A POSTA NO BEM

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Uma pessoa amiga (colega de trabalho) alertou-me para o facto de a felicidade de cada um de nós ser susceptível de atrair as más ondas dos outros. Algo que leu nem sei onde, mas que associou de imediato às minhas circunstâncias actuais. Isto a propósito da divulgação pública das nossas emoções. E eu agradeço a preocupação dessa pessoa. Mas não a subscrevo. E explico-vos porquê.
As pragas valem o que valem, como quaisquer bruxarias ou outras exibições de força do mal como este se manifesta nas pessoas pequenas. São crendices ao dispor de qualquer charlatão ou outro tipo de ser mesquinho.
Mas mesmo admitindo, para apimentar esta posta, que existem cromos capazes de transformarem uma galinha preta noutra coisa que não uma canja em condições, qualquer mal só penetra onde o bem se distraiu. Maniqueísta, bem sei.

As más ondas, como a inveja, o despeito ou o ciúme doentio, podem alimentar nas pessoas ofendidas ou rejeitadas (ou ofendidas pela rejeição) um enorme rancor. E esse diz-se alimentar a parafernália ao alcance da bruxa ou do bruxo comum e facilitar a propagação dos malefícios até à(s) pessoa(s) a atingir. Um bocado como a ADSL dos harry potters de trazer por casa.
Contudo, diz-se também que o mal não consegue vergar as forças do bem e isso deriva do poder da fé. Por exemplo, em Deus. Eu chamo-lhe Amor e não apenas por ser romântico ou agnóstico, mas porque aprendi ao longo da vida que essa é a maior de todas as forças e não oferece contestação. Alimenta até o ódio que algumas pessoas conseguem sentir, se defraudadas de alguma forma nas suas expectativas em relação a algo ou alguém.

Neste pressuposto, qualquer pessoa ou relação munidas de fé em Deus (ou no Amor) são imunes mesmo às mais complexas artimanhas do voodoo (e a outras). E o mesmo acontece no que toca aos cépticos perante esses alegados poderes malévolos e poderosos ao alcance do cidadão comum ou de um Mestre ou Professor qualquer coisa com anúncio no Correio da Manhã. Lérias, tão válidas como as profecias dos visionários religiosos, o pessimismo dos velhos do restelo ou as pragas da vizinha de cima.

A pessoa amiga e bem intencionada que me alertou, e não sou pobre e mal agradecido, merece a minha gratidão pelo facto de se preocupar com um assunto que nem lhe diz respeito de forma alguma. Aprecio pessoas assim, embora lhes reconheça alguma propensão para a paranóia. Coisas que se desculpam na boa a quem nos quer bem.
Até por isso, doravante darei mais atenção ao que essa pessoa tem para dizer.
Porque não acredito em bruxas nem em varinhas de condão. Porém, eu que gosto de partilhar a minha felicidade com as outras pessoas, também gosto de me sentir preparado para o que der e vier. Mesmo que venha, sabe-se lá, uma figurita a correr sem rumo certo, julgando que voa, patética, montada afinal numa simples e vulgar vassoura.
publicado por shark às 13:18 | linque da posta | sou todo ouvidos