A POSTA NO ÍNDICE DO WEBLOG

Gosto de rubricas. Não só porque evitam um gajo ter que assinar o nome todo no canto superior direito de cada uma das folhas de uma escritura, mas porque dão um ar muito profissional a qualquer blogue.
E ocorreu-me assim de repente uma novinha em folha. Explico como, para vocês compreenderem a mecânica complexa dos raciocínios de quem se vê obrigado a inventar cenas porreiras para entreter a malta que bloga.
Estava eu a olhar para o índice do Weblog, a sua principal razão de existência depois de tanto tempo a patinar nos Internal Server Errors, o pólo aglutinador (gosto muito desta expressão) de uma comunidade que o é de facto (mesmo que a gente não se conheça uns aos outros de lado algum) e que nos permite aquilatar da produtividade global dos tenazes que não desertam. Bom, pelo menos da produtividade dos que conseguem encontrar a janela de oportunidade de publicação aberta.

Ao contemplar todos aqueles títulos das postas que fazemos (à hora a que escrevo estas linhas estão lá dois títulos de minha lavra), surpreendido por tantos de nós encontrarem ânimo e inspiração para postar num Domingo véspera de dia útil maldito (os que se seguem a um fim-de-semana prolongado), percebi que alguns títulos prestam-se a trocadilhos fixes e acabam por constituir um indicador de quais os temas que absorvem a criatividade de quem bloga no Weblog.

E zás! Vou criar uma rubrica (isto era eu a pensar, todo eufórico por conseguir extrair uma conclusão no final de uma ponderação praí de uns quinze segundos)!

É esta. E como me estiquei na introdução (aprecio-as prolongadas, como os melhores fins-de-semana), passo a citar e comentar os primeiros da série, recordando que não pretende esta rubrica substituir de alguma forma o imobilizado Posto de Escuta ou mesmo de forma parcial o impagável Apdeites.
São só títulos, comentários curtos e o linque dos blogues em causa (naturalmente apenas os alojados nesta plataforma tão única que nunca se sabe quando terei títulos ao dispor para destacar).
Espero que gostem e que seja mais um instrumento de análise à mecânica complexa dos raciocínios de quem se vê obrigado a inventar cenas porreiras para entreter a malta que bloga (eu sei que já disse isto, mas não puxem demais por mim que já esforcei demais a carola para um dia em que até Ele descansou).


Política e Obituário

Pinochet e o milagre com pés de barro – Só podia ser um título do Aspirina B. Esquerdalha gozona, claro. O homem morre (tão novo ainda, coitado) e eles associam-lhe ao nome, como quem não quer a coisa, a palavra “milagre”. Uns ateus do camandro, vê-se logo que é mesmo para debochar com a trágica perda que a direita mundial sofreu.
Esperem pelo troco quando se apagar o Fidel…
E mais: o milagre tem pés de barro. É um milagre fraquinho, incapaz de se aguentar no estatuto que a divindade inerente ao conceito lhe confere. Porquê? Vê-se logo que é porque o homem demorou a bater a bota, é um milagrezinho da treta (para ser um milagre com pés de betão, teria que ter falecido pelo menos uns setenta anos antes).
Só quem não acompanha o Aspirina não topa estas manhas nas entrelinhas dos seus títulos.


Culinária e Flatulência

Feijoada à Brasileira Completa – Ter-me-ia passado despercebido este título do Culinária Daqui e Dali, não fora a palavra “completa”.
Qualquer português sabe que uma feijoada só fica completa quando lhe associamos o efeito póstumo, a reacção orgânica que obriga as escritoras portuguesas da moda a acenderem cigarros nas ocasiões mais impróprias.
Por outro lado, e um título é um mundo de possibilidades, se associarmos o “completa” não à feijoada mas à brasileira temos todo um samba visual sobre a mesa.
A malta (nós gajos) pensa em “brasileira completa” e vem-nos logo à ideia um manjar de iguarias…
Daí a distinção que confiro a este título. Completíssimo.


Cinema e Jogo “a doer”

Puseram o pano verde e agora não vão a jogo – Confesso que não li ainda este post do Ideias Soltas, mas o título já é quase um post.
O que nos ocorre assim de repente? Casino Royale, o mais recente Bond. Um tema muito actual, portanto, como é mais ou menos regra na blogosfera. Porém, a referência ao “pano verde” pode suscitar uma alusão subreptícia ao recente desaire leonino nas competições europeias de futebol. Pela cor do pano, logo seguida da alusão ao facto de agora não irem a jogo (uma clara paródia à ausência de uma bolinha a dizer Sporting Lissabon no próximo sorteio da Liga dos Campeões. E da Taça Uefa. E de qualquer competição futebolística de dimensão europeia na época que ainda mal começou).
Cruel. E ainda por cima, não há coincidências, ouvi dizer que o autor do blogue tem simpatias portistas…

E por hoje não me alongo mais para não esgotar a pilha e para ver como é que a malta reage à coisa. Se acharem piada, insisto. Senão, arrepio caminho que nisto da guerra blogueira de audiências um gajo não pode apostar nos cavalos errados.
Sobretudo agora que já puseram o pano verde e tudo…
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publicado por shark às 23:52 | linque da posta | sou todo ouvidos