A POSTA QUE NINGUÉM LEVA A MAL

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O espião do planeta mais árido do universo assumiu a sua camuflagem semi-humana no momento em que pisou o solo daquele espaço por conquistar.
Os navegadores da frota haviam seleccionado um local cujas características mais se aproximavam das de qualquer dos planetas do Império. Porém, ainda assim sentia a degradação no revestimento isolante que o protegia da ameaça imprevista que haviam detectado na maior parte da superfície e na atmosfera daquele antro de criaturas repulsivas.

Os cientistas da nave-mãe, estupefactos, tentavam entender como era possível existir alguma forma de vida num planeta assim, tão hostil em todos os parâmetros analisados.
A postos, a força invasora aguardava apenas a confirmação da vulnerabilidade das futuras cobaias. De resto, parecia evidente o cariz primitivo da sua evolução e pouca resistência se adivinhava perante as poderosas armas que tantas civilizações haviam vergado.

Ainda assim, o espião não se sentia seguro. Era evidente que a pouca protecção que lhe providenciava o sistema de camuflagem cedia ao meio ambiente e começava a temer o pior.

Avançou pelo areal do deserto até junto do que lhe pareceu uma habitação dos indígenas e reparou numa criatura de pequeno porte, em vestes brancas, que o observava com atenção.
Aproximou-se com cautela e tentou entabular comunicação gestual com o terráqueo, indispensável para obter a informação necessária acerca das aberrações locais.
Sabia de antemão que o Império não arriscaria um ataque sem certezas, após as pesadas baixas sofridas numa batalha anterior.

Foi transmitindo o que via, nomeadamente um painel cujos caracteres enviou para o Comando Supremo, C-A-R-N-I-V-A-L, e um temível receptáculo cheio de algo que a criatura pequena parecia ter manuseado pouco antes de dar conta da presença do batedor.
Chegou-se ao contentor e tentou tocar no composto transparente desconhecido, imitando o nativo.
Horrorizado, sentiu uma dor terrível nas extremidades que haviam contactado com o composto e viu como este corroía o seu sistema de protecção e lhe derretia partes do corpo. Instintivamente, deu um passo atrás e tombou de costas no chão.

O terror apoderou-se do visitante quando o pequeno turista, que os pais haviam disfarçado de beduíno no quarto do hotel antes de seguirem para a piscina maior, lhe apontou a bisnaga à cabeça e premiu o gatilho.
publicado por shark às 21:41 | linque da posta | sou todo ouvidos