BOCA DO INFERNO

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Escuto o vento e vibro por dentro com o arrepio desse calor. Intermitente, ofegante, o sopro que me agita os cabelos à sua passagem, o prazer de uma aragem que anuncia a tua presença em mim. Distante, mas logo ali.
A brisa do levante na minha garganta, o som que me encanta, os pássaros anunciam estridentes mais um dia a morrer. E eu a tremer, pela iminência da acalmia, escuto o vento que há pouco gemia como se temesse parar de soprar.

Enche-se o peito do céu com a fúria desvairada de um furacão, a tua emoção tempestuosa, na boca das nuvens um grito que impeço de soar. A minha mão na tua boca e o vento entre os dedos, tão quente, escapa imprudente para a periferia do meu coração.
O desejo reanimado pelo sopro encantado de um suspiro teu, guloseima. Para o meu corpo que teima em quedar-se inerte nas rochas, alheio ao frio, cativo da imaginação soprada e pelo vento transportada até junto de mim.
Sentada a meu lado, feliz.

E eu sonho acordado pelo vento despertado pelas palavras que lhe sussurras, ao nosso carteiro secreto que agita os arbustos ali atrás. Sei que sou capaz de te decifrar em cada mensagem escrita na folhagem em forma de som. Identifico-o sem custo, o tom, e interpreto a melodia empolgante que me soa a tua voz.

Existe em nós um vento interior que sopra rebelde com a força do amor.
E eu sinto-me atraído pela fúria de um tornado de Verão.

Para os braços feitos asas da emoção descontrolada que te reclama, marioneta arrastada em espiral pelo louco vendaval da minha paixão insana.
publicado por shark às 11:48 | linque da posta | sou todo ouvidos