A POSTA NELAS

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Uma mulher capaz de, no meio de uma reunião de papagaios do sexo oposto, erguer a voz e dizer com toda a confiança: Não concordo, tenho uma opinião diferente e os factos de que disponho comprovam a minha razão. Calam-se os passarões, alguns nem dissimulam o desconforto que lhes invade as pilas instaladas, e eu dá-me logo ganas de analisar a documentação de fio a pavio em busca da razão que fundamente e torne legítimo o meu apoio visível e incondicional. Interessam-me mulheres assim.
Abraço-lhes as causas, sempre que tenho a sorte de alguma cruzar o meu caminho e por detrás da capacidade de iniciativa lhes encontro não a arrogância boçal ‘de gaja que sabe (ou acredita) que é boa’, mas a inteligência evidente e a firmeza nas convicções que enobrecem qualquer pessoa.

Encontrei ao longo da minha vida poucos homens capazes de se equivalerem em determinação e em pragmatismo às congéneres femininas que lhes conheci. Os projectos mais bem sucedidos em que tive a sorte de me envolver eram geridos por mulheres sensacionais ou por homens espertos o bastante para lhes seguirem os sábios conselhos.
As mulheres abraçam as carreiras e os projectos com o quádruplo dos obstáculos e das limitações do seus competidores masculinos. Quando alguma consegue guindar-se a uma posição com notoriedade e o respectivo desempenho desarma os cépticos do costume mais as suas graçolas fico atento, muito atento. E disponível para me associar ou subordinar às respectivas causas e estratégias.

Mas existem mulheres assim em todos os degraus de qualquer hierarquia e em qualquer palco onde a vida possa acontecer. Condicionantes do seu percurso familiar, opções pessoais ou simples questões associadas ao feitio da pessoa (ou à predominância machista da mentalidade vigente) podem remeter essas criaturas fascinantes para funções mais discretas. Quase sempre, contudo, pautadas pelo elevado nível de competência. São pessoas empenhadas, irradiam motivação, fazem acontecer. Absorvem conhecimento a um ponto em que ultrapassam sem margem para dúvidas a bagagem de muito licenciado da treta e de alguns pseudo-intelectuais. Façam o que fizerem para receber um ordenado no final de cada mês.
Muitas são mães e encaixam nos seus dias à bruta um teimoso momento de ginástica mental, de evolução em regime de horas extraordinárias. Dominam a escrita, lêem muito e com bastante atenção, comentam com pertinência, com conhecimento de causa e um elevado nível de argumentação. São mulheres interessantes, estimulantes e inegavelmente especiais.
Muitas já são blogueiras e eu sou um tubarão feliz.
publicado por shark às 12:25 | linque da posta | sou todo ouvidos