A POSTA NO EFEITO BOOMERANG

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Quem com ferro mata com ferro morre. Não é uma frase bonita, bem sei. Mas reforça a ideia que deixo no título desta posta. Não bastam os exemplos que a História nos dá. Os dos outros e os que acumulamos na nossa experiência pessoal.
Eu somei alguns, pois nunca escapei impune dos meus momentos menos bons. De uma forma ou de outra, a vida encontrou sempre um meio de fazer chegar às minhas mãos a notificação do castigo. Nem assim aprendi a lição. Insisti. E paguei, quando chegou a hora.

Acredito que esse é um reflexo do equilíbrio que as coisas procuram. Ou talvez um sinal para que evitemos cometer imprudências que depois se viram contra nós. Como os excessos (e os abusos) de confiança, por exemplo. Ou qualquer acção incorrecta para com terceiros, desproporcionada, indevida, ou mesmo indigna.
Às vezes vamos longe demais...

Hoje, como referi abaixo, tive do meu lado o pragmatismo e a lucidez de quem me abriu os olhos para mais um erro imbecil que andei a cometer. Que teve um preço, claro, mas poderia vir a custar-me muito mais. E esta é a parte bonita desta posta, numa fase em que vos prometi incidir sobre a beleza das coisas. Quem me ofereceu o safanão de que precisava para despertar duma estranha letargia em que mergulhei tempos atrás vai merecer o meu reconhecimento para a vida inteira (e espero que estejas a ler estas linhas, pois é com gratidão genuína que o afirmo). Porque me poupou a uma perda imensamente maior que o futuro certamente reservaria, caso eu insistisse em trilhar o caminho com os olhos fechados à razão.

Eu optei mal, apostei no cavalo errado da minha consciência, da minha paupérrima inteligência emocional. E isso conduziu-me a actos indignos de mim cujo troco a vida me foi dando aos poucos, em crescendo, até ao ponto em que só uma intervenção enérgica impediria de se transformar num martírio ou num final infeliz para algo que muito prezo.
Tive a sorte de ter alguém que o tomasse a seu cargo, essa atitude necessária. Outros não têm a mesma sorte que eu, ou não prestam a devida atenção aos tais pequenos avisos (profecias?) que a vida nos entrega.

Devolvida ao remetente, cada uma das nossas acções (as boas como as más), cada uma das nossas intervenções é uma pedra lançada ao céu que depois pode tombar na nossa cabeça. Maior quanto pior seja a vilania e as respectivas consequências. E essas permitem avaliar o quanto fomos ou não longe demais num conflito, numa teimosia ou numa simples embirração. Há desfechos que não se podem permitir, são excessivos relativamente ao que quer que esteja em causa. O tal momento de dizer basta que descobri e gostaria que toda a gente fosse capaz de ter em conta, no momento de ir (ou não) um nadinha mais além num qualquer assomo ou crise de estupidez como as que protagonizo em demasia.

Eu lamento muito as consequências de tudo quanto faço (e reconheço) errado. Não pelo que isso implica de peso na minha consciência (que a tenho), mas pela evidência que constituem de que não soube quando parar e isso repercutiu-se na sensibilidade ou mesmo na vida de alguém. E mereci cada um dos castigos que chegaram, quase masoquista, tal como me sinto merecedor da oportunidade que me chegou por voz amiga.

É talvez a única forma de aprender este tipo de lição, olho por olho, até abrirmos a pestana de vez e nos metermos no nosso devido lugar. A humildade em vez da arrogância, o arrependimento em vez da euforia, as voltas trocadas pela moeda (de troca) forte da vingança que a vida nos retribui, de uma forma ou de outra.
É feio, à partida, mas faz todo o sentido quando nos vemos atingidos ou atingimos alguém com o mal que qualquer um pode fazer.

Gostava que estas minhas conclusões tivessem chegado mais cedo, para me poupar (e a terceiros) a uma data de desgostos evitáveis.

E lamento muito que sempre haja algures quem possa partilhar comigo o arrependimento de descobrir o mesmo.
Mas tarde demais para evitar piores consequências.
publicado por shark às 02:18 | linque da posta | sou todo ouvidos