto na base da pirâmide e que, entretanto, se congregam num núcleo duro entretanto instalado no seio de uma pequena sede local e a partir do qual...
publicado por shark às 01:05 | linque da posta