CARTAS NA MESA

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O que é que um gajo normal pode oferecer às outras pessoas? Amor, amizade, carinho, essas coisas. Pois, mas isso qualquer gajo normal consegue disponibilizar na boa, reunidas algumas circunstâncias.
Então é o quê? Conversa interessante? Bom, isso já não está ao alcance de qualquer um. Mas ainda há os bastantes para toda a gente ter gente interessante com quem conversar. Sobretudo em contactos ou relações fugazes, onde um gajo normal pode sacar dos trunfos todos e fazer um vistaço. O pior vem depois, se a coisa se prolonga e afinal esse gajo normal esgota o manancial de matérias interessantes que domina…

Então, rapaziada? Notem que quando digo gajo também meto gaja ao barulho, não há heróis nos géneros. Não é fácil responder, pois quase todos possuímos características, umas melhores outras piores, que nos distinguem mas não bastam para constituírem argumento de destaque para um gajo normal. Isto, claro, excluindo os ornamentos naturais ou artificiais com que nos esforçamos para sermos agradáveis à vista. Estou a falar do resto, daquilo que nos faz preferir esta ou aquela companhia para investirmos o nosso tempo de uma forma compensadora.

Vou ser sincero: para mim, gajo normal, uma defesa óbvia para evitar perder-me no meio de uma multidão de gajos como eu é a originalidade. Fazer diferente, confundir, surpreender. Nem sempre resulta bem, mas por norma é uma atitude que nos permite manter os outros interessados na nossa presença. Eu gosto de pessoas diferentes, confesso, embora não aplique esse critério nas minhas escolhas. Mas gosto de pessoas que apreciem o meu esforço em fazer e em dizer as coisas de uma forma original.
Nota-se neste blogue esse meu estilo pessoal, essa mariquice com a qual me defendo da alergia a armar-me em intelectual (não sou um rato de biblioteca), em vivaço (sou estupidamente revelador das minhas fraquezas) ou em engatatão (há quem confunda cortesia com “investida”).

Já aqui me denunciei uma data de coisas foleiras, de forma implícita nalguns casos e com uma clareza sem mácula noutros. Mas também deixo transpirar o resto que valho, aquilo que vos traz aqui, gostem de mim ou não. Não vos fico indiferente e essa é talvez das maiores compensações que extraio desta cena de blogar.
Não escrevo com os pés, mesmo dando algumas calinadas, e não vos maçando com teorias, biografias ou citações deixo-vos claro que não sou burro de todo e aprendi algo pelo meio de quase um quarto de século a frequentar escolas em festa. Fica sempre qualquer coisinha, que nos permite não fazer má figura. Mas não chega, eu sei.

A diferença, a que tento fazer, reflecte-se no melhor e no pior de mim. Aquilo que vos dou aqui, sem exigir nada em troca que não uns minutos do vosso tempo precioso. Um pouco da vossa atenção que reclamo assim. E vêm muitos de vós, mais do que alguma vez acreditei ser possível. Porque sou um gajo normal, apenas. Que não quer (ou não gosta de) ser julgado a toda a hora mas não se furta aos testes que fazemos uns aos outros para descobrir o calibre de quem se julga merecedor de alguma importância.
No entanto, muitos ficam, acompanham este diário meu, riem, escarnecem, duvidam, questionam, apreciam, louvam, odeiam até. Porquê? Porque percebem o meu esforço hercúleo para ultrapassar as minhas limitações e presentear-vos com as minhas emoções, as minhas ideias, as minhas contradições, as merdas comuns de um gajo normal embrulhadas com cuidado num texto feito à medida para os vossos olhares. E imagens, quase todas minhas, que são mais um argumento que tenho tentado utilizar em meu abono. Pela vossa preciosa atenção.

É isto o charco e é isto que sou. Sem razão alguma para ter peneiras. Convicto, bem ou mal, que uma forma muito minha de blogar poderá atenuar a minha génese de gajo normal aos vossos olhos. A tal originalidade que empresto à vida lá fora com a minha rebeldia relativa e a irreverência possível a quem tem uma filha para criar e que, para vos cativar, tento espelhar neste suporte virtual. Sou um cromo, se calhar, como alguns me apelidam. Com coisas para dar, chatices também. Arrelias, por eu defender algo em que não acreditam, ou por acreditar em algo que vos insulta, ou apenas por deixar escapar algumas das imperfeições de um gajo normal. O que sou.

Capaz de pedir desculpa a quem a justifica, quando me concedem essa graça. Capaz de reconhecer as minhas merdas e de pactuar com as de outras pessoas. Capaz de ser um gajo normal que dê pica acompanhar desta forma ou mesmo de outra. Só fica quem acredita. E quem quiser fazer melhor, basta-lhe o talento e/ou a sabedoria que tantos/as gajos/as menos normais do que eu invocam.

Não tem nada que saber. E no Blogger até é de borla.
publicado por shark às 00:59 | linque da posta | sou todo ouvidos