ENCHIDOS MONIZ

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A NOTÍCIA:
Um indivíduo de Vila do Conde entrou com o carro pela montra de um estabelecimento comercial. Acusava uma taxa de alcoolemia no sangue superior a nove na análise efectuada.
O lesado, proprietário do estabelecimento, sorria para a câmara enquanto descrevia o notório estado de embriaguez do fulano que lhe abalroou a fachada.
O agente de seguros que tratou da participação de sinistro sorria e confessava nunca ter lidado com um processo que referisse uma taxa tão elevada.
O Henrique Garcia também sorria porque a notícia parecia ter muita piada.
O único a demonstrar algum pudor foi o condutor ébrio. Mesmo que tenha sorrido, recusou dar a cara ao repórter e desperdiçou de forma inglória os seus quinze segundos de fama.

A NÃO-NOTÍCIA (OU O CONTRADITÓRIO REPESCADO):

A não-notícia entrou de imediato. Um laboratório afiançava que é fácil corromper a análise efectuada, basta uma negligência menor por parte de quem a manuseia. O laboratório, na prática, levantou uma ponta de descrédito sobre a validade das análises utilizadas em circunstâncias como as referidas na notícia.
Depois veio um médico. Afirmou sem hesitar que seria impossível algum ser humano sobreviver a tamanha quantidade de álcool no sangue. Impossível do ponto de vista científico. Logo, a hipótese era falsa mesmo que constasse de uma análise rigorosa (que, por acaso, pode ser facilmente corrompida).
A análise que deu origem à notícia foi imediatamente desmascarada pela não-notícia, ou seja, aquele facto noticiado assentava num falso pressuposto como se provou pelos factos apresentados na notícia que se seguiu.

Isto comprova a postura exemplar da TVI no que concerne às liberdades de expressão e de opinião dos seus jornalistas, a quem tenham restado dúvidas na sequência da novela Marcelos sem Açúcar.
publicado por shark às 15:20 | linque da posta | sou todo ouvidos