O HOMEM QUE EU GOSTAVA DE SER

Nunca na minha vida fui tantas vezes questionado e confrontado com as minhas limitações como desde que aderi a este fenómeno da blogosfera.
Nunca tive que pedir desculpa tantas vezes, nunca fui alvo de tantas acusações e nunca tive indicadores tão óbvios de que a bota das minhas convicções não joga com a perdigota das opiniões dos outros a meu respeito.

A ninguém é fácil assumir-se como parvalhão, sobretudo a partir de esquemas introspectivos e carregados da subjectividade inerente à maioria das pessoas. Só os de fora conseguem descobrir em nós alguns defeitos que nem nos passava pela cabeça constarem da pessoa que nos julgamos. E após uma sequência infindável de episódios que nos confrontam com uma realidade que desejaríamos negar torna-se difícil não levar a sério os sinais de alerta.

Já por diversas vezes referi que ambiciono ser uma pessoa de bem e é essa a imagem que tenho conseguido manter na minha vida ‘analógica’. Contudo, na blogosfera as coisas não correm da mesma forma e vejo-me demasiadas vezes na contingência de apresentar justificações para actos de que não me julgava capaz. Pior ainda, vejo virarem-me as costas pessoas que prezo e perante as quais nunca imaginei ser possível dar tão má conta de mim e da minha personalidade ao ponto de tornar irremediável o dano causado nas relações com essas pessoas. Confesso que me desorienta esta constatação e que me deixa na dúvida acerca da minha verdadeira natureza, pois se é certo que anseio ser um tipo de confiança e susceptível de merecer a estima dos outros, não é menos verdade que nem sempre o meu comportamento reflecte a boa índole das minhas intenções.

Nesta fase em que estou de novo a ser questionado por um conjunto de pessoas, torna-se particularmente difícil escrever estas palavras pois sou vulnerável às críticas que me fazem e não consigo esconder a minha incapacidade para reagir à pressão subsequente. Estou sem saber qual é a atitude mais correcta a tomar, pois sinto-me a perder a fé em mim próprio e não posso ignorar os sinais que me chegam dos que me avaliam com base no que faço e no que digo e isso reflecte, afinal, a essência do que sou. E não estou a ser quem desejaria, nessa avaliação que fazem de mim. Estou a ser um personagem odioso, muito distante do homem que sempre me acreditei, e com isso estou a afastar algumas pessoas e não consigo conviver com essa nova dimensão que até hoje desconhecia.

Não gosto e não quero vestir a pele de mau da fita. Repugna-me essa hipótese porque colide com tudo aquilo em que sempre acreditei. Também não quero ser o bombo da festa, mas tudo me indica que estou na origem dessa fraca figura e isso provoca-me uma sensação extremamente desagradável. Esta posta, que me coloca à mercê dos que me questionam, é absolutamente necessária para que entendam que não estou alheio ao que se passa em meu redor e que estou a tentar perceber o que se passa de errado comigo para se multiplicarem as críticas e as acusações. Não quero ser uma besta de quem os outros desejem afastar-se e arrependo-me de todas as circunstâncias que me empurram para esse triste papel.
Na origem das recentes reacções hostis de que fui alvo está (mais) um comentário deselegante da minha parte e essa realidade não posso escamotear. Eu podia e devia manifestar a minha opinião com termos que não implicassem uma falta de respeito a quem não a justificou perante mim. Ao ignorar essa regra elementar da boa educação, expus-me ao que se seguiu. Reagir como uma virgem ofendida foi apenas mais uma etapa infeliz, mais um tropeção na minha alegada e assim desmentida postura de bom rapaz.
Se voltar a repetir este tipo de comportamento terá chegado a hora de reconhecer que não tenho lugar na blogosfera, por não saber moderar os meus entusiasmos infantis e os excessos que ficam mal a qualquer pessoa. É este o compromisso que assumo e sei que não faltará quem mo recorde quando e se eu voltar a exibir esta propensão para a asneira. E se não faço de imediato é porque ainda acredito na minha capacidade de discernir o que é certo e o que é errado (ou não escreveria esta posta) e porque preciso de o provar a mim mesmo e a quem me conhece por esta via.
Desta vez não irei pedir desculpas a quem ofendi, pois não creio que isso faça qualquer diferença. A diferença terei que a fazer todos os dias até ao dia em que não restarem dúvidas de que aprendi de uma vez por todas a lição que estes embaraços me proporcionam. As desculpas não são como esfregonas para limpar as consequências da merda que se faz. As acções é que definem, em qualquer circunstância, quem as pratica. Terei isso na devida consideração e tudo farei, na prática, para recuperar a credibilidade que as minhas patetices atraiçoam. Convosco por minhas testemunhas e, em última análise, como juizes da minha conduta.
publicado por shark às 18:57 | linque da posta | sou todo ouvidos