A POSTA NA INTOLERÂNCIA DE TONTO
Pressionado pelas sondagens que lhe colocam o PS nos calcanhares e pela malta do seu partido que vai soltando umas farpas que lhe auguram pouco de bom se a coisa correr menos bem no mês que vem, Passos Coelho, em desespero de causa, aproxima cada vez mais o discurso e o percurso (as feiras, as feiras...) daquele que tanto parece render ao CDS de Paulo Portas.
O jovem Passos, político de carreira formado nas escolas do PSD, nada tem de parvo (assim de repente não se nota) e já deu fortes indícios de ser homem para elevar a parada sempre que entende necessário.
O problema do homem, um ícone das jotas, é ainda não ter percebido que quando estamos a falar de um país não podemos raciocinar e decidir como se estivesse em causa a associação de estudantes da secundária. Prova disso é o resultado prático da aposta no equivalente a um popular do liceu, o homem das galinhas com o tacho no bico, que já lhe terá custado mais uns pontos nas sondagens e custou de facto pelo menos uma deserção anunciada pelo próprio, António Capucho, como consequência directa desse impulso juvenil do líder laranja.
Assim, o país inteiro começa a não levar a sério o rapaz como alternativa ao Grande Satã e as percentagens começam a serrar a fina camada de gelo sobre a qual vão derrapando as ilusões social-democratas de uma vitória categórica ao estilo irlandês.
E ele, a deixar fugir o pássaro por entre os dedos a cada dia que passa, começa agora a esvaziar as cartucheiras de reserva (por norma munições de pólvora seca) e dispara em todas as direcções.
No menu de hoje deste permanente banquete de trapalhadas populistas temos o ataque à tolerância de ponto concedida aos funcionários públicos, como há décadas vem acontecendo, apelando ao estado do País como um argumento para contestar a decisão do Governo e assim poder, esperteza saloia, estimular vozes discordantes em número suficiente para as sondagens parecerem feitas pelo próprio Sócrates. Ou seja, umas mentirosas.
É fácil a pessoa apoiar esta indignação do passaroco saído da casca que é este Coelho já meio enfiado na cartola na qual muitos dos seus companheiros de partido mostram querer metê-lo outra vez.
É fácil porque é de uma lógica rudimentar, ao alcance do povo no seu todo, o mais e o menos instruído ou politizado, simples de assimilar na sua hipocrisia pueril de argumento eleitoralista.
O país numa crise do caneco e aqueles mandriões, aqueles irresponsáveis, a darem uma tarde de folga aos preguiçosos da Função Pública, a baixarem a produtividade da Pátria nas barbas dos senhores inspectores que, não sendo pessoas de fé capazes de entenderem estas folgas de inspiração cristã, dão no duro para nos salvarem e, à falta de milagres a sério, fazem o papel de enviados de Deus.
Passos, o coelho, vê aumentar a distância entre si e a cenoura e evidencia cada vez maior desnorte nas opções. Pior ainda, não tem opções para o nortearem. E por isso saca do coldre autênticas bisnagas vira-bicos e julga borrifar a cena política com a água benta (da sua presunção jotinha) quando afinal apenas encharca o seu futuro político com banhadas de água-pé (aquele que lhe vai acertar em cheio no fundo das calças se – quando - o descalabro eleitoral acontecer).
Ébrio com a possibilidade flagrante (nem o Jorge Jesus conseguia deixar fugir esta) de ser o futuro Primeiro-Ministro de Portugal, e apesar de não ser parvo de todo, não mostra particular vocação para cozinhar estratégias e dá sinal de sentir nos dedos o calor crescente nas asas dos tachos que lhe pediam para aquecer em lume brando e nos quais acabará por deixar queimar o refogado com a mistela que os deveria garantir (os tachos) à mesa dos seus vorazes comensais a quem já nem o pote sustentaria.
Só por isso Passos, o furão desorientado com alma de pescadinha, algures entendeu que o Portas é que a sabe toda e entrou de cabeça na toca populista onde inevitavelmente acabará por abocanhar-se pelas costas.









