A POSTA DE BONS DIAS

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Já é tarde comó caraças, mas não resisto a esticar o Domingo até onde o bom senso me permite. Admito que não sou um adepto ferrenho de segundas-feiras. E nisso não sou original, sem dúvida.
Mas uma pessoa precisa de desabafar estas coisas e afinal de que nos serve um blogue se a malta não aproveita para destilar as suas ansiedades e incertezas?
Eu fico ansioso com a iminência de um novo ciclo de cinco dias a vergar a mola. Chamam-lhes os dias úteis e nunca percebi porquê. Na minha perspectiva, úteis são aqueles dias que chegam ao fim com a gente a ter a certeza de que foram bem passados. E os dias bem passados, como os bifes, são aqueles que não se cozinham em lume brando mas sim os que passam na brasa, plenos de cenas fixes. Daquelas que dificilmente acontecem nos dias a que chamam úteis, mas ao longo dos quais nos vemos forçados a levar com uma data de filmes que nunca passariam nas nossas salas de cinema de fim-de-semana.

Sei que este papo não é animador e em nada contribui para estimular seja quem for a enfrentar a utilidade intrínseca de uma segunda-feira. Porém, há coisas que uma pessoa não consegue guardar dentro de si próprio. E tendo um blogue, claro está, um gajo sente-se no direito de maçar os outros com estas merdas, mesmo sabendo enquanto as escreve que mais valia enfiá-las no sítio mais recôndito e afastado do alcance de outras vistas que lhe fosse possível.
Mas não há nada a fazer. As palavras brotam na folha em branco e eu sou incapaz de censurar-me, tanto como sou incapaz de exercer a censura relativamente ao que os outros escrevem. Mesmo que me desagradem algumas coisas que acabo por ler. É a porra da liberdade de expressão, esse conceito valioso que funciona como uma faca de dois gumes quando temos que optar entre a franqueza inconveniente e o silêncio hipócrita.

Claro que tenho plena consciência da necessidade de existirem segundas-feiras. Até compreendo a premência dos restantes quatro dias ditos úteis. E acabo por amochar em cada um desses dias, mesmo sentindo que a minha existência seria bem mais simpática se lhes pudesse conferir uma utilidade mais própria de um feriado ou coisa assim. Dias úteis...
A economia é uma cena muito importante. E arbeit macht frei, perdoem-me esta alusão sinistra.
Ainda assim, raios me partam, não consigo deixar o fim-de-semana ir-se embora sem uma estranha sensação de perda. E de vos transmitir o meu desconforto perante essa desconcertante impressão.
A tipos como eu não deveria ser permitido o acesso a estas insidiosas ferramentas de propagação da preguiça.
Como é que vamos construir um dia um mundo melhor enquanto houver fulanos capazes de questionarem as coisas realmente importantes da vida?
publicado por shark às 02:30 | linque da posta | sou todo ouvidos