Domingo, 14.02.10

NINGUÉM LEVA A MAL O TANAS!

E quem é que dizia que hoje eu iria experimentar o corso mais enregelado da minha vida?

São Pedro, São Pedro...

Que estranho sentido de humor...

publicado por shark às 22:11 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 13.02.10

TEMPO QUE PASSA DEMAIS

scarface Foto: Shark

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publicado por shark às 11:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sexta-feira, 12.02.10

A POSTA POLAROID

Há acontecimentos, bons ou maus, que constituem os momentos mais marcantes de uma vida ou de uma relação entre as pessoas. São episódios que constituem tema de conversa no futuro, no qual queremos sempre rever-nos com uma imagem à altura da situação e das pessoas envolvidas.
Contudo, quando por algum motivo a nossa participação em tais momentos fica marcada pela negativa não há esponja que apague o rasto permanente que nos associa em má figura.
E cedo ou tarde, essa impressão, que na altura quase nos faz sentir estranhos a toda a situação, acaba por corroer a própria ligação entre quem a viveu.

 

É difícil, em determinados contextos, cumprir sem mácula alguns papéis. E é proporcionalmente fácil dar o passo errado, não dizer as palavras certas ou ser apanhado num qualquer conjunto de coincidências infelizes ou de circunstâncias extraordinárias.
Por isso, mesmo quando estamos cheios de boas intenções e, mais ainda, de vontade genuína de não fazer asneira por querermos de facto ficar associados pelas melhores razões aos tais momentos que sabemos importantes e mexem connosco de alguma forma, sentimos sempre como uma injustiça as pequenas partidas que o acaso nos prega. E quase como uma traição a leviandade de alguém que entenda aproveitar um melindre pontual para exercer o tipo de poder que faculta uma qualquer forma de retaliação.

 

Claro que as varas têm sempre dois bicos nestas coisas e nem que seja numa reacção a quente é um instante enquanto vamos longe demais ou, na sequência de uma bronca nas piores circunstâncias possíveis (as tais que se gravam para mais tarde recordar ou apresentar a factura) acabamos por descobrir que afinal o papel que julgávamos vestir não correspondia ao outro guião.
Descobrimos a sensação de sermos dispensáveis, meros figurantes à mercê dos humores de quem realiza de facto a película e gosta de finais com melodrama.
E lá está, ficamos condenados a ser o rosto contorcido num esgar momentâneo no canto de uma fotografia onde os outros parecem brilhar.

 

Quando uma situação desta natureza decide proporcionar-se no mesmo dia em que outros azares muito foleiros ou exibições de falta de carácter das pessoas nas organizações nos confrontam, a vontade que dá é a de desistir das fotos em grupo e optar pelas individuais.

 

Mesmo que isso implique passarmos ao lado dos momentos e das oportunidades que entendamos especiais.

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publicado por shark às 23:25 | linque da posta | sou todo ouvidos

EU GOSTO DE ANIMAIS

preferia ser cigarra

Foto: Shark 

publicado por shark às 17:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Quinta-feira, 11.02.10

TÁ DITO

Sim, sinto-me grato. Não porque deva qualquer agradecimento por tudo aquilo que me dão, de livre vontade, mas por ser mesmo verdade que prezo a gratidão e a acarinho como um sentimento que em nada me prejudica nutrir.


Preciso de reconhecer a minha dependência do amor que me é dado, o amor que é dedicado a alguém que não consegue esconder imperfeições e que se presta a emoções negativas, a momentos sem sentido à luz dos sentimentos em questão.
Preciso de falar pelo coração, preenchido pela certeza que me confere a firmeza com que o amor me é afirmado e como me sinto encantado por poder experimentar a sensação de ser o centro da atenção emocional de alguém que me ama, que me quer bem, e que me oferece em cada dia tudo aquilo que a vida tem para mim de melhor e essa dádiva é o amor de que sou alvo.

 

Sim, sinto-me dependente e saboreio cada instante como um viciado nesse amor que me é dedicado apesar de eu não me reconhecer capaz de o merecer como devia.
Sinto-me bafejado pela sorte por saber que um dia a minha morte não será indiferente, pelo menos a toda a gente que algum dia me amou. Sei aquilo que sou e nada mais poderia ambicionar do que ter alguém para me chorar porque me sentirá a falta quando esse dia chegar, o lado triste que isto de amar também revela na sua realidade, o tormento que é a saudade impossível de mitigar.

E quero mesmo aproveitar o meu tempo para fazer justiça a esse sentimento que aprendi a cultivar ao longo de uma vida em que o amor foi o farol da existência e tudo o resto assume a irrelevância das coisas que não fazem história.
Quero deixar-me na memória de quem me ame como um homem capaz de reconhecer o valor que gostaria de ter igual ao que esse amor significa para mim.

 

Sim, sinto-me assim, feliz por ter nascido e por ao longo do caminho percorrido ter tido a oportunidade de admitir a minha vaidade por me sentir importante enquanto amigo e enquanto amante e sobretudo na pele de um pai.

 

Pressinto que se esvai aos poucos o tempo em que posso viver cada sentimento acolhido no coração e quero expressar a gratidão por essa experiência de vida que é boa quando sentida de forma intensa, inesquecível.

 

Porque sim, sinto-me perecível e não quero viver com o risco constante de deixar algo de importante por dizer.

publicado por shark às 11:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

BLACK & WHITE

rostos do medo

Foto: Shark 

publicado por shark às 00:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 10.02.10

O RANGEL ESTÁ NO NEGÓCIO DA SUCATA?

Como é que um gajo que vai para o Parlamento Europeu dizer mal do seu próprio país na pior altura possível tem a lata de se candidatar a líder de um partido com ambições de poder?

publicado por shark às 20:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

FICHEIRO SECRETO

Ouviu soar a campainha às primeiras horas da manhã e interrompeu de imediato o que estava a fazer. Abriu a porta e deparou-se com o rosto do seu amante secreto, expressão determinada.
Afastou-se para lhe dar entrada e mal teve tempo para balbuciar um bom dia enquanto ele fechava a porta com um pé e a agarrava com os seus braços fortes com a firmeza que lhe conhecia e a arrastava aos poucos para o quarto onde ela bem sabia o que a esperava, já meio despida e ele todo espalhado por cima de si.

 

Ambos sabiam que o tempo urgia e nenhum tempo se perdia a conversar, era o prazer a comandar mais o instinto que os mantinha rotinados naquela visita ocasional mas frequente o bastante para que já nem precisassem de combinar, ele só precisava de aparecer com aquela vontade tremenda tão bem reflectida no seu olhar.
Como uma boneca de trapos via-se colocada na posição que ele decidia enquanto a comia, sôfrego pelos dias de ausência que se impunham para evitarem repetir algum tipo de convenção naquilo que nem assumiam como uma relação mas apenas como um imperativo carnal, uma terapia sexual para algumas das suas lacunas por preencher.

 

E ele preenchia tudo aquilo que havia, dominador, e devassava-lhe o interior com a força do seu desejo, o gosto do proibido que afinal era consentido mas só podia acontecer assim, de surpresa, num momento qualquer do dia onde se cruzassem ou nos raros dias em que soubessem o paradeiro um do outro, o que lhes denunciava à partida a sede daquela fonte de vida que os estimulava a um ponto tresloucado e os empurrava para aquele ritual mantido em segredo mas quantas vezes acrescentado em tesão pelo risco corrido sempre que ele aparecia sem avisar.

 

E ela entregava-se sem hesitar porque não conseguia dispensá-lo dos seus dias tão iguais, tão isentos de emoções poderosas como aquela que sentia quando ele a possuía assim, palavras poucas e só mesmo no fim de alguns minutos de uma atracção animal, inexplicável, que mantinha aquela loucura indispensável entre duas pessoas sem ligação emocional assumida, ligadas apenas por laços de um passado recente que deveria ter-se esgotado num presente que os impedia (mas apenas em teoria) de viver aquele pecado a dois.

 

Ele limitava-se a seguir o seu caminho depois de cumprido o desígnio que o motivava, sabia que pouco durava aquele momento que ela encaixava no seu corpo e no seu tempo e num espaço remoto da consciência que anestesiava e assim não atormentava com sentimentos de culpa que pudessem destruir o encanto daquele apelo que pretendia manter porque sentia que precisava daquela pica que lhe dava o sexo porque sim.


Não aceitava que um dia chegasse ao fim, aquela explosão aleatória de tesão tão necessária para o seu equilíbrio mental, que do ponto de vista emocional estava bem servida porque tinha, para além daquela relação clandestina, quem lhe fornecia o carinho e o amor mas lhe falhava com aquele furor que ansiava muitas vezes num fogo que a consumia e só aquele homem possante lhe conseguia apagar.

 

Por isso ela às vezes até queria e lutava para impor a si própria um dia para aquela situação insana acabar mas nunca não conseguia mais do que apenas adiar.

publicado por shark às 11:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 09.02.10

CENÁRIOS

Eu não gostava de viver num mundo dominado pelos americanos do Bush.

Também não gostaria de viver num mundo dominado pelos chineses do PC.

Não me cheira que o domínio dos russos fosse do meu agrado.

E nem pensar em qualquer nação ou grupo de nações sob controlo de fundamentalistas islâmicos.

 

Dou comigo numa bizarra interrogação quando, em alternativa à opção óbvia por domínio algum, coloco a hipótese de um mundo dominado pelos portugueses de hoje.

 

E instala-se um estranho desconforto na minha alma patriota.

publicado por shark às 22:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

INCRÉDULO

incrédulo 

Foto: Shark

publicado por shark às 11:15 | linque da posta | sou todo ouvidos

EMUDECIDO

Vivia na mesma gaiola onde um dia nasceu. Nada mais conhecia do que aquele espaço e vivia feliz, cantava de uma forma que agradava e tratavam-no bem, sorriam e não raras vezes diziam que era a alegria daquela casa.
Mas um dia colocaram a gaiola muito perto de uma janela e conseguiu pela primeira vez espreitar a rua, outro mundo, e reparou lá ao fundo num bando de pombos que passeavam pelo céu e pareciam celebrar o calor do sol.
Olhou as próprias asas e foi então que se apercebeu da realidade da sua condição, passava o dia inteiro num doce cativeiro em vez de partilhar a alegria de voar em liberdade com os seus iguais.

 

E foi nesse dia que decidiu não cantar mais.

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publicado por shark às 10:19 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Segunda-feira, 08.02.10

COMO ELES, SOMOS LIVRES, SOMOS LIVRES DE BLOGAR

Uma pequena facção da blogaria portuga decidiu publicar um manifesto em abono da liberdade de expressão. E mais, decidiram mesmo ir mais além do que o protesto virtual (que ninguém proibiu ou censurou, até ver) e promovem uma manif à maneira diante do Parlamento à hora de almoço de um dia de semana para a malta assar uns chouriços e lutar pela causa.

A causa está aqui toda explicadinha e só falta saber o que tem a ver com a blogosfera (que eu saiba, nenhum dos signatários foi alvo de alguma limitação na sua verborreia) para que a iniciativa seja anunciada como de bloggers e não de simples cidadãos.

 

Eu até sofro da urticária a tudo quanto cheire a limitação desse direito essencial e se algum dia qualquer poder tentar meter o bedelho nesta via serei dos primeiros a reagir à bruta. Contudo, não consigo entender a motivação (as más línguas poderão sugerir a boleia mediática que a TVI, por exemplo, não deixará de conceder) como não consigo enquadrar a cena enquanto fenómeno blogueiro.

Sim, é verdade que da lista de subscritores da coisa constam muitos nomes de pessoas que blogam mas não estou a ver bem a associação de ideias ao seu estatuto de membros desta comunidade a que pertenço.

São, em resumo, cidadãos livres de refilar que vão exercer o seu direito de exprimir a vontade de serem livres de o fazer mesmo quando nenhum desses cidadãos refere algum caso concreto de que tenha conhecimento para lá do que vamos lendo nos jornais e ninguém conseguiu até agora comprovar.

 

Sou apologista da união de forças por parte de quem bloga, embora considere que no caso em apreço não exista forma de justificar este leviano invocar da condição. Ou seja, trata-se de uma iniciativa mobilizadora de um grupo de pessoas que por acaso blogam e entenderam recorrer a esse meio de divulgação para anunciarem a sua intenção de protestar contra algo que não sentiram na pele ou então acompanham uma Comunicação Social diferente da minha.

 

Estou céptico quanto ao sucesso do evento enquanto agregador de qualquer grupo específico de cidadãos, mas claro que não posso ignorar o facto de, por exemplo, o blogue do Centro Paroquial de Gondar apoiar a coisa.

 

Às tantas estamos perante o embrião de algum poderoso levantamento popular.

Mas eu não alinharei na defesa dessas barricadas. ..

publicado por shark às 20:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

CONTORNOS DE UMA FÉ

contornos de uma fé

Foto: Shark 

publicado por shark às 14:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

CUIDADOS PRIMÁRIOS

Com pressa. A tapar a pequena fresta por onde se escoa a vida, ao ritmo do tempo que lhe resta, cada oportunidade perdida uma pequena tragédia pois não existe forma de recuar no tempo que continua a escapar a todo o momento pela ferida que se abre em cada vida no milagre de nascer.

 

Liga dura. O campeonato a disputar, até morrer, pelo direito a viver nas melhores condições possíveis, enfaixado o destino por um manto de incógnitas que não permitem vislumbrar o seu futuro por acontecer e que dizem previamente traçado por forças que não podemos entender porque nos são infinitamente superiores, as sortes e os azares que definem o percurso sempre difícil pelo tempo de que dispomos para o percorrer.

 

Penso rápido. Acelero o raciocínio para jamais atrasar cada decisão a tomar porque pode fazer-se tarde, o tempo é como chama que arde até se extinguir para quem deixa de o sentir, no golpe final do tal destino cruel no seu gosto irritante pelas interrogações. A incerteza de possuir ou não a esperteza suficiente para as opções a fazer, para entender o carácter urgente de saber escolher o desvio mais adequado para fintar o tempo apressado que nos toca de raspão (em termos cósmicos) e nos fere o coração com o mesmo empenho com que o mima com tudo aquilo que de bom a vida nos dá.

 

Enquanto andamos por cá inventamos emergências, atordoadas as consciências pela necessidade de aproveitar o tempo que resta para prosperar ou apenas garantir a sobrevivência, o mote para cada urgência que tornamos prioritária nos dias que não fazem história porque os esbanjamos na triagem das prioridades que apenas servem para nos manter alienados em realidades forjadas em função de objectivos traçados sem ter em conta o tempo que é quem manda afinal e esse não distingue o que é bem do que é mal e segue o seu caminho aleatório pelas diferentes percepções que dele se recolhem, como um rolo compressor sem critério nem rigor excepto na futilidade da sua medição.

 

O tempo que cada coração entende bater até chegar o momento de morrer o corpo que alberga tudo aquilo que somos afinal e que se transfere para outro lugar qualquer como precisamos acreditar para o tempo se justificar de alguma forma, o que desperdiçamos na ilusão de que lutamos mesmo para o viver melhor neste confronto permanente entre o sentido do dever que nos é incutido, vá-se lá saber porquê, e o apelo reprimido do instinto que tudo vê com maior nitidez e nos alerta para a lucidez indispensável que nos acorde para a mais que provável constatação da necessidade de cuidados intensivos para o coração e nunca os primários, as pequenas doses de anestesia ou uma ligeira profilaxia para a sua dor quando lhe falta o amor ou outros remédios essenciais.

 

E os efeitos placebo que aceitamos normais são tempo perdido porque este acaba esvaído na sua lenta hemorragia na realidade com que cada dia nos afasta, (im)pacientes, do prognóstico acertado quanto às hipóteses de salvação.

 

O preço de um diagnóstico errado à doença de um tempo flagelado pela sua mutilação.

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publicado por shark às 11:51 | linque da posta | sou todo ouvidos

COM ESTE O SÁ PINTO NÃO FAZIA FARINHA...

 

O seleccionador nacional de futebol envolveu-se num sururu com o Jorge Baptista, comentador da SIC.

E consta que foi o homem da tv quem levou que contar...

 

publicado por shark às 10:39 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 05.02.10

FIGURANTES DO BEN HUR

Se a Justiça e a Política há muito só produzem novelas mexicanas, a Economia parece mais inclinada para as tragédias gregas...

publicado por shark às 00:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quinta-feira, 04.02.10

A SOMBRA DA MÚSICA

 a sombra da música

Foto: Shark

publicado por shark às 19:37 | linque da posta | sou todo ouvidos

SE O RISCO TODO? VONTADE NÃO FALTA...

Vocês não fazem (nem querem fazer) ideia do que é estar a estas horas a preencher um formulário intitulado Questionário de Risco...

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publicado por shark às 19:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 03.02.10

SIM, SÃO LÉSBICAS. E DEPOIS?

Teresa Pires e Helena Paixão são duas mulheres, cidadãs portuguesas, que enfrentam enormes dificuldades financeiras e outras ainda piores não por serem lésbicas mas, para minha vergonha enquanto cidadão do mesmo país, por terem a coragem de assumir a ligação e o seu amor de forma pública.

 

Se para mim já é impossível entender qualquer tipo de discriminação de pessoas em função das suas preferências (homos)sexuais, repugna-me ver gente corajosa pagar um preço por renegarem a hipocrisia e rejeitarem a clandestinidade envergonhada.
O calvário vivido pela Helena e pela Teresa tem assumido proporções abjectas, sendo sujeitas a todo o tipo de discriminação que afinal não passa de uma represália por serem pessoas frontais e com os tomates que faltam aos indecentes cobardolas que as hostilizam.

 

É indigna a intolerância, seja manifestada a que pretexto for, quando estão em causa opções individuais que em nada afectam terceiros (quem não gosta não come) e ainda menos são contas do seu rosário.
Pior ainda, é nojento que duas pessoas sejam marginalizadas ao ponto de raramente conseguirem permanecer na mesma casa por mais do que alguns meses e não conseguirem manter um emprego só porque assumem que se amam e fazem vida juntas.
Sim, para este como para todos os efeitos é de pessoas que se trata. Não sei se são boas ou más pessoas sequer, nem me interessa. Sei que tiveram um acto de coragem ao darem a cara diante de câmaras de televisão quando reclamaram um direito que a Lei hoje reconhece e isso basta-me para me orgulhar de serem portuguesas como eu.

 

E não me venham com ideologias, que sou de esquerda e mais não sei o quê, pois o respeito pela diferença não é uma questão política ou partidária. Ninguém me verá advogar a homossexualidade, da mesma forma que não pretendo converter alguém à minha onda hetero. Cada um/a sabe de si e eu respondo pelas minhas escolhas e não tenho o direito de não permitir que os outros respondam pelas suas com exactamente a mesma liberdade de actuação e sem por isso sofrerem punições sociais.
Cabe na cabeça de alguém que façam a vida negra às pessoas pelo motivo em causa? Querem o quê, que as pessoas se escondam, que mintam, que tenham vergonha de si próprias por serem diferentes? O que ou quem concede esse direito? E que pretendem de facto obter com tal comportamento, alguma espécie de normalização, de padronização das pessoas em função do género? E da cor, não é? E do estatuto social, que tal?

 

É mesmo uma questão de princípio daquelas que nem requerem muita inteligência para lá chegar: as pessoas têm o direito a viverem as suas vidas como entenderem, desde que não interfiram de forma alguma com os direitos dos outros.

 

E na questão de que vos falo, a da vergonhosa conduta de cada autor de um gesto hostil para com duas pessoas pelos motivos que refiro, não existem direitos a invocar.
Existem deveres de respeito, de consideração, de decência e de vergonha na cara que ninguém dispensa nos outros e, nem que seja só por isso, devemos todos assumir por inerência.

publicado por shark às 21:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

A POSTA NAS BOCAS DO INFERNO

São indissociáveis, a boca generosa mas um nadinha palerma da Manuela Moura Guedes e a boca retorcida mas um nadinha imbecil do Mário Crespo. Foram unidas, siamesas, pela intervenção cirúrgica (uma lobotomia) dos que se entretêm a produzir mártires da Imprensa para a Imprensa glorificar.

 

A liberdade de expressão, essa jovem motivadora de uma súbita ansiedade de muitos dos que há umas décadas atrás anuíam agradados pela sua bolinha baixa, está de novo a servir de mote para um qualquer figurante se empoleirar num falso estatuto de protagonista.
O filme em causa é uma produção fictícia embora de humor só tenha o ridículo do guião. A Manuela, tal como o Mário, são sumidades fabricadas, tão made in china como as lanternas baratas que começaram a inundar o mercado na ressaca do sismo no Haiti e surgiram igualmente por coincidência e não por virem a talhe de foice para agitar as águas passadas do papão da maioria absoluta que meses atrás, no episódio da Manuela, ainda poderiam ter esse álibi democrático (adoro estas expressões da moda) mas no caso do Crespo pecam por absoluta falta de nexo.

 

Bom, começo por declarar publicamente a minha aversão aos dois cromos a que acima faço referência. Isto para que não restem dúvidas quanto à parcialidade da minha opinião.
Essa indiferença que degenerou em repulsa na sequência das pantominas do par de figurões (figurinhas) deriva da minha avaliação enquanto espectador e leitor daquilo que foi o seu trabalho medíocre ao longo dos anos em que os suportei.
Uma e outro quase se celebrizaram pelas suas tiradas a despropósito ou, mais frequentes, pelos seus excessos típicos de quem comprado pelo que vale e vendido pelo que julga valer renderia uma fortuna a qualquer negociador.

 

Essa é a minha opinião de amador, de anónimo a quem impingem estes fósseis por questões conjugais (tirem o pedestal moniz à manela e logo se verá o tamanho do trambolhão) ou por simples habituação (como um gajo usar sempre a mesma marca de lâminas só porque sim, porque é costume e tal) ou apenas porque neste país os medíocres continuam a promover-se entre si à fartazana e depois dá no que se vê e se lê.
Da Manuela Moura Guedes retenho uma tentativa de execução sumária de Marinho Pinto em directo. Saiu enxovalhada, o Bastonário não é um menino de coro, e deveria ter sido corrida do seu posto logo nessa altura.
E do Mário Crespo fixei uma entrevista a um médico ao longo da qual o jornalista interrompeu o entrevistado de forma repetida para falar de um seu problema antigo de saúde e acabando por transformar a dita entrevista numa consulta de Clínica Geral ao vivo.
São duas referências a que por acaso assisti e dizem o que há a dizer da personalidade da dupla-maravilha que dá a cara (ainda maior azar o nosso) pelo novel fantasma da censura aos grandes profissionais da informação parola e umbiguista da nossa praça.

 

Por tudo isto não consigo entender o alarido em torno de seja o que for que envolva aqueles dois e só falo no assunto porque de vez em quando um gajo precisa de temas actuais para uma posta e qualquer palhaçada é sempre um tema divertido para escrever.

publicado por shark às 12:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 02.02.10

GRAFITI LOVER

grafiti in the city

Foto: Shark 

publicado por shark às 18:10 | linque da posta | sou todo ouvidos

HÁ UM SILVO INTENSO NO PIPO DESTA PANELA

Existem problemas na vida que nos aterram no colo mesmo quando tudo fazemos para os evitar. Coisas que começam de forma aparentemente inócua, simples de resolver, e que de repente assumem proporções descontroladas tanto no grau de ameaça que representam como no impulso primário que nos leva a reagir sem estribeiras e nos esgota no sentido de o conter.

 

De há uns tempos a esta parte tornei-me quase um eremita, tentando fugir dos outros para assim poder encontrar um pouco da paz que me faltou. O método resulta e de facto evita algumas confusões e sarilhos tradicionais. Mas não é infalível nem oferece garantias de durabilidade.
E a vida (ou o destino, ou deus ou o que preferirem) encontra sempre forma de nos confrontar com dilemas terríveis, situações complicadas, problemas que soam irresolúveis e que nos desafiam a estrutura e nos obrigam a repensar alguns pressupostos que gostamos de ter como dados adquiridos.

 

Se um problema pode constituir factor de perturbação quando nos afecta directamente, o seu impacto é exponencial quando estão em causa os filhos e é sobre eles que recai qualquer tipo de aflição ou de repercussão foleira potencial. Basta uma doença mais assustadora para nos arrependermos de não termos seguido Medicina em vez de outra coisa qualquer...
Contudo, se a uma doença podemos reagir com a determinação de quem tudo faz para a combater pelos melhores meios ao alcance a outro tipo de maleitas, sociais ou assim, já não conseguimos aplicar a mesma resignação que nos vale para suportar o galo de um qualquer bicho microscópico ter batido à porta da nossa cria.
Abrimos de imediato, por instinto, as garras e arreganhamos a dentuça para defender ao ataque e assumimos a dinâmica panzer. Ou kamikaze, se necessário.

 

E estes termos bélicos indiciam essa verdade insofismável para mim: é de uma guerra que se trata quando estão em causa os interesses ou a segurança da minha filha e essa ameaça deriva de terceiros perante os quais ela esteja em manifesta desigualdade de circunstâncias.
Não sou, de todo, um arruaceiro. Mas jamais me permitirei o pecado da negligência, do optimismo, da fé que aplicada aos outros vale sempre aquilo que eles tiverem para dar.
Nós pais agimos quase sempre como animais feridos quando os filhos sofrem ou arriscam sofrer qualquer dano provocado pelos outros, os tais de quem tenho tentado afastar-me. Qualquer actuação alternativa consome-nos e deriva apenas do bom senso que mobilizamos a custo para não deitarmos tudo a perder na sequela de uma intervenção desastrada.

 

Pousamos o lança-chamas e deitamos a mão ao extintor, tentando numa primeira fase apontar para o interior de nós mesmos e não deitar para a fogueira as achas do incêndio que nos consome por dentro e nos vemos na contingência de combater em paralelo com o pânico e a ira que alguns cenários plausíveis nos ateiam.

 

E isso esgota uma pessoa, acreditem.

publicado por shark às 12:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 01.02.10

A POSTA NA CONTA POUPANÇA-FUTURO

Parece que vai mesmo concretizar-se a ideia (para os parvos peregrina) da Conta Poupança-Futuro, um depósito (um investimento) do Estado no valor de €200 por cada bebé e que poderá ser reforçado pelos progenitores até à maioridade, altura em que o saldo obtido estará disponível para custear a entrada na idade adulta se o jovem tiver conseguido completar o 12º ano de escolaridade.
Em resumo é isto. E tal como aconteceu com o Magalhães, a quem toda a gente se apressou a apontar defeitos, limitações e ainda a fiscalidade manhosa da empresa responsável, não faltam os melgas prontos para encontrar as múltiplas falhas e esquemas e conspirações associadas a esta iniciativa a todos os títulos notável.

 

Consigo sempre surpreender-me com a mesquinhez generalizada, mesmo tendo-a como um facto indissociável do mau feitio portuga. Por isso fico boquiaberto quando ouço argumentos como o de que só poder levantar o pilim depois dos dezoito faz com que não traga grande benefício às pessoas mais desfavorecidas, uma estupidez típica da mentalidade espalha-brasas e imediatista que vai acabar por nos pôr todos a pedir.
Mas também acho notável o esforço de associar esta iniciativa do Governo a um conluio qualquer com a Banca, mesmo sendo apenas opcional o depósito numa instituição bancária em vez de confiado à gestão directa do Estado, uma teoria própria dos deita-abaixo que nem coisam nem deixam coisar.
Todavia, o mais imbecil e ingrato dos argumentos é o clássico: “ah, só duzentos euros? Isso mesmo em dezoito anos não vai dar quase nada no fim.” Ó suas aventesmas: é dado, oferecido, grátis! Nem que fosse metade, gente tola...

 

A Conta Poupança-Futuro abre um precedente a ter em conta, pois trata-se de uma medida que (a cerca de metade do custo de um só helicóptero daqueles muita bons que o Portas nos arranjou) estimula hábitos familiares de poupança, incentiva o sucesso escolar e ilustra uma forma decente de aplicar o dinheiro dos nossos impostos (o que é raro nos dias que correm).
Daí a minha falta de pachorra para quem se vai debruçar com afinco sobre o assunto em busca do pelinho encaracolado capaz de desmascarar mais um provável embuste colossal. Sim, continuo a evocar a reacção ao Magalhães do qual poucos perceberam a dimensão e relevância, tão entretidos que andaram os restantes a procurarem as debilidades num projecto levado a cabo num país que até há poucas décadas atrás era uma absoluta parvónia em termos tecnológicos e não só.

 

Detestaria estar na pele de qualquer Primeiro-Ministro de Portugal que leve com esta maltosa tão afeiçoada ao cepticismo, à inveja, à ingratidão e ao desdém. Parece que quem manda nunca acerta se não mandar com a nossa cor. Ou mesmo que assim seja, pois aí pegamos pela personalidade, pelos hábitos sexuais ou seja pelo que for que possa inferiorizar o líder de ocasião.
Até a arrogância serve de argumento para arriar no Sócras, esse malandro.

 

De resto, um argumento esgrimido muitas vezes pelos que manifestam a sua saudade pela imensa austeridade e disciplina imposta pelo simpático Salazar...

publicado por shark às 21:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

(LIS)BOA TODOS OS DIAS

nova lisboa

Foto: Shark 

publicado por shark às 14:12 | linque da posta | sou todo ouvidos

SENTIDOS PERMITIDOS

Como passar as narinas com suavidade por uma pétala e sentir a fragrância natural do amor que expele cada poro numa pele desejada, numa flor reencarnada em corpo de mulher que se cheira e se quer no preciso instante em que o potencial amante recebe o impacto do odor que lhe desperta no interior aquela vontade que se tem de ir mais adiante, mais além, e mergulhar sem demora no canteiro daquele jardim.

 

Como deslizar sem fim a atenção de um olhar pelos contornos de uma paisagem esculpida pelo vento, pela erosão, e disparar o coração num galope desenfreado pelo corpo de mulher deitado numa cama onde queremos estar para ocuparmos aquele lugar vago no paraíso que chama por nós, enfeitiçados pela imagem que recolhemos ao longo da viagem em que os olhos nos transportam sem pressas até junto das portas do céu.

 

Como passear as cabeças dos dedos no mais sedoso tecido, pelo corpo de mulher despido, acariciar a textura perfeita e receber em troca a maravilhosa sensação de perceber amor e tesão concentrados num único e prolongado arrepio que parecem percorrer de imediato um fio condutor, energia, das coisas ligadas à corrente do amor que se faz também pela forma sensual de tocar a perfeição com o ardor da paixão e a suavidade de quem caminha sobre papel de arroz.

 

Como escutar um rio desde a nascente até à foz, o desenho dos cabelos compridos espalhados pelo corpo de mulher, pelas costas, pelas margens beijadas enquanto a água se agita como fervente no seu percurso urgente até ao ponto de chegada onde a força do mar é reforçada para o confronto com falésias mais resistentes do que o betão das barragens que inventam cascatas quando o rio se agiganta e se faz ouvir imponente na vontade de prosseguir até ao fim do caminho traçado naquele corpo molhado de prazer.

 

Como saborear um corpo de mulher com o gosto do amor no paladar, o sexo a latejar a verdade e a consequência do coração a reagir ao sabor mais apreciado, o do corpo tão amado naquele instante em que se transforma num corpo amante e se torna mais salgado pelo suor libertado e, ao mesmo tempo, adocica o tempero da emoção que se beija e que se lambe, que se chupa e se invade com ímpeto de um exército conquistador, senão com os sentidos alerta e com a alma desperta pelas sensações mais intensas que podemos experimentar?

publicado por shark às 00:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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