A POSTA QUE O MUNDO PAROU

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Foto: Shark

Encantado, absorveu-lhe os pormenores com o olhar. Deitada de bruços na cama, cabelo espalhado pelos lençóis, ela aguardava as delícias de que ele se acreditava capaz de lhe proporcionar.
Sentiu-lhe na face interior das coxas o pulsar intenso do sangue, bombeado em fúria por um coração que acelerava a cada instante porque ele passeava as mãos sobre o seu corpo como folhas arrastadas pelo vento e beijava com ternura os pontos aleatórios que a boca seleccionava para a agradar.

E cheirava-a, inebriado. E olhava-a, deliciado. E tocava-a com mãos eléctricas, nas nádegas, pequenos choques que a despertavam cada vez mais para o prazer. Gostava do seu corpo naquelas alturas, pelo que lhe transmitia. Aquilo que sentia apoderar-se da sua vontade, olhos fechados, a pele agradecida pela sensação oferecida por um homem empenhado em impressionar.
Sentia-se ferver aos poucos por dentro, ele o forno que a aquecia, ponto por ponto, da base da nuca aos dedos dos pés.

Já mal conseguia reprimir a sede de a possuir quando decidiu virá-la ao contrário para prolongar a sessão no outro hemisfério daquele mundo na sua mão. A boca mais afoita passeava agora pelos seios, brincava como um gaiato com a sensibilidade que ela não conseguia camuflar. Nem queria, como ele já lia naquele olhar. De fogo, analogia ideal, enquanto o convidava de forma subtil a descer, ventre abaixo, para a enlouquecer com o seu empenho. E ele contornava o objectivo, fazia de conta que não percebia. E espalhava a magia pelas ancas que mordia com a suavidade de um ligeiro beliscão.

O estrondo de um chupão, intenso, de surpresa o seu ataque manso ao desejo animal que a contorcia no leito como uma louca. O calor de uma boca no momento ideal. O mesmo cuidado de um homem devotado, a calma aparente imposta pelo esforço de contenção.
Pressentia-lhe a emoção controlada e confirmava-lhe o desejo naquela bandeira hasteada da república do beijo na zona púbica tão próxima de si. Devolveu-lhe por instantes a satisfação que uma boca pode dar, até nenhum aguentar a espera pelo instante da concretização.

Inundou-o de provas da sua primeira explosão quando lhe colou as costas à cama e se sentou sobre aquela exibição de querer. O pedaço de homem que engolia à medida que descia, em brasa, ao rés-do-chão daquela tesão indisfarçável que os unia até parecerem um.
Partilharam-se enquanto os corpos não apelaram à rendição e depois entregaram-se ao carinho, conversaram baixinho a cumplicidade amorosa até adormecerem abraçados com um sorriso nos lábios.

Lá fora, ouviram-se os sons esporádicos da madrugada dormente e o resto do mundo voltou a girar.
publicado por shark às 12:31 | linque da posta | sou todo ouvidos