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Uma das coisas que a Liberdade nos permite é podermos pensá-la sem medos ou vergonhas.
Eu gosto de a pensar porque muitas vezes é a pensar que melhor se sentem as coisas.

E é bom senti-las porque viver é acima de tudo sentir.
Amanhã vou iniciar o dia como participante em mais um funeral, desta vez o de um homem que infelizmente não conseguiu aguentar mais um dia para comemorar a sua Revolução, um comuna que encontrou ontem a libertação que, em determinadas condições, a morte constitui.

Vou assim continuar a minha homenagem habitual às mulheres e aos homens que se bateram pela tal Liberdade que a Revolução nos ofereceu, à qual dei início com a sua voz (a do Zeca) cantada, homenageando amanhã com a minha presença um homem que se dá à terra no aniversário de um dos seus dias especiais.

Este, o meu, está marcado pela perda que amanhã se confirma.
Mas também pelo orgulho imenso de ver num desenho feito há pouco pela minha filha com sete anos de idade que a sua percepção do 25 de Abril é feita de flores, de sorrisos e de paz.

E é por esse sorriso que me encanta de quem pode falar sem mordaças que me baterei, até ao fim dos meus dias, para que nunca se perca no tempo o ideal que Abril representa e os abusos ou negligências que a fragilidade de um sistema democrático permite nunca conspurcarão.


livres a voar.jpg
Foto: Shark
publicado por shark às 00:42 | linque da posta | sou todo ouvidos