PONTOS DE VISTA

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Foto: Shark

Porque insistes em cruzar caminhos com o vaguear distraído do meu olhar perdido, sabendo de antemão que representas o céu e isso te torna quase impossível de alcançar?
Porque insistes em atiçar, tentação, a parte inquieta da minha atenção e depois aceleras o ritmo da passada que te afasta para longe de mim?

Uma fuga sem fim pela calçada da vida, numa observação descomprometida a este estranho ritual de sedução inconsequente. Nada acontece diferente depois dos olhares que trocamos quando nestas ruas nos cruzamos, por uma simples coincidência. E ambos temos consciência das rotas desencontradas, nas partidas como nas chegadas, deste sonho planado que acabará por aterrar.

Porque insistes em atrair o meu olhar, sabendo que o destino traçado é o do caminho separado que nos compete percorrer? É isso que me recordas com a mulher que transbordas na minha visão periférica, fenomenal, e eu resisto afinal a voltar a cabeça para prolongar a agonia que me impõe cada dia privado da ilusão que constituis. Tudo aquilo que possuis desperdiçado por não me teres ao teu lado nessa cama que nunca partilharemos, por muito que nos cruzemos em silêncio nas esquinas que a vida oferecer…

Sem tempo para perder com fantasias, no reino das utopias empatam as fadas essas bruxas malvadas que acenam o impossível. Falsas esperanças neste plano tangível em que me enfeitiças com o encantamento do teu olhar.

Num simples cruzar de caminhos, aleatório, que nada tem de premonitório senão a certeza que adquiro no momento em que suspiro o lamento previsível por não conseguir, de todo, conter esta vontade irreprimível de amanhã te rever mais uma vez.

A uma cautelosa distância, como recomenda a prudência contida nestas palavras que escrevo por saber que não as lês.
publicado por shark às 12:39 | linque da posta | sou todo ouvidos