MAIS ALÉM

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No limite. E mais além. Para lá de qualquer fronteira real ou imaginária.
É assim que gosto de enfrentar a vida, ultrapassando barreiras e convenções. Gosto de lutar pelo que de mais valioso encontro ao longo do caminho, de demolir os obstáculos, de superar o máximo que exigem de mim. E de arrastar comigo na passada quem acredita como eu na viabilidade de uma existência inteira mergulhada na intensidade da paixão. Sem medos nem vergonhas. Com fé.

Recuso-me a abdicar da loucura, da irreverência, da coragem de enfrentar os desafios olhos nos olhos. Recuso-me a negar o milagre da vida, a virar a cara para o lado oposto daquele para onde me empurra o coração. Recuso a acomodação.
Acredito na felicidade porque a conheço, porque ela entra nos meus dias, em todos os dias, com a magia de uma aparição sagrada enviada pelo destino para desfazer as dúvidas que, na verdade, nunca fizeram parte da minha equação. Variáveis que decifro na vertigem de um beijo, na voragem de um desejo, no arrepio de uma pele tocada pelos meus dedos ou de uma mente emocionada pelas palavras que lhe dou.
Não existe nas minhas contas um espaço para as interrogações.

Acredito que me compete partilhar esse dom, como um missionário escolhido ao acaso pela força transcendente que não sinto necessidade de explicar, com quem me olha com atenção e lê nos meus olhos a determinação, a verdade, o cariz inabalável das minhas convicções. Com quem me agarra pelos colarinhos e salta comigo num abraço para a locomotiva em movimento numa linha que desconhece os apeadeiros ou as estações.
Pouca terra, pouca terra. Até descobrir no horizonte o reflexo prateado do mar banhado pela luz quente do sol. E mais além. Mergulho sem hesitações.

No limite, encontro-me contigo. Olhamos as estrelas e partimos para o céu, livres de empecilhos ou de grilhões, embarcados na aventura mais fantástica, movidos pela energia poderosa que só o amor consegue produzir. Imparáveis, sem margens capazes de limitarem a maior escalada da mais forte entre as marés. Pouca terra, terra à vista. Distante de nós, incapaz de se atravessar no caminho que traçámos, tripulantes guerreiros numa viagem sem destino nem fim, exploradores de uma vida melhor, acima de tudo o que lá embaixo nos queiram desacreditar. Acenamos um adeus, formatamos a memória e combatemos pelo futuro contra quem ousar questioná-lo ou apenas sonhar com a sua limitação.

Do limite contemplamos o que deixámos para trás. E avançamos.
E agora preparamos a nova etapa, o que virá depois.
Mais além. Sempre a dois.
publicado por shark às 12:12 | linque da posta | sou todo ouvidos