A POSTA QUE FICO A DEVER UM FAVOR

Como qualquer pessoa, reajo a estímulos em conformidade com os traços mais vincados do meu carácter. Neste efeito acção/reacção topam-se as diferenças (como as semelhanças) entre cada um de nós criaturinhas tão parecidas mas tão felizmente únicas que dá um gozo do caneco estudar esses factores de distinção.
Este é um dos aspectos que me leva a gostar de pessoas. Essa observação da diferença ou a constatação da semelhança e as respectivas repercussões das características individuais naquilo que é a nossa vida.
É na interacção que melhor evidenciamos o material de que somos feitos em matéria de personalidade. Isto porque ao comportamento que deriva das opções que fazemos soma-se o que resulta dos factores externos que os outros constituem, o mais imprevisível e por isso mais susceptível de fornecer episódios dignos de registar na memória ou de somar aos fascinantes “apontamentos” que a observação participante do quotidiano nos faculta.

Já forneci ao longo do tempo de construção deste blogue elementos mais do que suficientes para qualquer aprendiz de psicólogo fazer o rascunho do cromo que sou. Assumi o espaço na óptica umbiguista, sem um tema concreto, e por consequência falo de mim mais do que queria e certamente mais do que deveria. E de outros também.
É que a blogosfera também se constitui como um palco da vida. As coisas acontecem, palavras que exprimem emoções por vezes tão intensas que acabam por extravasar para o âmbito analógico.
São pessoas, as tais com cada uma as suas manias, que transformam páginas virtuais em branco num mundo à parte, com regras específicas e tiques em consonância mas ainda assim bem próximo daquilo que acontece “lá fora” em mais aspectos do que gostaríamos.

Tal como lá fora, reajo neste meio aos estímulos que derivam do contacto com aquilo que os outros me dão a experimentar ou a conhecer. Sou eu, tal e qual.
Desatino, sorrio, ameaço, brinco, reflicto e sinto ou despoleto emoções. That simple.

E isto tudo a propósito de algo que hoje constatei e que entra de cabeça no âmbito daquilo que acima defini como um estímulo daqueles a que raramente consigo alhear-me. Um desafio. Indirecto, involuntário, mas mais do que suficiente para despertar em mim a vontade irreprimível de reagir em conformidade e puxar pelos brios da salutar competição que aqui, como lá fora, é uma fonte da ambição que alguém disse ser o motor de todas as realizações humanas.

Ambiciono estar à altura quando chegar a hora de mover as peças no tabuleiro e provar o acerto da minha opção por oposição à de quem, em boa hora, me ofereceu de bandeja o pretexto ideal para combater a letargia e utilizar, de uma forma condigna e empenhada, tudo o que aprendi acerca desta comunidade feita de pessoas à qual dediquei muito da minha atenção e a que pertenço por direito próprio e sem favores seja de quem for.

E tenho a certeza absoluta que do outro lado entenderão o recado que, prometo, me esforçarei para fazer justiça ao estímulo que começo, sem hipocrisia, por agradecer.
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publicado por shark às 09:05 | linque da posta