Sexta-feira, 18.02.11

A POSTA NAS REVOLUÇÕES DEPOIS LOGO SE VÊ

Depois do Egipto nada parece querer ficar como dantes naquela zona do planeta.

Os povos saíram à rua e os poderes que os deveriam servir reprimem o seu grito de liberdade, teimando em lidar com manifestações da vontade popular como desordens que legitimam o (ab)uso da força, num tique alérgico à democracia que se prova, pela capacidade de mobilização mesmo sob o olhar espião de regimes totalitários, a única opção viável no mundo actual.

 

Esquerda e Direita não são termos que surjam associados aos movimentos espontâneos de reacção aos poderes instalados no que tendemos a generalizar como mundo árabe mas engloba nações como o Irão.

Se existe um traço comum será a predominância de uma religião que, em face do que se tem passado, também não parece funcionar como pólo aglutinador destas rebeliões em larga escala que surgem do nada como massas heterogéneas de pessoas saturadas de governações corruptas e prepotentes.

É a Democracia pura e dura que se espelha nos estandartes populares, muito acima de qualquer outra causa passível de ser conotada com ideologias nesta fase embrionária de verdadeiras revoluções como a que aconteceu na terra dos faraós.

 

A lição aprendida pelos restantes tiranos depois da queda dos seus homólogos egípcio e tunisino revela-se no uso da repressão sobre o que entendem (ou querem acreditar) como bandos de insurrectos alheios à grande multidão que apoia apenas no plano do seu imaginário estas elites que afinal vivem em planetas distintos dos seus povos ao ponto de perderem o contacto com a realidade miserável que lhes proporcionam.

E é aqui que cada vez mais se cruzam perigosamente os caminhos dos regimes agora sob pressão e as nossas democracias ocidentais que começam a revelar sintomas análogos em áreas tão distintas como o alheamento à realidade acima referido, traduzido na criação de bolsas de pobreza no seio das cidades que acabam por ser as versões em betão dos amontoados de barracas que o passado recente nos exibiu e o poder tentou esconder nos chamados bairros sociais mas explode aos poucos nos subúrbios europeus, mas também se fazem notar na apetência pelo controlo da Comunicação Social e na abafada mas evidente tentação de reduzir a margem de manobra de espaços de liberdade como a internet.

A repressão policial, embora para já numa escala menos agressiva, será outro dos apelos dos governos ocidentais quando (e não se) as populações não suportarem mais a visível decadência das suas classes políticas e respectivas consequências no desgoverno das contas públicas e nas decisões desastrosas em matéria económica, repercutidas sob a forma de desemprego, emprego precário e progressiva degradação do funcionamento do Estado aliada à iminente falência da Segurança Social.

 

Neste contexto aziago, curiosamente, não emergem novas correntes de pensamento para substituírem ou complementarem as já existentes e a contestação surge em torno de objectivos concretos e de curto prazo mas desprovida de soluções, de alternativas reais para o poder que anseiam renovado mas dessa forma arriscam entregar ao vazio.

 

Ou ainda pior.

publicado por shark às 11:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

JANELA ABERTA

 

janela aberta

Foto: Shark

 

publicado por shark às 09:40 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 17.02.11

A POSTA QUE NÃO POUPA UM GURU DA LITERACIA FINANCEIRA

De forma absolutamente espontânea, um tal de Dr. Luís Costa Pereira (que parece que aparece de vez em quando na tv) fez o obséquio de me enviar um email (há mal intencionados que chamam a isso spam, mas eu nem sei o que quer dizer) no qual me convida a participar num workshop de Gestão Financeira Familiar - Equilibre Já As Suas Contas que o próprio irá orientar algures na Invicta.

Não posso dizer que não faço parte do mercado-alvo do ilustre Dr. Pereira, não só porque o saber não ocupa lugar mas porque em matéria de gestão financeira tenho os lugares todos disponíveis no sector da sabedoria, como o meu gestor de conta poderá confirmar. Aliás, podem falar também com ele acerca dessa parte do equilíbrio nas contas pois nesse particular ele é parte interessada.

 

O Dr. Pereira, alegadamente com vasta experiência em educação da literacia financeira, afirma-se capaz de me levar a percorrer um caminho de excelência na minha gestão financeira familiar e eu muito agradeceria a V. Exa. a fineza.

Contudo, o meu deslumbramento por toda esta informação prévia, por este trailler do GPS para a fortuna, deixou-se perder na parte em que o email revela que afinal a generosa e espontânea proposta do Dr. Pereira não é gratuita e isso suscitou-me algumas questões típicas de um iletrado financeiro. Por isso mesmo fui dar uma vista de olhos a sério no Programa do dito Workshop que nos ensina a poupar a partir do zero. Neste caso ainda antes, deve ser como na tropa, pois entramos na formação já a partir do menos €147,60!

E então rezam assim os pontos do Programa:

 

1 - Diagnóstico financeiro familiar;

 

Esta é fácil de perceber. O Dr. Pereira começa por diagnosticar uma doença mental grave na família capaz de gastar quase trinta contos em histórias da carochinha.

 

2 - Orçamento financeiro familiar;

 

Aqui deve ser quando o Dr. Pereira explica à malta em que rubrica do orçamento se encaixam as despesas de formação. E é o próprio que garante a aprovação na especialidade com o voto favorável da família dele.

 

3 - Controlo do orçamento;

 

Neste ponto aprendemos a alugar os filmes porno apenas ao sábado para podermos entregá-los logo no dia a seguir e pouparmos 24 horas de aluguer. Ou assim.

 

4 - Poupanças diárias, mensais e anuais;

 

Chamo a vossa atenção para o facto de o programa não falar das poupanças esporádicas, como nas compras por impulso ou na frequência de workshops a pagantes.

 

5 - Poupar nos créditos;

 

Presumo que iremos aprender uma forma de não os pedirmos de todo.

 

6 - Poupar nos seguros;

 

Aqui não quero entrar num conflito de interesses com um colega do ofício (sim, o Dr. Pereira também é mediador de seguros) e por isso limito-me a dizer que para pouparem nos seguros não precisam de ir ao Porto. Basta falarem com o tubarão.

 

7 - Quanto deve poupar do seu rendimento;

 

Aqui é de caras: aconselho-vos já a pouparem €147,30!

 

8 - Automatizar a sua poupança mensal;

 

É gastarem €147,30 nos workshops do Dr. Pereira todos os meses. Certamente poupam imenso relativamente a outros workshops no mercado, mais caros ainda, se os houver.

 

9 - Onde aplicar as suas poupanças mensais;

 

Tirando os PPR que o meu douto colega não deixará de sugerir, podem por exemplo investir em workshops que são coisas muito poupadinhas.

 

10 - Aumente os seus rendimentos mensais.

 

Last but not least: o workshop do tão frontal quanto versátil Dr. Pereira até ensina a caçar patos com o pretexto da organização de workshops acerca de poupança!

 

Por tudo isto e porque o Dr. Pereira garante que saímos de lá com o pequeno-almoço tomado e ainda um certificado de frequência (que deve ficar lindo pendurado numa parede do hall de entrada para impressionar as visitas), não posso deixar de recomendar-vos que busquem com afinco uma forma de pouparem €147,30 porque já têm onde os esbanjar de forma aprovada pelo suprasumo da literacia financeira do momento.

Basta, se fizerem parte dos que acreditam que este workshop é boa opção para um dia bem passado, suspenderem a medicação.

publicado por shark às 15:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA NAS PRESTAÇÕES EM PORTUGUÊS SUAVE

A conta da água, da luz, mais a renda para o senhorio ou para um banco qualquer. A mensalidade para o condomínio, outra para a tv cabo mais as outras comunicações associadas, não esquecendo as que chamamos de prestações, suaves quando isoladas mas que depressa percebemos pesadas quando lhes somamos outras parcelas dos compromissos que acumulamos em pedacinhos como os da vida que estilhaçamos sob a pressão que nos é imposta nesta corrida em que somos voluntários recrutados.

 

A comida indispensável, mais a roupa que se estragou ou deixa de servir, a moda a impor uma obsolescência prematura, já ninguém usa aquela cor escura que foi a principal tendência na penúltima colecção.

A fachada sempre cuidada para os olhos que também comem e alimentam nos bastidores o filtro daquilo que somos que nos converte naquilo que valemos na medida do que conseguirmos parecer.

 

Mais as contas imprevistas da saúde que pode faltar e os outros pequenos incidentes de percurso que nos acrescentam débitos nos cartões que oferecem créditos com juros insuportáveis que se revelam implacáveis a dias certos de cada mês quando se apresenta a factura dos excessos que a aritmética não perdoa na sua franqueza exponencial, o endividamento em espiral ascendente enquanto descemos sem dar por isso aos infernos tangíveis das cobranças difíceis que se acotovelam no horizonte das preocupações de quem não foi ensinado a dever a estranhos cujas missões ingratas transformam aos poucos em pedras iguais às que sustentam as sedes portentosas das instituições que representam, vazios por dentro porque precisam de se defender das agressões do exterior que eles próprios protagonizam na sua pele de juízes de valor dos que tropeçam em prestações suaves agigantadas pelas coimas previstas por incumprimento nas letrinhas pequenas de um contrato que assinamos em balcões ou secretárias adornadas por pessoas que nessa altura muito sorriem para nós e agora se empoleiram na mó de cima de uma condição que defendem com determinação férrea, quase feroz.

 

A insistência nos mesmos erros daqueles outros de que ouvimos falar no café e confirmamos nas histórias que nos revelam nas peças lamechas dos telejornais, quase à balda pelo lado da vida que não nos permite distracções ou leviandades que se podem revelar fatais para o falso dado adquirido da pertença a uma realidade que depende da nossa capacidade para a merecer, não apenas a trabalhar (enquanto nos deixam) mas igualmente na gestão do que gostávamos de ter e não podemos mas nos viabilizam como milagres a longo prazo, pequenas migalhas que todas somadas acabam por nos comer o pão.

Depois cedemos perante a aflição quando percebemos o tamanho do buraco e não conseguimos agarrar-nos à sua borda por mais que tentemos esticar os braços ou o dinheiro que lhe deitamos em vão para tapar aquela sepultura na qual somos coveiros em causa própria do cadáver adiado da nossa despromoção que no limite se assume uma exclusão social.

 

Apontados a dedo como irresponsáveis, descontrolados, protótipos dos falhados que ninguém respeita porque suscitam medos instintivos dos que apontam e desdenham mas se adivinham na mesma linha de montagem onde passa o comboio que os pode trucidar, abdicamos se necessário do orgulho para podermos disfarçar essa condição de vítimas do sistema que sustentamos no empenho com que o alimentamos como a um cão capaz de morder o próprio dono quando este lhe estende a mão. Obrigados a fazê-lo para encaixarmos a qualquer preço no estilo de vida que aceitamos tacitamente como o nosso padrão.

publicado por shark às 11:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 16.02.11

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

história esculpida

Foto: Shark

 

publicado por shark às 16:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A CRÓNICA DO BOM MALANDRO

O ladrão entrou na loja com o rosto descoberto perante a câmara de segurança que mostrou ao mundo o insólito do seu assalto que, de resto, é daqueles que merecem o epíteto de bem sucedido.

O lojista, outra pessoa de bem, percebe de imediato o tipo de homem que tem na sua frente, com uma arma provavelmente falsa ou, se verdadeira, certamente descarregada, e não só mantém a calma que garante um desfecho perfeito como acrescenta um discurso de alguém que compreende a motivação, o desespero, por detrás daquele bandido moderno, um cidadão normal, claramente de boa formação e novato naquelas andanças, nas suas próprias palavras preocupado apenas com o sustento dos filhos e a manutenção de uma vida normal.

 

É impressionante o diálogo entre os dois homens que o destino cruzou de uma forma tão potencialmente dramática, chegando ao ponto de o ladrão prometer com a convicção de homem honesto a devolução do montante roubado que afinal o lojista lhe emprestou, tamanha a sua preocupação em certificar-se que o outro não seria preso pelo seu acto ilegal.

Este mundo paradoxal vai servindo de bandeja os exemplos do quanto muitos papéis se invertem, ao ponto de no caso que motiva esta posta ser fácil acreditar que o ladrão é afinal a vítima e o lojista assume o lugar de quem acode em seu auxílio, tudo isto no contexto de um assalto à mão armada que pode sempre correr muito mal e por isso garante penas pesadas a quem opte por essa saída de emergência para uma crise financeira que está a fazer desmoronar a vida de milhões de pessoas.

 

Amanhã, muitos de nós podem ver-se na pele daquele homem de bem que envereda, cracked under pressure, pelo mal que, em face de todo o admirável episódio, entendemos necessário ainda que rejeitemos por princípio tal opção.

Amanhã posso ser eu o ladrão.

 

E se tal vier a acontecer, quero ser como aquele.

publicado por shark às 12:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 15.02.11

A POSTA LIGEIRAMENTE DEPRIMENTE

Gostava de não morrer sozinho.

E que nesse momento derradeiro as minhas famous last words pudessem resumir-se a uma:

Amo-te.

publicado por shark às 21:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Segunda-feira, 14.02.11

GRAFITI LOVER

 

josé e pilar

Foto: Shark

 

publicado por shark às 22:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

SÃO MUITAS HORAS DE PONTA...

Sinceramente, malta, não sei o que se passa na blogosfera. Então a notícia do ano é divulgada pela Comunicação Social e nesta comunidade népia?

Sobretudo vocês, rapaziada, que estamos sempre a levar no lombo com as bocas farsolas delas quando nos vilipendiam (fónix, vilipendiam é bonito) por essa blogosfera fora e mainãoseioquê, não percebo como não sacam dos galões e metem o mulherio armado aos cucos no seu lugar…

 

É que não são as terceiras, nem as segundas. São as sexualmente mais satisfeitas, como o comprova um estudo de âmbito europeu!

Claro que para a malta com pila isso não é surpresa alguma, um gajo percebe a verdade dos factos por detrás da pala de que é tudo orgasmos fingidos e coitadinhas andam aí aos caídos e na volta quando confrontadas com a questão de forma directa são incapazes de esconder o que as distingue das restantes cidadãs desta Europa a várias velocidades onde os portugas assumem a liderança naquilo que verdadeiramente interessa.

 

Isto não há cá funfum nem gaitinhas: se as portuguesas são as sexualmente mais satisfeitas e as sex-shops até se safam melhor na terra das outras só há uma conclusão a extrair e essa está à vista.

Sim, somos muito bons nisso. E se tivermos em conta os que não a usam porque não conseguem ou porque não gostam ou porque não sabem como, we the few provamos chegar para as encomendas e na hora da verdade aí estão as parangonas que atraem as suecas, as holandesas e, olhando para estes resultados, as gajas da Europa toda e arredores que aí aterram em busca do sol e da paisagem e do que só não vê quem não quer.

 

Claro que por uma questão elementar de justiça temos que partilhar este sucesso colectivo com as nossas parceiras e amantes, é impossível negar que este brilhantismo macho está directamente ligado ao nível de exigência que nos confronta: compete-nos dar assistência às melhores mulheres de todo o mundo e isso dá muito traquejo à pessoa, é inegável.

Mas interessa sobretudo agradecer a todas elas, aproveitando a efeméride que hoje se celebra e nos impingiram nem sei de onde, a sinceridade com que arriscaram atrair a inveja e a cobiça por parte de tantas outras que agora ficaram a saber que não é só o tinto alentejano de 90 que justifica a deslocação a esta terra santa.

 

E pela parte que me toca não precisam agradecer. Tem sido literalmente um prazer contribuir com o meu quinhão para esta honrosa estatística.

publicado por shark às 15:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

TENHO UMA VIZINHA SAPOLAS CHAMADA JÚLIA

Dizem que na blogosfera aplica-se com ainda maior pertinência aquela do small world...

publicado por shark às 14:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

BLACK & WHITE

 

sol de inverno

Foto: Shark

 

publicado por shark às 01:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Domingo, 13.02.11

A POSTA NAS FISSURAS DA FACHADA

O episódio caricato do diplomata indiano que ao longo de três minutos repetiu o discurso de Luís Amado perante a assembleia da ONU sem dar pela troca, e que prova o quanto muito do que vemos não passa de meras caricaturas daquilo que acreditamos, vem provar mais uma vez que a bagunça está instalada à escala global e o poder não caiu na rua mas está encurralado no beco sem saída da pantomina por parte da maioria dos seus alegados protagonistas que estes lapsos comprovam na qualidade de simples figurantes.

 

O absurdo discurso de Mubarak na véspera da sua demissão, dando a entender uma decisão que obviamente não lhe competia tomar, é apenas mais um indicador dessa realidade que nos passa ao lado mesmo quando escarrapachada na frente dos olhares atónitos que estas fantochadas nos suscitam.

O poder político, teoricamente indispensável para o bom funcionamento de qualquer sociedade, está confiado a testas de ferro de quem manda de facto e cuja missão consiste em transmitir-nos a ilusão de que tudo está como dantes a fim de evitar a generalização de revoltas populares como a egípcia, possíveis de acontecerem em qualquer ponto do planeta onde o poder não se escudou com a táctica da força bruta.

 

Na verdade, a democracia já de pouco nos vale nessa tarefa inglória de escolhermos os melhores de entre nós para liderar o colectivo em que nos integramos. A realidade portuguesa, onde abundam as barracadas dignas do melhor anedotário, é sintomática dessa manifesta falta de opções num contexto em que, mesmo pintados de cores distintas, os peões desta farsa surgem aos olhos da opinião pública cada vez mais como praticamente iguais nos seus objectivos egoístas e na incapacidade para romperem este ciclo ascendente da mediocridade nas mais altas esferas.

A defesa dos princípios que regem qualquer sistema democrático, o derradeiro bastião da liberdade como a identificamos, já não basta porque no topo da pirâmide movimentam-se criaturas que se distinguem pela capacidade de aprendizagem acelerada. Aprendem depressa, os que moldam aos poucos o sistema para o tornarem permeável ao seu jogo das cadeiras para eleitor ver.

 

Ao longo da história da Humanidade os pessimistas acabaram sempre por se diluírem no seu presente na imagem colectiva de videntes, catastrofistas, alucinados e charlatões, acabando a pregarem aos peixes os seus aparentemente infundados receios, mesmo quando os sinais já não eram indícios mas sim evidências das previsões mais negras de futuros que muitas vezes já estavam a acontecer.

 

Eu não me importo de encaixar a minha (ante)visão das coisas num canto discreto onde se deixam ao pó as coisas rotuladas como convém à maioria de crentes seja do que for, acomodados num quotidiano quanto baste.

Mas prefiro fazer figura de parvo perante os outros do que ter um dia que admiti-la, pelo pecado da omissão, perante mim próprio.

publicado por shark às 15:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sábado, 12.02.11

EM (P)ARTE INCERTA

O músico que verte pelos dedos emoções para o teclado de um piano que chora uma lágrima sonora e a deixa fugir pela janela, disfarçada de som.

O pintor abandonado que olha para uma tela e projecta a imagem de um sentimento feliz, palhaço pobre, o cinzento da sua alma que chove a tinta no papel, filtrado para fluir pelo pincel luminoso e colorido no tom.

O escultor que decidiu renegar o amor, desiludido, e investe o seu carinho na forma grosseira de uma pedra moldando-a como o barro de um seu acto falhado, algo parecido com um jarro onde escondeu as memórias que quase sem querer imortaliza agora no rosto de uma deusa talhada à imagem da sua amada que não consegue esquecer.

O escritor que pretende contar uma história sua como se nada tivesse a ver, os sons, as sensações e as imagens que precisa escrever na esperança de que as suas palavras consigam reproduzir tudo aquilo que acaba de sentir, imiscuindo-se de forma discreta numa trama que sente como ficção mas lhe brota do coração como uma lágrima descrita, como uma paixão proscrita, clandestina, imensa, que escreve de uma forma intensa em palavras que entram pelos olhos de quem as lê como um vermelho ardente, rubi, lapidado em versos tão reais que se percebem tridimensionais quando processados pela imaginação de quem abre o coração às emoções contadas que se deixam apalpar pela profundidade de um olhar atento que absorve naquele momento tudo quanto o autor sentiu e num assomo de inspiração decidiu deixar fugir por entre as palavras pintadas nas folhas brancas que se fazem ouvir quando sopradas pelo vento inesperado numa madrugada estival com um céu fascinante pintado pelo sol nascente e a pele arrepiada pelo frio de uma pedra trabalhada na mente pelas mãos de outro artista para servir de lápide da cor do giz no túmulo do herói imaginário a quem decide não oferecer um final feliz.

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publicado por shark às 19:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

LUTA DE TITÃS

 

luta de titãs

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 15:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sexta-feira, 11.02.11

VOLTEFACE

As declarações mais indignadas acerca da moção de censura do Bloco de Esquerda sairam da boca do Daniel Oliveira...

publicado por shark às 23:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

ENCRESPADO MAS DE PEQUENA VAGA

Existe uma expressão corrente no meu bairro que encaixa como uma luva na indisfarçada euforia infantil do Mário Crespo perante a hipótese de uma moção de censura ao actual executivo, tamanha a exuberância:

estás tão satisfeito que até os pelos do cu batem palmas.

publicado por shark às 21:57 | linque da posta | sou todo ouvidos

TÁ NA CARA PORQUÊ

O único político português digno da maior confiança pela sinceridade implícita logo à nascença é o Diogo Feio.

publicado por shark às 21:45 | linque da posta | sou todo ouvidos

COLORIDO ELEITORAL

 

colorido eleitoral

Foto: Shark

 

publicado por shark às 19:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

MONÓLOGO DA BARBATANA

É perturbadora a forma como nos abala um conflito interior entre aquilo que queremos e aquilo que devemos fazer, sempre que estão em causa as coisas (e as pessoas, acima de tudo as pessoas) que mais mexem connosco.

Pouca volta há a dar a um assunto no qual o conflito de interesses é disputado em clima de guerra civil pessoal, precisamente porque se trata de um dilema que nos enfraquece a própria capacidade de decisão, com a cabeça e o coração a digladiarem-se em torno de razões e de emoções que partilham naquilo que é a gestão corrente das pessoas que nos ambicionamos.

Pouco mais nos resta, em tais circunstâncias, do que encontrar um peso relativo para as opções em disputa e respectivas consequências, nomeadamente quando envolvem ou possam afectar terceiros, sobretudo quando esses terceiros são das poucas pessoas a quem reconhecemos um papel decisivo nas nossas vidas e nos impomos a salvaguarda dos seus interesses, ainda que em detrimento dos nossos.

 

O meu perfil não ajuda nessas questões. Antes agrava, sobrevalorizando-o, qualquer problema que envolva os contornos que refiro acima.

A gaita é que quando damos rédea solta às emoções e enchemos o peito de vontade de lutar por elas, contra o mundo inteiro se necessário, essa liberdade (libertinagem?) emocional confere uma força desmesurada aos argumentos em abono do impulso, do instinto que nos trai quando nos vemos obrigados a ter em conta a realidade dos factos na sua componente racional, por exemplo no que concerne à coerência perante princípios.

E é aí que colidem aquilo que sentimos certo e o que percebemos necessário ser feito, ainda que em sentido oposto ao que o coração nos diz, muitas vezes defendendo duas causas em paralelo e aumentando assim a confusão, os gatos enfiados no saco da nossa capacidade decisória.

 

Claro que uma pessoa equilibrada aprende a viver com essas coisas inerentes à nossa condição de criaturas imperfeitas que precisam interagir para que a vida aconteça como deve ser, muitas vezes não como a queremos. Para uma dessas pessoas, este tipo de desabafo só pode soar como uma calimerice, um choradinho de quem é fraco e precisa angariar palmadinhas nas costas quando enfrenta algum tipo de aflição.

Puro engano, embora isto seja fácil de dizer para mim nesta pele de juiz em causa própria que tem plena consciência da irrelevância desse tipo de opinião ou de embirração ou seja o que for que marca o território das nossas diferenças e das divergências que elas acarretam.

 

Esta é uma forma como outra qualquer de pensarmos com os nossos botões, de expurgarmos as emoções excessivas que possam toldar o bom senso imprescindível para vermos com clareza todos os vértices de cada questão com que nos confrontamos, mais urgente ainda quando estão em causa decisões que não podem ser confiadas à leviandade do primeiro impulso, esse ganda maluko que, por muito que nos torne pessoas giras de observar nas suas existências conturbadas mas intensas, acaba por estar na origem das maiores imbecilidades de que nos admitimos responsáveis e pode até constituir um factor determinante ao longo de toda uma vida, quando por exemplo o arrependimento pode degenerar em remorso ou coisa parecida.

 

E naquela cena do sentido da vida ficamos conversados assim.

publicado por shark às 12:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Quinta-feira, 10.02.11

QUE GRANDE MUBARRAKA!

Acaba de acontecer um erro colossal por parte de Mubarak e ninguém tente adivinhar as respectivas consequências já nas próximas horas.

 

Francisco Louçã, de resto, tinha já dado um sinal claro de que hoje não foi um bom dia para anunciar decisões importantes (leia-se desastradas).

publicado por shark às 21:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

SOLIDÃO PÓSTUMA

Uma pessoa morre no seu apartamento localizado no meio de uma freguesia com mais de 40 mil habitantes e só dão por isso oito anos depois?

Cada vez são mais macabros os indicadores da evolução da felicidade na selva (sub)urbana.

publicado por shark às 00:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (15)
Quarta-feira, 09.02.11

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

 

altos e baixos

Foto: Shark

 

publicado por shark às 16:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Terça-feira, 08.02.11

TÁCTICA DO QUADRADO FOR DUMMIES

Então lá estavam o Mestre de Aviz e D.Nuno Álvares Pereira na sua, em pleno ano de 1385, quando o Rei de Castela desatinou e com a fúria da birra toca de reunir um exército e entrar por aqui adentro e é tudo nosso e o camandro.

Os invasores, montes deles e por isso todos armados ao pingarelho, lá foram avançando e a ideia era darem a Lisboa o mesmo destino que dariam a Olivença uns anitos mais tarde. A chatice para eles é que o D.Nuno tinha uma santa e condestável carola, para além de os ter no sítio como a maioria dos portugas daquele tempo, e vai de nem querer esperar na capital pela chegada dos malandros: vamos mas é pregar-lhes uma valente aljuderrota!

 

A malta até alinhou logo, na boa, bute lá e coiso que só temos que aviar (aqui é quando a padeira topa a janela de oportunidade, manganona danada pró negócio) cinco ou seis cada um, sempre damos uma voltinha e depois de lá estarmos logo se vê (deixando tudo para a última da hora, como a maioria dos portugas de agora), mas naquela de que ia ser o cabo dos trabalhos para darem a volta à situação (até porque o Cristiano Ronaldo não jogava nesse tempo).

 

O azar dos nuestros amigos da onça é que para além de D. Nuno ser um grande amigão do Mestre João que acabou por ser o primeiro quando lhe ofereceram umas coroas (para ele e para a patroa) para tomar conta do Reino, tinha uma ligação próxima com o Divino e, pelo menos de acordo com os manuais escolares do tempo da velha senhora, fez umas rezas e meteu uma cunha (começámos de pequeninos com essa mania) e deve-lhe ter surgido uma aparição (ali na zona parece que é costume) e podia ser um hexágono ou um triângulo isósceles mas acabou por ser um quadrado.

E ele não vai de modas, toca de engendrar uma maneira de arrumar a malta no terreno ainda mais eficaz que as do Zé Mourinho (não desfazendo, que também era homem para fazer peito aos espanhóis nem que fossem do Barcelona):

 

 

 

 

VVVVVVVVVVVVVVVV£VVVVVVVV

 

>                                              <

>                                              <

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>                                              <

>                                              <

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

 

 

Oo    O  oo     O ooO   OOO o O

 

 

Legenda:

 

V - Retaguarda comandada pelo Mestre de Aviz

£ - Cavaleiros ingleses que vieram dar uma mãozinha

> - Ala das Madressilvas

< - Ala dos Namorados

A - Linha da frente, a carne para canhão comandada por D. Nuno

O - Covas dos lobos, uns buracos cobertos por folhas onde alguns cavaleiros inimigos tropeçaram (vivaços portugas: a pregarem partidas e endrominarem a estranja desde 1385)

M - Os maus da fita

 

 

 

A ideia era a primeira linha enfrentar o embate inicial e ir recuando como quem não quer a coisa, ah e tal, credo, tão fortes e maus que são estes numerosos coños, enquanto a rapaziada das alas ficava de ladecos, à coca do momento certo para entrarem em cena. À esquerda (a vossa direita) e não havendo à mão militantes socialistas, comunas ou bloquistas ficou a Ala dos Namorados (séculos mais tarde até gravaram uns CD's), à direita (a vossa esquerda) ficou a Ala das Madressilvas (que não eram nenhumas Madre Teresas), mais para trás e com o ar de quem até estava numa de façam de conta que nem estamos cá ficou o contingente de reserva para o golpe de misericórdia nos incautos e à frente, bem vistas as coisas, estavam os verbos de encher...

Bom, às tantas alguém viu os castelhanos ao longe: malta, os gajos vêm aí e são bués!

Pouco depois já estava tudo embrulhado à trolha e a linha da frente começou a ceder o miolo do terreno ao adversário:

 

 

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AAAA MMMMM           AAAA

MMMMMMM

MMMMMMMMMM

MMMMMMMMMMMMMMMM

MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

 

 

 

Por esta altura já os arqueiros da Ala das Madressilvas estavam a afiar não as naifas mas as setas que não tardariam a chover sobre os mânfios castelhanos, enquanto os laterais da Ala dos Namorados se preparavam para dar umas beijocas daquelas que até põem um gajo a ver estrelas.

Lá atrás, a assobiarem para o tecto, continuavam os pontas de lança à espera do seu lance de contra ataque.

Os da frente, coitados, quem vai à guerra dá e leva, lá faziam o melhor que podiam para defenderem a baliza improvisada enquanto os adversários avançavam a lamberem os beiços perante a goleada que previam (eramos tão poucos que parecíamos o Arrentela Futebol Clube já com três gajos expulsos a jogar para a Taça contra onze do Benfica).

Mas lá está: os castelhanos todos eufóricos a tentarem resolver rapidamente a partida e afinal quem lhes pregou uma foi o D. Nuno quando mandou avançar pelas faixas laterais.

A Ala dos Namorados (que até parecia um exército de Fábios Coentrões e de Hulks) caiu-lhes em cima com ganas de vou-me a eles e fico todo negro e a dos Madressilvas começou a centrar para a grande área (onde os castelhanos se viram encurralados) e só não choveram canivetes em cima dos outros porque não havia. Mas havia setas à pazada e pazadas na padaria e os desgraçados no meio, desorientados, aos encontrões uns aos outros sem saberem de onde elas lhes mordiam.

Os da linha da frente reagruparam-se na linha de trás dos inimigos e de repente eles começaram a querer ver Portugal pelas costas.

E depois avançou a linha recuada, fechou-se a caixinha e pronto, os espanhóis foram apanhados em fora de jogo:

 

 

 

 

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AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

 

 

 

Claro está que tamanho não foi documento e os castelhanos, traídos pelo excesso de confiança numa cavalaria medieval pesada que encontrou em Aljubarrota um exército de abre-latas, acabaram a bater em retirada ao longo da qual, contas por ajustar, a população rural da região de Alcobaça terá dizimado ainda mais inimigos do que os tombados ao longo do que pensavam ter sido a única batalha.

 

Depois (era uma vez) o Mestre tornou-se Rei, os castelhanos que sobravam mais alguns sobreviventes traidores da nobreza que decidiram jogar pela outra equipa meteram a viola no saco e piraram-se para o lado de lá da fronteira sem saberem muito bem o que lhes tinha acontecido e os portugas viveram felizes e independentes (quase) para sempre porque pelo meio ainda houve aquele nosso monarca tonto que em vez de água meteu nevoeiro e lá tivemos que correr com eles outra vez à bruta.

 

Mas esse, se vocês quiserem, poderá ser o tema de outra posta deste estilo lençol didático para mentes ligeiras e olhares pouco apressados.

publicado por shark às 20:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)

A POSTA NA DIAGONAL

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publicado por shark às 11:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (19)
Segunda-feira, 07.02.11

VAMOS ABANCAR?

 

vamos abancar

Foto: Shark

 

publicado por shark às 16:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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