PESCADINHA DE RABO NA BOCA

Quando as testemunhas chegaram estavam os dois à estalada. Um aviava um estalo no outro. O outro retorquia com estalo no um. Estiveram nisso um bocado, perante o olhar atónito de algumas testemunhas e o ar de gozo de outras. Ninguém sabia exactamente o que se passara, mas todos presumiam ser coisa séria pela violência crescente que as agressões assumiam.
Às tantas um deles resolveu perguntar ao outro:
- Por que motivo estás a esbofetear-me?
O outro, mão alçada, hesitou.
- Porque tu esbofeteaste-me primeiro.
- Mas não foi a ti que eu esbofeteei...
- Se não foi, pareceu...
- Ora porra, estás a bater-me sem saberes bem porquê?
- Atão e tu, olhá gaita!
- Ao menos eu bati-te porque levei uma estalada que nem me era dirigida.
- E eu bati-te porque estava convicto de que me tinhas dado a estalada anterior.
- Ora essa, nunca me fizeste mal nenhum. Havia de te bater porquê?
- Porque às vezes apetece-te e eu era o gajo que tinha a cara mais à mão.
- Mas então... a estalada que me deste era para quem afinal?
- Nem era para ser uma estalada, estava apenas a sacudir umas moscas que não me largam da mão, mas às tantas a coisa descambou. Não me perguntes como nem porquê.
- Eu também já não me lembro muito bem, ou pelo menos não tenho a certeza. Mas já que aqui estamos...
publicado por shark às 19:07 | linque da posta | sou todo ouvidos