A POSTA AGRADECIDA

Podem ser valiosos os conselhos de uma amiga, mesmo quando demoramos a interpretar a mais-valia que eles representam. E mesmo quando a nossa atitude perante quem nos aconselha possa parecer indiferente ou mesmo hostil, nem sempre isso corresponde ao que nos fica na alma como rasto do que nos é transmitido.
Como já diversas pessoas fizeram questão de salientar, tu incluída, não primo pela capacidade de resposta rápida. Sou lento de raciocínio e, necessariamente, na compreensão das mensagens que me dirigem.

Contudo, água mole em pedra dura, vou apanhando aqui e além os elementos necessários para atingir a custo os objectivos para onde me encaminham com a sua sabedoria as poucas pessoas que me concedem o benefício da dúvida, algo que a maioria não se predispõe a confiar perante a minha forma de reagir a determinadas situações.
Nem sempre sabem o que está por detrás de alguma bizarria no meu discurso ou dos comportamentos aparentemente anómalos que protagonizo nos momentos menos bons, mas estão-se nas tintas e cuidam de si como é normal, sem espaço nem tempo para as ondas e os desequilíbrios de terceiros.
Absorvem com sofreguidão o lado rosa e cospem sem hesitação os caroços das pancas alheias.

Sou daquelas pessoas de quem só é possível gostar com base na intuição. Sou difícil de aturar, impossível de entender, tão extremado no que revelo de pior como extremoso nos atributos que, como qualquer pessoa, também possuo para me defender.
Sou daquelas pessoas de quem só é possível gostar com base no balanço, no saldo final de tudo aquilo que faço e de tudo aquilo que sou.
Uma amiga que insista, apesar da minha aparente distância, em me aconselhar, em tentar conduzir-me para soluções que me poupem e poupem os outros de uma série de constrangimentos que atraio é uma pessoa que me vejo forçado a admirar.

Sobretudo quando os conselhos, passados e presentes, constituem uma saída para os becos em que me encurralo ou deixo encurralar.

Vou seguir alguns dos teus conselhos à letra, amiga, e linco-te, e identifico-te, apesar de ninguém ter nada a ver com o que se passa (e tu sabes que é para ti este recado) não fornecerei qualquer indicação (tu acabarás por descobrir, com o olho de lince que te caracteriza) da solução que adoptei em conformidade com as tuas sábias palavras que cuidei de registar e não caíram em saco roto…

A limitação que atrás referi e da qual também tu já sofreste consequências directas ou indirectas não me impede de lá chegar.

O processo de mudança acaba de começar.

Observa…
publicado por shark às 14:59 | linque da posta | sou todo ouvidos