A POSTA SÓ PARA TI

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Sabes que é a ti que dirijo estas palavras. Se calhar, alguns dos que lêem (porque não quero esconder) também presumem que és tu o alvo da homenagem que te rendo, mesmo sem preencher o espaço no envelope virtual onde constaria o teu nome em letras garrafais.
Mas a certeza absoluta só tu e eu poderemos invocar. Porque escrevo estas linhas em resposta a um gesto teu que me agradou e que me provou seres das poucas pessoas que se dão ao trabalho de me ler por detrás das minhas evidentes limitações. E sabes que só por condicionalismos que conheces ou adivinhas não te louvo com o dedo apontado à tua imagem que em muito construí pela força de tantas palavras tuas que li.

Nem sempre fui digno da tua confiança ou mesmo da consideração que alguns gestos teus manifestam. Sou aquilo que estou farto de me expor, inconstante, alternando como tantos o melhor e o pior. Sofrível, na média.
Mas sou capaz de valorizar as pequenas coisas que me oferecem como penhor discreto, impulso do momento, da fé que não perdem naquilo que sou também, nos bastidores da capa que me cobre tantas vezes com a cor da desilusão.

Quando menos espero, por que menos terei feito para o merecer, avanças voluntária com uma prova extraordinária da tua paciência, da inesgotável persistência com que apostas sem euforias na manutenção do que nos liga sem nos amarrar.
Coisas pequenas, candidatas a irrelevantes no teu contexto como no meu. Sobrevalorizadas por serem raras no rol de indiferenças que cada novo dia traz à (da) maioria das pessoas que sobrevivem atordoadas pela pressão. Sem tempo nem disposição para os pequenos quase-nadas que arrancam aquele sorriso impossível no meio de um tempo que nos alucina e afasta da importância, da extrema relevância dos mais insignificantes sinais que nos dão.

Sobrevalorização, assumida. E uma euforia contida pela necessidade de não dar azo a especulações desnecessárias, falatório, a reacções ilegítimas da parte de quem nada tem a ver com aquilo que se passar ou não entre nós. E também para não te intimidar com o espalhafato habitual que o meu entusiasmo infantil induz. Tenho os pés bem assentes no chão e não alimento fantasias.
Mas tinha que te dizer o quanto o teu gesto me agradou e esta é uma forma tão boa como outra qualquer e assim partilho com outras pessoas a minha alegria por saber que existe gente como tu, fora do comum.

E essas pessoas saberão por inerência que não são para elas estas palavras e terão a consciência de que existes algures e que o meu discurso deixa bem claro o quanto essa existência é especial para mim por algum motivo que só a nós interessa e entre nós ficará.

Fizeste toda a diferença.
Agradeço o sorriso que a tua interferência me ofereceu.
publicado por shark às 13:27 | linque da posta | sou todo ouvidos