OS BRAVOS DO PLUTÃO

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Nem sei bem o nível de autoridade que possuem para despromoverem assim um corpo celeste. Porém, agradou-me o relativo arrojo do grupo de cientistas que acaba de determinar que o longínquo Plutão não se encaixa naquilo que se define como um planeta.
Conhecendo a tradicional renitência da comunidade científica em desdizer-se desdizendo os seus pares, entendo a dificuldade desta opção. Logo numa altura em que a Imprensa ia somando parangonas acerca da descoberta de “mais um planeta no sistema solar” (acho que já ia em doze), implicando a projecção mundial dos respectivos “descobridores” e a sua “imortalização”, vem esta rapaziada dar cabo dos Atlas e das cartas astrológicas com a sua posição sobre a matéria.

De repente, Plutão não passa de um anão. E os outros minorcas que os telescópios descortinaram no meio de um espaço forrado de luzinhas (gosto desta expressão, tão fofa) adquirem agora o estatuto de calhaus de segunda enquanto Neptuno passa a planeta-vassoura das (agora) oito vedetas do nosso sistema solar.
É uma autêntica revolução e adivinha-se o sururu no seio de uma comunidade de carolas cuja inteligência cristaliza muitas vezes na teoria do facto consumado que não os obriga a refazerem os cálculos e os pressupostos.

É destes bravos gestos que se faz o progresso da Ciência em particular e da Humanidade por tabela. Os putos podem abandonar a mnemónica do cão do Mickey para fixarem o nome do nono calhau a contar do Sol e os astrónomos que andavam a acumular planetas mais pequenos do que algumas luas vão tirar o cavalinho da chuva. De ora em diante não lhes bastará toparem uma pedrita em órbita da nossa estrela bronzeadora para se armarem ao pingarelho. É pegar na fita métrica e ver se o pedaço de rocha não passa afinal de um reles meteoro com motor de 50cc.

Nem mais, rapaziada. É acabar com esta balda planetária, “olha ali um!, olha ali outro!”. Ponham os olhos em Júpiter, esse colosso capaz de levar meia dúzia de pedradas de um cometa que reconduziriam esta nossa merdita azul ao saudoso tempo das criaturas unicelulares na boa e é como se nada fosse, mais cratera menos cratera.
Bem vistas as coisas, e por comparação, Mercúrio, essa caganita fervente, só se safa por ser um vizinho próximo da malta senão era logo: cresce e aparece ó berlinde da treta que isto de ser planeta não é para qualquer bolinha.

É assim e tem mesmo que ser. Há que pensar estas coisas e redefinir os critérios para não ser tudo à brava. Se não tem as medidas oficiais, bute com eles para as páginas secundárias dos manuais. A comunidade científica tem mesmo que se manter atenta a estes assuntos prioritários e gastar a massa em objectivos à altura da desmedida ambição humana.

Nem percebo como é possível andarem algumas aventesmas com cérebros tão porreiros a esbanjarem neurónios em cenas como a cura para o cancro, o fim da fome no planeta Terra (sim, nós somos um big rock, planeta de pleno direito) e fontes alternativas de energia e tal.

First things first.

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publicado por shark às 11:54 | linque da posta | sou todo ouvidos