NÁITE NO LUGAR DE PORTO COVO

made in alentejo.JPG

Longe vão os tempos do campismo (muito) selvagem no matagal denso diante da Ilha do Pessegueiro. E das maluqueiras refrescantes na fonte do centro da praça. O Rui Veloso cantou bem demais o encanto de uma terra onde agora se pavoneia a roupa de marca em corpos super bronzeados, numa versão miniatura do Algarve multilingue burguês.

igreja porto covo.JPG

Permaneceu a fé mas desapareceram os indígenas, com as casas abarbatadas aos poucos por gelatarias, cervejarias e lojas de todo o tamanho e feitio.
O coração de Porto Covo transformou-se numa espécie de outlet com paredes caiadas, debruadas a azul.

o povo saiu ah rua.JPG

Da magia das noites de Porto Covo, outrora silenciosas e profundas, restam agora pouco mais do que saudosas memórias que uma locomotiva chamada progresso remeteu para o som do esquecimento abafado pelas vozes da multidão que enxameia uma localidade que cresceu depressa demais.


luzes do sul.JPG

Ainda assim, o apelo irresístivel de uma mão-cheia de recordações intensas de Verão arrasta-me com frequência para esta terra alentejana litoral.
Devolve-me à lembrança o Alentejo. (...) rumando sem passado nem futuro.

Fotos: Shark
publicado por shark às 02:04 | linque da posta | sou todo ouvidos