A POSTA QUANTAS DEI

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Eu dava cinco sem tirar. Nem pôr. Agora empederniu-se-me a língua...

Já falei com diversas pessoas acerca do assunto e não consegui encontrar uma posição consensual. Mas hoje não vou falar de posições, por muito que reconheça ser um tema inevitável para uma próxima posta. Hoje vou ver se aprendo como se fazem as contas na importante questão do "quantas dei seguidas" e da não menos importante matéria do "quantas ainda consigo dar, mesmo intercaladas".
Todos conhecemos as lendas urbanas dos campeões que exibem nas ruas, sem humildade nem pudor, a ladainha do "dava-te três seguidas". Ou mais, consoante os cálculos de cada atleta...
As tabuadas variam, ao que entendi. E para verem que a questão não é assim tão simples coloco-vos perante exemplos práticos. Vejamos: o que se conta como uma bem dada? Será uma em que ele atingiu o objectivo que perseguia ou uma em que ela exibiu com fulgor a evidência da sua satisfação?
Nesta fase a coisa é fácil: uma bem dada é quando ambos cortam a meta, sendo desportivamente muito bonito quando os atletas a cortam em simultâneo. Do tipo ganhámos os dois.

O problema, raro, coloca-se quando passamos à contagem de duas. Dei duas seguidas significa o quê?
Para alguns quer dizer apenas "vim-me duas vezes". Para outros, de uma escola diferente, quer dizer "veio-se duas vezes". E ainda existem os que só contam duas quando são bem dadas (ver exemplo acima), repartindo-se os louros e as medalhas de forma equalitária. Não interessa quem ganha, o que conta é participar.
Nestas três versões existem outras tantas interpretações possíveis. A primeira enquadra-se na escola clássica do neo-fanfarronismo. O macho típico desta corrente de pensamento assume, invariavelmente, um estatuto de semi-deus aos seus próprios olhos. Mas existe um outro par de olhos no lado oposto da barricada. E nem sempre confirmam a contagem...
Já a segunda, embora altruísta, também pode incorrer num certo exagero. Sobretudo porque podem ter sido duas em trinta e cinco segundos e assim é batota, pois não demonstra a virilidade do gajo que afirma bisar.
A terceira opção, politicamente mais correcta, parece ser a mais consentânea com o rigor que procuro. Mas se as coisas nunca acontecerem em simultâneo temos duas vezes cada, o que pode ser confundido com quatro. Mas não são, julgo eu.

Isto dos números é muito confuso para mim. E não só. Não faltam também as descrições romanescas de noites inteiras "naquilo", jovens casais que se enfiam durante 72 horas seguidas num quarto de hotel. É muito tempo, dá para uma data delas seguidas. Porém, o instinto diz-me que serão alternadas pois mesmo o membro mais erecto não tem revestimento em titânio e a fricção pode implicar a irritação cutânea (uma gaita para a malta da alta competição). Donde se conclui que seguidas, seguidas, talvez não sejam tantas à luz dos mais elementares critérios contabilísticos. E que não existe um padrão universal para as contar, pelo que qualquer afirmação desse teor pode ser considerada pura propaganda.

Sinto-me menos homem por não poder competir em igualdade de circunstâncias com os melhores faladores, munidos de autênticas calculadoras de bolso embutidas na língua. Não faço ideia se já dei três, quatro ou mesmo mais, seguidas. Não posso entrar em comparações. Perco-me sempre nas contas. E depois há a tal disparidade nos critérios de medição que me baralha. Não me safo na análise quantitativa.
Vou pedir transferência para o controlo de qualidade. E aí, já posso fazer uma posta à medida da minha verdadeira vocação. A metro já vi que não resulta.

E vocês, sabem fazer as contas? Ou isto não passa tudo de uma mera estimativa?
publicado por shark às 01:15 | linque da posta | sou todo ouvidos