Terça-feira, 11.01.11

A POSTA QUE MATAR ALGUÉM NÃO É COISA DE GENTE BOA

Fui, durante alguns anos, colega do Carlos Castro na revista Eles & Elas. Dessa experiência não retenho boas recordações. Eu não gostava do CC e ele não gostava de mim e claro que isso não criava o melhor dos ambientes quando se passavam horas numa redacção.

Continuei, mesmo depois de abandonar a carreira, a acompanhar o percurso dele por via do que na Comunicação Social e pela boca de relacionamentos comuns se ia sabendo de uma pessoa que era tudo menos discreta e continuei a não gostar do cromo, tal como não me entusiasmava a sua forma de ser ou de estar.

Contudo, agora que tomei conhecimento disto e apesar de achar que na triste sucessão de acontecimentos que culminaram na sua morte não existem inocentes, percebo o quanto é fácil ignorar que se não houve inocentes ninguém pode negar que existiu uma vítima e essa foi um sexagenário com pouco mais de metro e meio assassinado por alguém com a força de um corpo jovem e com a crueldade ou a loucura necessárias para ficar entretido na mutilação de um cadáver ao longo de cerca de uma hora.

 

Só os próprios conhecerão a verdade dos factos que conduziram ao desfecho brutal. E insisto que seria hipócrita se assumisse alguma espécie de emoção provocada pela perda de alguém a quem não reconheci no passado como não reconheço agora qualquer mérito em especial e que até me indignava por fazer parte de uma faceta do mundo que desprezo, a da promoção de pessoas por amizade em vez de pela sua reconhecida capacidade.

De acordo com o que se vai sabendo, o teor da ligação entre a vítima do crime hediondo e o seu algoz assentava precisamente numa dessas relações por interesse (provavelmente mútuo) e por isso não posso alhear-me do papel do CC na caminhada até ao que seria o seu cadafalso.

Da mesma forma seria absurdo virar a cara ao facto de quem o matou, qualquer que tenha sido o seu passado de bom rapazinho, ser um assassino e essa é uma condição que nenhuma atenuante pode lavar. Tirando a legítima defesa e em condições extremas, nada poderá branquear a indignidade de tirar a vida a outrem.

 

Aqui entra a questão da pena a aplicar ao criminoso confesso, sendo óbvio que o velho gaiteiro e maricas (como será fácil pintar o defunto) sairá sempre mal no boneco por confronto com o jovem cheio de futuros promissores e de passados imaculados de quem, provavelmente, aproveitou o excesso de ambição.

Mas porra, o Carlos Castro, homem que ainda hoje detesto, não merecia morrer por nada do que fez. Foi brutalmente assassinado por um fulano que ainda entendeu mutilar o corpo depois. Não foi outra pessoa, foi aquele rapazinho de Cantanhede quem o fez e já o confessou.

 

Entre a prisão perpétua possível e que priva a sociedade da presença de alguém que pode no futuro voltar a meter-se em situações complexas e que possam despoletar de novo o seu dark side e os 25 anos pelos quais torcerão os protagonistas do tal cordão humano depois da missa para defender a imagem do filho da terra, eu acabo sempre por assentar a minha atenção num homem que morreu antes do seu tempo às mãos de um rapazola que de repente ficou possesso.

 

E esse tipo porreiro é um assassino. Confesso.

 

 

 

publicado por shark às 10:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)
Segunda-feira, 10.01.11

EU GOSTO DE PESSOAS

 

rabo de cavalo

Foto: Shark

 

publicado por shark às 16:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)

E DE QUEM OU DO QUE É QUE O GAJO TÁ A FALAR DESTA VEZ?

À minha imagem e semelhança, que um blogue - fiel como um cão e igualmente melhor amigo do Homem - acaba sempre por ser um espelho do dono, o Charquinho está repleto de postas dedicadas a maledicência, algumas delas indignas de mim e dos/as visadas mas nem todas.

Creio que existirá alguma explicação científica (do foro psiquiátrico) para a questão, mas o certo é que a pessoa raramente consegue reprimir esse apelo à má língua e para lhe dar largas nem são precisos pretextos, embora ajudem.

 

Como já referi, tenho por hábito cirandar pela blogosfera em busca de novos prazeres. A gaita é que na maioria dos casos em vez de deleite encontro os tais pretextos para sacar da naifa verbal (embora na ordem do dia esteja o saca-rolhas, esse instrumento letal para tintos alentejanos e agora também para outras colheitas) e embora tente reprimir esses exercícios de corte na casaca alheia há dias em que passo demasiado tempo na caixa de comentários do Aspirina para lograr o sucesso nessa contenção.

Obviamente é simples apontar a uma fragilidade evidente destes meus arremedos de maledicência: são na sua maioria direccionados a alvos por identificar. E isso coloca logo o saca-rolhas nas mentes de quem interpreta isso como um acto de cobardia, ah e tal que o gajo não tem tomates para chamar os bois pelos nomes, quando na prática é precisamente isso que quero evitar, chamar nomes às pessoas que é coisa malcriada.

 

Porém, nada disso obsta a que me sinta no direito de investir o meu tempo na trollitada ao cretino desconhecido (para quem me lê, pois para minha surpresa todas as investidas acabam por encaixar como carapuças nos/as visados/as) e daí resultam estas prosas sem jeito nenhum que nada de novo trazem e muito de usado implicam.

Em causa está a forma rebuscada como a malta lida com determinados assuntos, rodeando até à exaustão o cerne da questão numa carrada de paninhos quentes que acabam por abafar as conclusões que certamente estariam na ideia dos/as colegas a quem posso referir-me nesta instância. De resto, eu mesmo já esbanjei uma data de linhas sem dizer de concreto ao que venho.

 

Resta-me então rematar o assunto com uma simples observação que ilustre o meu objectivo.

Acontece que por vezes me empenho na leitura de lençóis de ilustres da nossa comunidade e chego ao fim com a boca a saber a nada.

É que os raciocínios são tão complexos, tão circulares, que as postas (e as mentes dos seus autores, por tabela) acabam por comer o próprio rabo, como a pescada....

publicado por shark às 14:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)

A POSTA NOS ENCHIDOS DE TUBARÃO

Se há posta complicada de atacar é a primeira da semana, escrita à segunda-feira e por isso condicionada à partida com um estado de espírito pouco propício por inerência. Contudo, existe uma carga associada a esta espécie de responsabilidade que um gajo assume de arranjar alguma coisa de jeito para não defraudar as expectativas da malta logo num dia destes em que o que faz falta é animá-la...

 

O tema é sempre a dor de cabeça principal, isto aproveitando já o embalo, pois quando ele existe por algum motivo a posta sai por si numa boa. Já naqueles dias em que a pessoa tem mesmo que improvisar (o que estou a fazer de forma descarada, como se deve perceber desse lado) a página em branco parece um obstáculo intransponível.

O problema está na pressão que, cena tola, quem bloga de borla e sem compromissos firmados acaba por se impor, nem que seja pelo medo do ridículo, pelo brio que fica sempre bem ou apenas porque um gajo ou parece que precisa de provar algo a alguém nesta fase do campeonato ou possui um editor-chefe imaginário que lhe observa a página em branco quando passa por detrás da nossa secretária.

Seja o que for acaba por funcionar, literalmente, como uma força do bloqueio e pode implicar tempo precioso investido a olhar para o monitor ou a escrever para apagar de seguida ou mesmo para adiar a coisa para outra altura, uma frustração do camandro.

 

Sim, eu também me apercebi do paralelo embutido no parágrafo anterior com o efeito do excesso de pressão (ou de ansiedade) enquanto força do bloqueio para outros desafios que um gajo tem que estar, como na tropa, preparado para enfrentar mesmo a uma segunda-feira de madrugada (antes do meio-dia, mais concretamente).

Todavia, sentir-me-ia constrangido se aproveitasse a deixa do raciocínio para me escapulir do problema supra e mergulhar numa incursão ligeira, brejeira até, por um tema recorrente que tem sempre muita saída mas talvez possa ser de digestão complicada quando a pessoa não conseguiu ainda afastar a ramela (psicológica) da máquina complexa onde se fazem as postas.

 

E pronto, agora para não me alongar e porque já enchi um chouriçito sem precisar de falar dos sapatos que (não) comprei ou do excelente resultado obtido pelo meu ésseélebê vou retirar-me de novo para a labuta.

 

Não sem antes vos agradecer a paciência e vos desejar votos sinceros de um excelente início de semana!

publicado por shark às 11:40 | linque da posta | sou todo ouvidos

TROVÃO

 

trovão

Foto/Imagem: Shark

 

publicado por shark às 00:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Domingo, 09.01.11

PURE CHESS

- Ó Cavalo das Brancas, porque é que está um Peão no lugar do vosso Rei???

- Nem me digas nada, Torre das Pretas. É que o nosso Rei perdeu o referendo à Monarquia e depois os republicanos promoveram eleições democráticas...

publicado por shark às 23:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

JET SEIS

Confesso que apanhei um susto quando me disseram que um jovem modelo tinha assassinado e castrado o Castro, ainda por cima em Nova Iorque.

 

Mas depois esclareceram-me que não se tratava do Fidel...

publicado por shark às 16:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sábado, 08.01.11

ENTARDECER

 

a acabar como começou

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 18:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

OU TALVEZ SÓ DEPOIS

Percorreu com um olhar de cetim aquele corpo nu de uma deusa como a via naquele instante no seu tempo em que o paraíso explodia dentro de si.

Encantado, ajoelhado como em reverência, e ela na cama, deitada, em toda a sua magnificência de criatura perfeita, olhar endiabrado em corpo angelical, sentindo por antecipação o toque firme mas suave de uma mão que ele aproximava devagar daquela linha de separação entre a terra e o céu, a pele macia que estremeceu ao contacto com o seu calor.

Queria fazer o amor sublime naquela cama, despertar nela a mesma chama que sentia arder em todo o homem que queria ser naquele instante do seu tempo feliz. Adorada, tocada como porcelana rara, valiosa, encantadora, a mulher feita deusa, feiticeira, que se entregava, disponível, ansiosa pelas sensações que ele lhe oferecia agora, lábios perdidos na imensidão do universo paralelo que percorriam os dois, corpos convertidos em paraísos perdidos, a ilha deserta recriada naquela cama onde ela, espalhada, o sentia sôfrego como um náufrago em busca da salvação, possuído, também ele, pela emoção que arfava no peito que lhe roçava nas costas no seu movimento de vaivém, pelo espaço, na ausência da gravidade, ainda que terrenos no som que produziam, as palavras insanas que proferiam como válvulas de escape da pressão crescente que os agitava em simultâneo quando no horizonte das suas mentes o sol finalmente nasceu, em órbita descendente para o reencontro naquela cama, onde ela, deitada, o beijou com a força desesperada da amante convencida de que o mundo iria certamente acabar amanhã.

publicado por shark às 17:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

BLACK & WHITE

 

sólida

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 15:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sexta-feira, 07.01.11

DEIXA-TE AMAR

Deixa-te espalhar, pelo vento, pelo ar, voa até a um tempo onde possas descobrir a essência que deste por perdida, a inocência que dizes esquecida mas que te retrata no olhar a menina que nunca te quis abandonar e sempre que ris se manifesta, aproveita aquilo que te resta depois do desperdício que às tantas se tornou num vício que a preguiça te impôs.

Deixa-te flutuar, sem pressa, pela superfície do mar, como se fosses uma mensagem enviada por alguém, embarca numa viagem que te faça bem e aproveita para esqueceres ao longo desse rumo os deveres a que te obrigam os outros, soprados como fumo pelo vento, pelo ar, até um tempo em que conseguias acreditar no amor verdadeiro e te permitias suspirar um dia inteiro a lembrança de um rosto capaz de te fazer sentir feliz, aceita o que te diz quem te recomenda que te deixes ir, espalhada em partículas tão pequenas que ninguém consiga perceber que és tu quem o vento transporta, talvez até à porta de um castelo no passado ou de um refúgio que sintas sagrado no futuro que deves abraçar como o único sentido para onde apontar a tabuleta que sabes trazer inscrita no teu coração adormecido, para onde o vento te levar, a bem contigo e com os outros para poderes distinguir os poucos que te sirvam na difícil tarefa que na verdade terás que aceitar, a felicidade por encontrar e tu parada à espera de uma coincidência afortunada, devagar, quase parada nessa promessa adiada de que tudo se resolverá por si.

 

Deixa que se apodere de ti uma energia imensa, liberta essa vontade intensa que te quer arrastar, pelo vento, pelo mar, até um momento em que te percebas renascida enquanto mulher com amor pela vida e possas por fim reagrupar tudo aquilo que deixes agora espalhar como semente e que te fará regressar nesse preciso instante à forma original de uma flor exactamente igual àquela que um homem apaixonado terá com a sua mão abraçado com a gentileza devida.

 

Pouco antes, ou mesmo no momento de te ser oferecida.

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publicado por shark às 14:46 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (22)

UM PAR DE PRESSÕES DE AR

Agora que começou o previsível tiroteio entre o candidato (mais ou menos) de direita e o candidato (dizem as sondagens) melhor colocado à esquerda, a campanha presidencial dá um ar da sua graça e quase acreditamos que irá mobilizar o eleitorado de forma decisiva para o plebiscito que se aproxima.

Porém, à fisga dos Davides de uma campanha alegre mas pobrezinha que abraçou o BPN e as (boas ou más) acções de Cavaco que parece terem rendido uma soma apreciável ao candidato sucede-se a pólvora seca da publicidade assinada pelo Manuel caçador onde um desabafo acerca da cobiça de um par de armas xpto terá valido um cheque de 1500 euros ao único barbudo deste tango que se mostra cada vez mais uma tanga para nos dar baile.

 

O que os mentores das campanhas de Alegre e de Cavaco ainda não perceberam é que os seus tiros estão a acertar tão fora do alvo (se de facto tiverem um) que mais parecem utilizar balas bumerangue.

Na prática, estes atiradores estrábicos que aparentemente presumem criar uma vaga de interesse popular quanto a uma eleição que tresanda a abstenção estão a disparar para os próprios pés. Senão vejamos: quem, de direita ou mesmo indeciso, deixará de votar Cavaco por o saber hábil na obtenção de lucros à conta da gestão de influências que, todos sabemos, é the portuga way de fazer as coisas? E quem, de esquerda ou assim-assim, renegará o poeta por lhe conhecer a ingenuidade extrema de permitir a publicação de um texto seu enquanto adorno (engodo) publicitário e depois ainda devolver (ou tentar ou logo se vê) ao anunciante aquilo que lhe foi pago, no fundo apenas mais uma confirmação da falta de jeito da malta de esquerda para lidar com os melindres que o capitalismo induz?

 

Fica tudo na mesma, sabemos todos, depois de confirmadas a presumível inocência de Cavaco e a provável ignorância de Alegre. Os sistemas em causa, o político e o financeiro, já deram provas no passado deste país e de outros da sua capacidade de baralharem as contas com o fogo de artifício que não mata pássaros mas apenas assusta os passarões que se vêem na mira dos desastrados caçadores de macambúzios que acabam por no final espantarem a caça com a barulheira inconsequente dos seus disparos comprometedores da imagem pública dos candidatos no seu todo, pois o povo tem dedo leve no gatilho quanto a generalizações e está farto de escândalos sem crime nem castigo.

 

No final de toda esta autêntica caçada à raposa (porque saem todos chumbados) restará apenas a conclusão do costume quanto à eficácia dos mentores das campanhas eleitorais que muitas vezes atrapalham mais do que ajudam pois é cada tiro, cada melro.

E no caso em apreço cada melro abatido representa menos uma data de gente que não irá dar-se ao trabalho de procurar o cartão de eleitor para poder contribuir nesta cada vez mais fácil, porque menos concorrida, e cada vez mais patética, porque menos esclarecida, contagem de espingardas.

publicado por shark às 10:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quinta-feira, 06.01.11

A VOAR NA TELA

 

a voar na tela

Foto: Shark

 

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publicado por shark às 23:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

A POSTA LIBERTADORA

Um dos exemplos mais flagrantes da falta de esperteza que assumi mais abaixo, e perdoem-me mais esta incursão pelo delírio umbiguista, é a forma como sou incapaz de ignorar as desconsiderações por parte de quem de alguma forma sinto ou senti como próximo/a. E o maior indicador da ausência de esperteza é o facto de existir um ponto em comum entre as pessoas a quem atribuo essa negligência que sinto hostil: o de não merecerem, de todo e por diversas razões que não devem ser confundidas com algum tipo de culpa, tamanha relevância na minha estrutura emocional.

Mas o indicador ainda mais óbvio é o de constatar que eu próprio incorro em manifestações da mesma desconsideração para com pessoas que não merecem, de todo e por diversas razões que não devem ser confundidas com algum tipo de obrigação da minha parte, tamanha exibição de um afastamento que eu sei, porque o penso e porque o sinto, ser meramente artificial.

 

Talvez neste estranho paradoxo, e com imensa boa vontade aplicada a um raciocínio relativamente simples e perfeitamente defensável, se consiga encontrar apenas mais uma evidência do equilíbrio que a vida parece exímia em impor a tudo o que a faz.

publicado por shark às 22:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

A POSTA NUM PRESENTE ENVENENADO CHAMADO FUTURO

Conheço-a há vários anos e tem praticamente a minha idade. Estivemos um bocado à conversa, livres de falarmos sem reservas porque ainda que não existisse o pressuposto de confiança bastaria o facto de às tantas uma pessoa perceber que não vale a pena encher chouriço com conversa da treta.

Fomos parar à complicada engenharia financeira que lhe tem sido requerida para conseguir manter a vida a funcionar, nomeadamente a das filhas que são pretexto mais do que suficiente para alguém fazer tudo o que está ao seu alcance para evitar trambolhões mais sérios.

Enquanto a ouvia fui-me apercebendo de como este tipo de conversa me é familiar, não apenas pela minha própria experiência nas difíceis negociações de quem enfrenta problemas de pilim mas porque é o tipo de conversa que ouvíamos da boca dos nossos pais quando a crise era crónica e a classe média era quase toda baixa.

 

A quem viveu antes do 25 de Abril não reconheço legitimidade para falar de crise nos termos em que se fala. Dantes é que era. A malta fartava-se de trabalhar e nunca havia dinheiro para mordomias. Uma televisão a preto e branco era um luxo e um carro novo era impensável. As compras eram feitas com tino e as iguarias só apareciam em meia dúzia de dias especiais e não era de caviar que se tratava mas de uma pescada cozida ou de um bife mais parecido com lombo e que não obrigava a uma sessão de martelada para ficar possível de mastigar.

Essa geração, a dos nossos pais, aprendia cedo a viver com pouco e raramente alimentava fantasias como viagens ao estrangeiro e outras realidades ao alcance de muito poucos no Portugal mais africano do que europeu.

 

Talvez por isso, e porque de repente começaram a poder mandar os filhos para a escola como os dos ricos e a acreditarem-nos futuros doutores (o que nesse tempo constituía passaporte garantido para uma vida noutra dimensão), foi-se espalhando a noção de que a minha geração nunca saberia o que são dificuldades e jamais teria que enfrentar os problemas que tantos cabelos brancos plantaram na geração anterior.

Contudo, essa ilusão que a entrada para a então denominada CEE tornou ainda mais tangível não era um dado adquirido e apesar de a banca ter inventado forma de lá chegarmos, às viagens, aos carros novos e até à casa própria, essa concretização do que para os nossos pais deslumbrados era um dado adquirido acabou por nos enredar aos poucos num esquema de endividamento suave concebido para tempos de vacas gordas mas letal quando começa a chover e os bancos reclamam os seus guarda-chuvas de volta.

 

Impensável anos atrás, a realidade do quotidiano de boa parte das pessoas da minha geração passou a incluir as mesmas horas de contabilidade analítica que se fazia quando estavam em causa as despesas correntes e, quando muito, alguma dívida contraída junto da família ou de amigos na sequência de alguma aflição inesperada. Mas as nossas despesas normais incluem coisas tão aparentemente indispensáveis como a mensalidade da TV Cabo e os nossos pais baldavam-se à taxa da tv que era apenas um dos vários papões que eles fintavam. E não foram precisos quaisquer dramas para também nós somarmos aos custos normais de funcionamento (comida, roupa, coisas assim), já de si inflaccionados pela recusa em remendar um rasgão nas calças para as manter ao serviço mais uns anos, as prestações devidas ao agiota institucional.

 

A minha amiga disse-me, depois de resumida a conversa de surdos com um funcionário de uma instituição financeira qualquer acerca de um crédito cuja mensalidade bateu no poste, que quer pagar tudo o que deva seja a quem for. E desabafou o facto de essa nobre intenção não fazer qualquer diferença na atitude dos credores modernos, bem como na arquitectura impiedosa dos seus processos de recuperação do malparado que transformam de um momento para o outro um cidadão normal e, pouco importa, cumpridor zeloso ao longo de anos a fio, num pária, numa pessoa sem lugar no sistema, sem direito ao mesmo tratamento de um cidadão de pleno direito que é aquele que não dá chatices a ninguém.

 

E é aí que a porca torce o rabo a sério quando comparamos a nossa geração com a anterior em igualdade de circunstâncias (com o credo na boca) percebemos que hoje não existe o merceeiro compreensivo mais o seu paciente livro de fiados, tal como não existe o senhorio que até conhecemos há muitos anos e que nos dá a goela de uns meses sem pagar a renda porque sabe que não ficará a arder se nos der essa abébia. E os amigos e a família estão sempre todos cheios de dificuldades e alguns olham para nós, os que se vêem à rasca, como uns inconscientes que gastaram mais do que ganham e por isso não são de fiar em termos de gestão do seu dinheiro e acabam por restar os braços abertos da cofidis ou pior para nos valer quando precisamos de evitar que nos ponham na rua sem contemplações como o sistema agora propõe aos que lhe falham com o tributo burguês.

 

Agora é só transportarmos a coisa para um futuro onde as reformas podem não passar de uma miragem e é fazer a conta...

publicado por shark às 11:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Quarta-feira, 05.01.11

O MEU RIO CHAMA-SE TEJO

 

bilhete de ida

Foto: Shark

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publicado por shark às 21:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

A POSTA QUE ESTA POSTA SE VALIDA POR SI

A inteligência, esse alegado atributo, sempre foi um factor sobrevalorizado sobretudo quando aplicado a cidadãos comuns. Se em teoria o reconhecimento da inteligência de alguém constitui um factor de orgulho, na prática o mundo é dos espertos e aos inteligentes, a maioria deles/as, resta pouco mais do que o consolo da vaidade pois o esquema das coisas acaba por privilegiar a maior aptidão para puxar a brasa à própria sardinha ou à das pessoas que interessam (na óptica pragmática da questão).

 

Temos em Portugal dois Prémios Nobel e de um deles a maioria nem sabe o nome, sendo precisamente aquele que se distinguiu mais pela inteligência o que menos brilhou à beira do outro, a quem o talento catapultou para o reconhecimento a nível mundial.

Qualquer desses dois inteligentes jamais auferiu fama ou proveito comparáveis com a de outra dupla de portugueses, Figo e Cristiano Ronaldo, habilidosos na prática de um desporto mas que na prática nunca ganharam seja o que for pelo seu país.

E podia construir uma posta interminável se insistisse neste tipo de comparações que provam o quanto a inteligência de pouco vale a quem não tiver a esperteza para a aplicar ou um jeito especial para as coisas que o povo, qualquer povo, verdadeiramente aprecia.

 

A verdade dos factos diz-nos que a inteligência pouco mais angaria do que inveja por parte de quem percebe não a possuir. Poucos domínios da actividade humana reconhecem a inteligência como valiosa e mesmo na realidade dessas áreas são os inteligentes mais hábeis ou espertos a lograrem o maior reconhecimento e as melhores contrapartidas.

De resto, e personalizando a questão (que é para isso que um blogue também serve), sou um homem com 45 anos de idade a quem ao longo da vida chamaram muitas vezes inteligente, que bom que bom, mas enquanto ao meu QI com três algarismos corresponde uma licenciatura por acabar, uma situação profissional e financeira paupérrima e uma manifesta inépcia em lidar com os outros (os que fazem acontecer) que se traduz num fracasso global que a merda da inteligência só serve para definir com contornos ainda mais nítidos e, por inerência, mais cruéis, pessoas muito próximas a quem ninguém valorizou pela inteligência foram espertas o suficiente para agarrarem as oportunidades (ou criarem-nas) para manterem um nível de vida bem mais elevado e confortável do que o meu. Conseguem até sucessos que no meu percurso nunca pude contabilizar.

É a verdade dos factos e confirma tudo o que tenho estado a dizer.

 

Aliás, quase sete anos investidos neste e noutros blogues, talento que ninguém pode negar e inteligência que me esforço por aplicar, resultaram apenas em perda financeira (o mesmo tempo e energia investidos em algo de compensador teria sido mais esperto) e rigorosamente nada de bom em concreto trouxeram à minha vida e à de quem me compete sustentar.

A inteligência, essa pérola, acaba por ter a mesma utilidade de um rolo de papel higiénico ou ainda menor pois recolhe-se um dividendo prático e imediato da utilização do papel mas no caso da inteligência (e da sua eterna aliada lucidez) a merda não só não se limpa como acaba por se acrescentar, como acontece quase sempre a quem pensa demais e não tem a esperteza necessária sequer para saber direccionar de forma compensadora e minimamente lucrativa o esforço intelectual.

É que as ostras uma pessoa ainda pode comê-las, mas as pérolas têm o valor nutritivo que se sabe…

 

Na realidade do mundo a inteligência, salvo raras excepções, é uma vantagem competitiva tão nula quanto a de uma medalha atribuída a um soldado. Pode-se exibi-la com orgulho, mas sem uma boa dose de esperteza nunca implicará algum tipo de promoção.

publicado por shark às 13:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

ESCOLHÊ-LOS PELA PINTA

Nas conversas de café, sempre que alguém fala mal do Sócrates levanta-se de imediato um bruá entre a multidão circundante e de homossexual a vigarista e gatuno tudo vale para denegrir o homem.

Mas quando na televisão alguém toca no assunto BPN e na forma como Cavaco Silva parece embrulhado na confusão até às orelhas toda a gente manifesta a sua indignação pela campanha suja contra o pobre coitado, um homem tão sério e tal.

 

Nesta dualidade de critérios percebe-se o quanto uma boa parte do eleitorado vai decidindo o futuro deste país com base nos mesmos mecanismos que utiliza para desenvolver as suas simpatias ou antagonismos relativamente às personagens das novelas.

publicado por shark às 10:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Terça-feira, 04.01.11

DE PAPO CHEIO

Quem me conhece sabe bem o que sou. Sou um zé ninguém, um agente de seguros que por acaso até bloga e igualmente por acaso às vezes saem-me coisas giras e a malta gosta. Contudo, isso não muda seja o que for no pressuposto introdutório desta posta. Sou mesmo um gajo como os outros, sem nada de especial a assinalar que não uma virilidade extraordinária (isto num plano estritamente verbal, que é do que estamos a falar agora).

Por isso, quando vejo o Dr. Fernando Nobre em plena entrevista à Judite (se a doutora me permite a informalidade) referir-se ao episódio das galinhas que abordei aqui e afirmar que até leu um cronista muito inteligente que afirmava que as crianças não perseguiriam o pão mas sim as galinhas e colocou o tal cronista no lugar e em directo com a referência de que as galinhas têm dono e por isso as crianças não lhes poderiam tocar, quando vejo isto não posso deixar de cantar de galo e, à falta de qualquer outra menção a inteligentes cronistas que tenham pegado pela coisa por esse prisma, acreditar que era à minha posta e a mim mesmo que o doutor candidato se referia (até porque basta googlar "fernando nobre galinhas" para perceber que é mesmo muito fácil dar com a tal posta).

 

Claro que não tardarei a perceber que afinal um cronista inteligente propriamente dito até publicou a mesma ideia num qualquer jornal de referência e era a esse e não ao tubarão que o Dr. Fernando Nobre se referia.

Mas até esse dia chegar vou mesmo acreditar que foi nesta vossa casa que o ilustre candidato à Presidência da República bebeu aquela referência e por isso vou aguardar com serenidade o convite para o Combate de Blogues ou no mínimo para a assessoria de imagem do gerente da Casa dos Frangos de Moscavide.

publicado por shark às 21:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

A POSTA QUE VEM AÍ BORRASCA

Há dias bons e há dias maus.

E agora que acabo de revelar a pólvora sem fumo, num verdadeiro prodígio de elasticidade mental, passo a explanar a ideia como eu a vejo.

 

Na escrita sou bipolar. Exactamente isso. E não é uma questão de tomar ou não os comprimidos, faz parte do meu percurso esse ziguezaguear entre a exaltação do amor, das flores e de todas as coisas boas e bonitas da vida ou, em dias dos outros, chafurdar até onde os meus travões mentais permitem nesta exibição pública dos meus humores.

Ao contrário do que sempre esperei, a passagem dos anos confere de facto alguma maturidade, alguma ponderação à pessoa mas pode até produzir o efeito contrário no escriba.

É o meu caso, cada vez mais em apuros para decidir o que publicar aqui ou não (sendo essa, de resto, a única e exclusiva motivação para as tentativas pontuais e falhadas de escrever noutros espaços e com outros nicks algumas coisas que sinto excessivas para este que é a menina dos meus olhos em matéria blogueira).

 

Bom, mas e que têm vocês a ver com tudo isto? Nada. O vosso papel é observarem e gostarem ou não. Se sim, voltam. Se não, o contador e as caixas de comentários nunca me esconderam nada. Contudo, eu não consigo deixar de vos entender como o pão para a minha boca blogueira e por isso me desdobro em tentativas mais ou menos bem sucedidas de explicar (justificar?) alguns insólitos que não raras vezes afastam pessoas do espaço que acarinho há mais de seis anos à custa de mais de mim do que possam julgar.

E é aqui que entra a preocupação que me leva a esboçar um paninho quente para o que possa vir aí de menos prazenteiro, na sequência da tal dificuldade que vos expliquei acima. É uma espécie de bolinha vermelha ao canto, não porque ande particularmente inspirado para temas eróticos mas porque pouca gente "ousa" lincar o meu blogue e ainda menos comentá-lo e cada vez menos visitá-lo sequer e isso diz-me que manter a mesma passada equivale a fazer a cama na qual este blogue se deitará, seguindo o exemplo de tantos outros.

 

De concreto digo-vos o quê? Que vou querer ser mais livre de dizer o que me vai na alma e isso tem um preço, tanto para mim que me exponho como para vocês que me avaliam e desenham imagens e expectativas que podem sentir defraudadas se a coisa mudar muito.

E eu sinto que vai mudar demais...

 

Nem sei no que isto vai resultar em concreto, mas releio as postas em rascunho e temo o pior quando passar a escrever directamente no editor, sem a rede da pré-leitura em versão Open Office antes de fazer o copy/paste para aqui.

 

É isso que queria dizer.

(Eu sei, tanta merda para dizer nestum... Mas faz parte de tudo aquilo que vos disse acima, trust me.)

publicado por shark às 15:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)

A MINHA GRANDE RESOLUÇÃO PARA 2011

É ver se consigo formular duas.

publicado por shark às 15:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

EU GOSTO DE ANIMAIS

 

casal bicudo

Foto: Shark

 

- Juro, querida! Fiquei retido em Orly por causa do mau tempo e por isso tive que deixar lá a carga, fui lá agora passear com cegonhas francesas...

 

publicado por shark às 00:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 03.01.11

A POSTA NA MECÂNICA DA COISA

Então a pessoa até tem um carro usado e com bastante quilometragem, mas muito estimado e com as revisões sempre feitas a tempo e horas e o óleo mudado quando deve ser e tudo mais. E um dia levanta-se de manhã, veste uma bela fatiota para ir a uma festarola qualquer, chega ao carro, dá à chave de ignição e népia.

Pois é, a pessoa sente isso quase como uma traição, uma partida de mau gosto do destino.

É precisamente o que acontece quando um gajo enfrenta um daqueles flopes de que nem queremos ouvir falar. Porque na maioria dos casos é coisa acerca qual nada sabemos nem queremos saber.

 

Nem vale a pena artilharem o comentário da praxe: mas como é que o tubarão sabe o que se sente na sequência de um flope? Sim, o tubarão, esse magnífico e muito funcional exemplar do género, já assumiu sem tretas que sim, não é (ele, o outro) alheio a esse fenómeno. E só falo no assunto precisamente por ser tão rara em mim a experiência que nem de perto teve hipótese de se banalizar e deixar de ser tema de conversa.

Agora que já acertamos os detalhes mais melindrosos da questão, volto à minha abordagem automobilística da coisa, com a vossa licença.

 

Na verdade, a pessoa nem sabe de há de rir ou chorar quando o motor de arranque se esganiça todo e as velas até produzem faísca em profusão mas nada. A viatura abana toda, parece sempre que está quase quase a pegar e até a esperança parece arrebitar, porquanto ilusória. E de repente um gajo tem a malta (na maioria das vezes só uma pessoa, claro) com os olhos postos no veículo como se de um chasso velho se tratasse. Quer dizer, a pessoa, a mirone, até pode nem fazer outro olhar que não o de perdida de gozo mas a disfarçar, mas quem se vê com os dedos na chave e o motor em silêncio vê olhares comprometedores em todo o lado.

É que para qualquer gajo, o seu... carro é sempre o melhor do mundo. Mesmo um Fiat Uno assume proporções de limusina e basta um spoiler traseiro para se transformar de imediato num carro de corrida. E é isto que acrescenta desilusão à surpresa (porque quando o carro não pega parece sempre que acontece à pessoa pela primeira vez) e cria um enorme embaraço ao proprietário do bólide, ainda que a reacção de quem fica pendurado/a relativamente à boleia prometida seja complacente (deixa lá, isso podia acontecer com um BMW e assim...).

 

Na prática, um gajo exige absoluta fiabilidade ao seu automóvel. Pelo menos enquanto não atinge certa idade e já não há peças sobressalentes disponíveis para o modelo nem intervenção, digamos, mecânica que lhe valha. Só aí a pessoa se convence de que não vale a pena investir mais na máquina e dedicar-se à pesca, com demasiadas falhas na ignição para se poder acreditar que o motor não gripou.

Além disso, o condutor masculino tende a identificar-se em demasia com o objecto de culto que a viatura representa e acaba por lhe vestir os fracassos como seus, numa espiral de frustração que ainda acaba por acrescer factores de mau contacto como o frio excessivo ou outros. Também por isso o flope tradicional (não é o do motor que vai abaixo a meio do caminho - tema para futura posta, é o do que nem chega a pegar e não vai lá sequer de empurrão).

 

Esta questão acaba por justificar o argumento de alguns que, possuindo apenas um 2CV que os aceleras adoram ridicularizar pelo tamanho e pela potência do motor, defendem que tamanho e até potência não são mesmo documento.

É que podemos até ter um Ferrari dos melhores mas quando damos à chave e o motor não pega dávamos o dedo mindinho para termos o tal 2CV, um carro tão desenrascado que se tudo o resto falhar até se pode fazer pegar à manivela...

publicado por shark às 15:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

COITADO, ERA TÃO BOM BLOGUE... (2)

Com um ciclo de vida inferior ao de um comum animal de estimação, um blogue pode transmitir uma noção de envelhecimento precoce. Regra geral isso acontece quando percebemos que os blogues do nosso tempo estão ou chatos, ou mortos ou entrevadinhos numa existência miserável à espera da estocada final, da gloriosa posta de despedida que funciona como uma espécie de velório onde se reúne a malta que só raramente visitava o defunto mas calhou tomar conhecimento do óbito previsível.

publicado por shark às 12:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

COITADO, ERA TÃO BOM BLOGUE...

Desde que o Facebook se tornou numa moda é mais fácil enriquecer o vasto obituário de blogues.

E uma das conclusões que se tiram à vista desarmada é a de que, por norma, raramente existe uma posta mais comentada do que a do anúncio de despedida.

publicado por shark às 11:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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