SENTIDO OBRIGATÓRIO

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Tão simples. Deixarmo-nos embalar pelas ondas num imenso azul e chamar-lhe vida preciosa que é urgente saborear.
E enfrentar tempestades, que sempre existirão, as tormentas que experimenta qualquer navegador, mesmo que fique em terra e ignore o amor.
A aventura da existência, a sorte e o azar, o poder navegar sobre os espaços que incluímos no mapa de viagem pessoal.
O privilégio de escolher como o fazer, o rumo nas nossas mãos, pelas cartas que indicam os portos de abrigo ou ao acaso pelo desconhecido que urge desvendar.

Mistérios que guardamos naquilo que somos e a mente é tudo aquilo que nos faz. Ou a alma, como preferem os adoradores de deuses que acreditam ser esta apenas uma etapa num percurso que só depois do final poderá ser absolutamente feliz.
A nossa fé num amanhã para avançar num rumo qualquer nesta viagem sem sentido algum quando a abraçamos sem vontade de a usufruir.
Sem sabermos sequer de que lado das nuvens olharemos o céu daqui a nada.

E a vida na nossa mão, as rédeas que o torpor idiota do efeito da ressaca de dias desperdiçados a correr nos leva a ignorar e quando nos apercebemos que precisamos agarrar o leme e virar é quase sempre tão tarde demais. As decisões que deixamos por tomar, optimistas, até ao dia em que alguém terá que as decidir por nós. Ou ficarão para sempre adiadas nas memórias enterradas em conjunto com um invólucro que afinal deveria ter servido sempre e só para sentirmos o prazer da existência.

A vida a doer, pela evidência que nos obriga a reconhecer aquilo que vivemos às cegas. Aquilo que tapamos com as talas laterais que roubam à vista a felicidade que às vezes só surge de relance no ângulo alargado de uma visão periférica. Passam-nos ao lado as oportunidades melhores, o encanto de amores ou mesmo a inigualável experiência de ver um filho a crescer. Depressa demais, quando nos deixamos atordoar pelos narcóticos de um sucesso feito de plástico, inventado de propósito para nos impedir de olhar a sério para aquilo que interessa afinal.
Drogados pelo ópio do povo que é a ilusão da riqueza, o desvio de uma certeza que todos os dias é iluminada por um novo nascer do sol.

A esperança que aniquilamos com o tempo que desperdiçamos a fugir das coisas que nos fazem sorrir, cegos pelo cumprimento de um desígnio que não passa de uma obrigação que alguém nos vendeu.
Uma história mal contada que precisamos com urgência alterar, cada um o seu desvio para a linha alternativa nos carris da locomotiva ou esculpida pelo destino nas palmas das mãos.

Uma guinada no leme, repentina, viramos naquela esquina para o lado oposto onde a ilha deserta ou outra terra incerta nos podem aguardar. O destino a mudar quando não serve os propósitos sagrados de qualquer ser dotado de vida e capaz de decidir por si só.

O exemplo de uma avó ou de qualquer pessoa infeliz que não teve aquilo que quis enquanto podia lutar pela sua obtenção.
A verdade na nossa mão, a cada instante mais clara.

Porque o tempo não pára.
Mas o mesmo não acontece com o nosso coração.
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publicado por shark às 10:06 | linque da posta | sou todo ouvidos