Domingo, 17.01.10

A POSTA QUE É TUDO MUITO BONITO, MAS...

Para além da tragédia que afectou o país, o acontecimento provocado pela imprevisível mãe natureza no Haiti vai servir de case study acerca de como as pessoas se comportam num contexto de ausência de poder institucional e em cenário de crise.

 

Se já existiu um precedente nunca o descobri. O terramoto no Haiti deixou todo um país entregue a si próprio, depois de demolir a frágil estrutura que representava um poder diametralmente oposto ao que produziu aberrações como os tonton macoutes de Duvalier.
Ou seja, a população haitiana viu-se obrigada a enfrentar a catástrofe dias a fio sob um vazio absoluto de poder.
E isso, muito por culpa da palhaçada internacional, dos jogos de poder que atrasaram irremediavelmente a chegada do auxílio necessário. O mesmo poder que agora se confronta com a resposta relativamente ordeira e pacata de cidadãos de um país miserável entregue ao caos e à mais pura anarquia.

 

Claro que ao fim de cinco dias de choque, de sede e de fome começam a surgir os primeiros sinais de que a lei da selva tentará impor-se. Os grupos armados, depois de feito o balanço e o luto subsequente a um sismo que deverá ter atingido de uma forma ou de outra uma significativa percentagem das famílias haitianas, já se organizam no sentido de ocuparem o vácuo deixado pelo colapso da missão da ONU na sequência desta calamidade brutal.
Ainda assim, apostava sem receios que em igualdade de circunstâncias qualquer país alegadamente mais desenvolvido demoraria bem menos a produzir as suas milícias espontâneas do salve-se quem puder a que tais situações conduzem as pessoas.
É um palpite, sem dúvida, mas basta atentar nos fenómenos locais sempre que se proporcionam os tais vazios de poder. Basta recordar as pilhagens na terra onde o Katrina deixou rasto...

 

Contudo, a população de um dos países mais pobres do planeta e que enfrentou a transição violenta de uma ditadura para um arranjinho precário, um simulacro de poder num país sem exército ou uma polícia à altura de conter o desespero da pobreza extrema, essa gente desesperada deixou correr os dias entre cadáveres espalhados pelas ruas e sem qualquer sinal de uma autoridade, de um poder central organizado, enfrentando a fome, a sede e o abandono sem sobrepor mais uma camada de pandemónio sobre aquele que o terramoto instalou.
Numa cajadada, a população mártir do Haiti provou que o poder serve acima de tudo como uma cooperativa que possa acudir em caso de aflição e de organizar os serviços indispensáveis para o funcionamento de um Estado e não como disciplinador das massas e, por outro lado, ficou exposta a falta de capacidade de reacção mundial a catástrofes que deixem os seus líderes sem interlocutor válido no centro das operações.

 

O que fica desta tragédia, para lá do horror de que uma Imprensa bem mais rápida e eficaz do que a ajuda humanitária deu conta, é a exibição prática de que a propalada globalização funciona como uma erva daninha no que diz respeito ao sistema financeiro mas ainda se revela mais prejudicial no que concerne às expectativas criadas numa capacidade de resposta a situações tão desesperadas como a do Haiti e que nos exibem a inépcia dos meios que pagamos a peso de ouro e petrificam diante de cenários que envolvam países exteriores à realidade milionária deste Ocidente mesquinho e, acima de tudo, a necessidade de se entenderem entre si quando está em causa a urgência de uma intervenção eficaz.

 

E foi esta última prioridade que deixou os aviões carregados, inúteis, num aeroporto em ruínas, enquanto para lá das vedações milhares de pessoas sofriam e morriam à espera de um auxílio que vai, para muitos, chegar tarde demais.

publicado por shark às 16:13 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 16.01.10

SAUDADE DO VERÃO

a pedra e o farol

Foto: Shark 

publicado por shark às 10:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

DISPONÍVEL PARA O COMBATE

Manuel Alegre manifestou-se disponível para uma candidatura contra Cavaco Silva nas próximas presidenciais.

Mas perante tudo o que se passou na ressaca da última tentativa do poeta, é de temer que esteja tão disponível para o combate como o Hércules C-130 que hoje arrancou orgulhoso para a acção humanitária no Haiti mas regressou avariado para um hangar no Montijo...

publicado por shark às 01:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

O CONVIDADO SURPRESA

Entrou no átrio interior com o olhar metralhador a disparar sobre tudo quanto mexia. Expressão dura de quem sabia o que havia a saber e com vontade de dizer a verdade à queima-roupa, a língua no gatilho e as palavras na boca, munições, a realidade que alguns cabrões precisavam escondida prestes a ver-se despida pelo homem armado de conhecimento proibido que jamais aceitaria esquecido com o passar do tempo e aquele era o momento ideal para corrigir o que achava mal, a mentira hipócrita desvendada numa carta escrita pela mão de um moribundo emocional.

 

Instalou-se o silêncio sepulcral como previa perante a arma que exibia no olhar pistoleiro, apontada ao mundo inteiro naquele espaço representado por actrizes e actores dependentes dos favores entre si, corrupção, e dissimulou a emoção que sentia por debaixo da capa que vestia no rosto empedernido por quanto havia sabido, demais, o nojo que o sufocava cuspido nas alegações finais que arrastavam uma a uma aquelas pessoas, farsantes, para pontos muito distantes da imagem construída, a miragem destruída num instante pelo homem que de repente se transformou numa arma letal para o estatuto social daquela gente petrificada pelo calibre das revelações.

 

Quase pararam alguns corações, os de quem tombava no lodaçal que sujava as caras estupefactas de quem ouvia palavras malditas que o atirador lançava como granadas para o átrio interior por detrás da fachada que parecia tão bem pintada e afinal se distorcia num imenso borrão, uma amálgama de cores no chão, misturadas até nenhuma se distinguir, até toda a gente, homem ou mulher, perceber o drama da ausência de um pingo de inocência sequer naquele grupo alegadamente superior por englobar aquilo que de melhor a elite produzia mas desmascarado na totalidade pelo que dizia aquele soldado da verdade que às tantas se calou e a todos olhou com a expressão calma de quem possuía um canhão na alma e finalmente o disparou.

 

E foi assim que os deixou estilhaçados, para sempre desgraçados pela sua condição de cúmplices num esquema que os cobria de vergonha depois de desnudado naquele palco improvisado, cada falso argumento daquela verdade atroz desmentido pelas palavras do algoz de circunstância que lhes denunciara a essência mesquinha com as palavras que tinha na cartucheira e verbalizara de uma maneira que não lhes deixava qualquer porta de saída para evitarem a perda sofrida diante dos arautos modernos, jornalistas, que autopsiaram como médicos-legistas os cadáveres sociais dos atingidos pelos disparos verbais.

publicado por shark às 00:45 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 15.01.10

FORÇAS ARMADAS

Num dia que começa menos bem e tudo nos cai das mãos é perfeitamente natural que até os comandos das televisões decidam mudar-se para os pára-quedistas.

publicado por shark às 09:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quinta-feira, 14.01.10

BLACK & WHITE

olhar doce

Foto: Shark 

publicado por shark às 22:27 | linque da posta | sou todo ouvidos

O PICANÇO COMEÇOU

Conforme previsto está aberta a guerra entre os sindicatos da Função Pública e o Governo a propósito da delicada questão das actualizações salariais.

 

E eu não vejo como é possível encontrar consensos num conflito de interesses desta dimensão...

publicado por shark às 15:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 13.01.10

ESQUECIMENTO GLOBAL

As janelas abertas que alguém fechou, fronteiras instantâneas entre a escuridão interior e a luz e o calor excessivo do sol.
O pó das estrelas que alguém limpou, imprudente, da memória colectiva de uma origem comum que ao longo do tempo o vento espalhou pelas prateleiras vazias de respostas e de soluções.
Vazias também de ilusões acerca do futuro risonho no rosto de um sonho baptizado de Deus, sem livros sagrados, sem livros pintados com a cor que as palavras lhes dão, inteligência e emoção, ausentes no armário macabro nas paredes de uma casa imaginária com as janelas fechadas por alguém cuja glória se perdeu quando o recheio daquela estante desapareceu e ninguém restou para a contar. A história que se esqueceram de consultar para aprenderem as suas lições antes de perecerem à mercê de tempestades e de furacões que espalharam pela terra as sementes perfeitas para a colheita final.

 

A derrota do bem relativo contra um mal indecente, a seca provocada pelo sol escaldante e a fome impossível de suportar e que levou as pessoas a matar até ser claro para todos que cedo ou tarde chegaria a sua vez.

 

O pano na mão de alguém que se desfez em lágrimas até que a fonte secou, até ao disparo fatal.

 

No dia em que no mundo ecoou o último tiro para a partida final.

publicado por shark às 22:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

A POSTA ANCORADA

voltas trocadas 

 

Uma das maiores fontes de sarilhos que enfrentamos no dia a dia é o que pode resultar de uma má gestão das expectativas. Se, por um lado, ambicionar em excesso conduz invariavelmente à desilusão, ser pobre a pedir nem sempre nos poupa a surpresas mais ou menos desagradáveis.

 

O equilíbrio é um must de qualquer existência tranquila. Por isso é tão premente o adequar das nossas acções em função dos resultados que almejamos. E nestes reside o busílis de muitas das questões com que nos confrontamos, surpreendidos pela negativa ou pelo seu antónimo de acordo com aquilo que traçamos como objectivo para justificar o nosso empenho.
Quero com isto dizer que é importante sabermos a todo o instante até que ponto os nossos actos e omissões podem conduzir a um ou a mais desfechos, no sentido de nos prepararmos para todas as eventualidades e de medirmos as consequências potenciais dos mesmos.

 

Na gestão das expectativas, como em qualquer outra, não podemos descartar o poder das variáveis. É uma questão mais pragmática do que lógica ou matemática, esse cuidado com as probabilidades que nos deveria obrigar a equilibrar o binómio acção/reacção (consequência?) para evitarmos as tais surpresas que nos entalam.
Se é importante apontarmos as baterias para uma disciplina permanente em termos de limites para a nossa iniciativa, é ainda mais importante termos em conta os planos de contingência para salvaguardar a perda do tal equilíbrio fundamental entre a dinâmica das nossas pretensões, a ambição que é o motor de todas as realizações humanas, e a ponderação dos desvios possíveis em função das circunstâncias.
Concretamente, ou sabemos exactamente o que queremos e o que nos propomos fazer para o alcançar ou acabamos a vaguear à deriva sobre o mar encrespado das consequências dos excessos que conduzem a finais menos felizes.

 

Claro que o exemplo extremo a que alude a ilustração desta posta serve apenas para definir os contornos de uma má gestão das expectativas, de um resultado possível para um desvio sem rede à linha de orientação previamente definida.
Mas clarifica o sobressalto possível que nos espera, aos impulsivos em rédea solta, sempre que embarcamos num entusiasmo juvenil sem acautelarmos a presença a bordo de uma âncora...

publicado por shark às 14:47 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 12.01.10

NO CÉU

reactor

Foto: Shark 

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publicado por shark às 18:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

UMBIGO DE MARFIM

Seria dramático que um elefante numa loja de porcelana tomasse consciência do seu papel na situação. Pouco sei da forma como os paquidermes sentem as coisas e de modo algum poderei deitar-me a adivinhar tal cena, mas é um facto que fico sempre de trombas quando, especado no meio da louça escaqueirada no chão, me sinto na sua pele.

 

Note-se que não me considero uma vítima dos outros, antes pelo contrário. Sou apenas um gajo como outro qualquer, invariavelmente apanhado na rede que afinal é a teia que vou urdindo com as minhas mais ou menos desastradas intervenções e necessariamente confrontado com o preocupante resultado prático de algumas das minhas características e respectivas repercussões em quem me rodeia.


Ninguém gosta de se perceber na origem da tristeza, da desilusão ou mesmo da animosidade de outrem. Excepto talvez quem faz gala da sua aptidão para infernizar as existências alheias.

 

Não é o meu caso, apesar de tudo. Quando entro na loja, pata ante pata, esforço-me para não tocar nas prateleiras. Prefiro até que nem dêem por mim do que arriscar a visibilidade de uma pequena catástrofe que tanto prejuízo pode provocar no local.
Contudo, e como qualquer bem intencionado, possuo limitações e não trago de série esses novos equipamentos que até estacionam carros sem intervenção dos respectivos condutores ou coisa parecida.
Basta virar-me para olhar a prateleira à minha esquerda e já tenho a cauda a varrer o conteúdo da que se situa à minha direita.
Faz parte da minha inépcia em lidar com louça fina e delicada, mais talhado que sou para artigos de madeira ou inferiores (embora resistentes, inquebráveis).

 

Além de tudo isto, e ainda na óptica do trombalazanas, tenho uma personalidade tão instável como qualquer outro jumbo (dumbo?). Ou seja, mesmo nas raras ocasiões em que consigo de facto atravessar o estabelecimento sem tocar sequer no respectivo conteúdo, basta um assomo de qualquer das minhas múltiplas aversões ou inúmeros receios para me tornar colérico ou simplesmente trapalhão.
Seja como for, vai tudo parar ao meio do chão e lá fico eu na confrangedora posição da presença inconveniente, indesejável, capaz de perder qualquer razão em face da forma como reajo a variadas pressões que a teimosia em frequentar espaços (pessoas?) me impõe.

 

Sim, sou desastrado para além de limitado num domínio cada vez mais relevante da vida em sociedade: a esperteza. Percebo, pelo outcome das minhas situações foleiras, o quanto me falta para chegar aos calcanhares de quem consegue esconder pela surra os cacos debaixo de um tapete ou sair de forma tão airosa das situações que ainda lhe pedem desculpa pela inconveniência. E já nem consigo martirizar-me por esse facto com a mesma eficácia que dantes me caracterizava.

 

Embora continue, à imagem e semelhança dos elefantes que me serviram de mote a esta posta, sempre capaz de encontrar o caminho para o sítio onde o instinto me diz ser o local adequado para desaparecer de cena.

publicado por shark às 15:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

CONTAS DE SUMIR

Multiplicam-se as vozes dos entendidos na matéria quanto à possibilidade real de o nosso país entrar numa situação semelhante à vivida pelos gregos no que respeita ao desequilíbrio das contas. Um atrás do outro, isto sem destacar o explosivo da comunicação presidencial, economistas afamados e nem sempre da área ideológica hostil à do actual Governo insinuam que há algo de preocupante na derrapagem das contas públicas e que não tarda nada estaremos a experimentar uma crise propriamente dita (daquelas que não batem recordes nas máquinas ATM no Natal).

 

Por outro lado, e ainda mais alarmante, surgem à tona esquemas tão estranhos como o das contas ilegais do Ministério da Justiça, alegadamente com cheques falsificados a movimentarem (o nosso) dinheiro por esses bolsos fora.

A soma destes sinais só pode trazer-nos à memória os casos similares, como o da Grécia que cito acima, onde ninguém mexeu uma palha até a bomba estourar nas parangonas. E recorda-nos que o Poder nunca emite avisos prévios, antes nega até ao fim a realidade que depois se desvenda tarde demais.

 

Ninguém tente politizar a questão, pois isso é mandar (ainda mais) serradura para os olhos dos cidadãos. Não estamos a lidar com tricas partidárias ou questões ideológicas e é fácil de adivinhar que o problema está no calibre da nossa liderança venha ela de onde vier.

E não há inocentes, pois muitas das consequências do presente começaram a germinar no passado e na sucessão de equívocos e de balda generalizada.

É uma questão de Estado e não de Governo e não podemos confundir os narizes numa altura em que a coisa já tresanda.

 

Confesso que não estou com um bom pressentimento quanto à evolução das coisas ao longo de 2010 e todos estes alertas contribuem para consolidar o meu pessimismo quanto à hipótese de não estarmos ao corrente de tudo o que se passa de errado nas contas.

 

E a prova dos nove pode estar mesmo aí a aparecer...

publicado por shark às 11:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

H2O

Em Moscavide não pára de chover há horas mas o abastecimento de água estará suspenso entre as oito e as dezoito.

A vida tem destas bizarrias...

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publicado por shark às 08:55 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Segunda-feira, 11.01.10

SO FAR SO GOOD

tudo bem

Foto: Shark 

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publicado por shark às 14:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

QUARTO CRESCENTE

Deixa o mundo inteiro à porta deste quarto onde te dispo com os olhos e te perscruto com as mãos. Ignora tudo o que aconteça lá fora e confia tudo aquilo que és à minha vontade de te cuidar da cabeça aos pés e acredita que vale a pena entregares a tua mente à tarefa de te concentrares nas sensações a que somaremos as emoções que as sublimem.

 

Fecha os olhos por instantes e deixa-nos sermos amantes neste intervalo da existência que entendemos partilhar, neste quarto onde te quero dar o melhor de tudo aquilo que sou como percebes neste beijo que te dou e espero te transmita a segurança à altura da minha esperança de ser capaz de saber como se faz acontecer a perfeição.

 

Deixa que a tua intuição feminina te confirme que vale a pena seres minha neste lapso de tempo que conseguimos abraçar como o fazemos com os corpos deitados na cama deste quarto onde só tu existes para mim e eu anseio que me encares assim, um homem dedicado a ti por completo, capaz de te fazer sentir no deserto de uma ilha artificial para onde te arrastarei com o meu empenho total, com as coisas que farei para te agradar para assim me certificar que me gravarás na memória e quererás degustar depois esta história que nos une num momento a dois sagrado como o recordarei.

 

Deita-te ao meu lado e não hesites em pedir tudo aquilo que te apetecer nesta altura, aproveita enquanto dura e empenha-te também neste quarto que nos tem disponíveis para saborear os instantes agradáveis que queremos proporcionar ao outro sem medo algum, num espaço em que nos tornamos um, ligados à corrente onde reside a nascente desse rio que desaguas em partes do meu corpo que sentes como tuas quando me acolhes anfitriã sob a primeira luz de uma manhã a sós num mundo em que existimos nós e rigorosamente mais nada no final de uma madrugada feliz.

 

Ouve o que te diz o instinto e lê nos meus olhos o que não (des)minto de cada vez que te toco em busca da libertação de qualquer reserva ou grilhão que te iniba de usufruir em pleno de todo o prazer que nos demos com o amor que se fez.

 

Neste quarto crescente em que nos amamos e depois adormecemos a ver a lua partir até o sol incandescente nos acordar o desejo outra vez.

publicado por shark às 11:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

QUE BOM! QUE BOM!

Uma semana inteirinha para aumentar a produtividade da Nação, para abandonar a cama antes do nascer do sol, para enfrentar as agruras deste clima de extremos, para resolver caldeiradas que brotam como cogumelos no solo fértil da incompetência global, para suportar a má onda do resto da malta eufórica por estas expectativas.

 

Sim, que bom hoje ser segunda-feira...

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publicado por shark às 09:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sexta-feira, 08.01.10

NA LUA

na lua 

Foto: Shark

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publicado por shark às 17:50 | linque da posta | sou todo ouvidos

RECLUSÕES

Acorrentadas. Necessariamente impedidas de fugirem à custódia mental, impedidas de usufruírem da liberdade condicional.
Silenciadas. Obrigatoriamente amordaçadas para não se gritarem, para calarem aquilo que possuem de letal. Para reprimirem a tentação de exprimirem o que não se pode dizer, coisas que podem doer a quem as soltar por serem cão que morde o dono, perigosas.
Definitivamente asiladas num poço sem fundo no outro lado do mundo, onde ninguém as consiga perceber, banidas de qualquer espaço onde consigam produzir o efeito indesejado que é afinal o seu fim.

 

Preciso ficar calado porque essas palavras reclusas podem dar cabo de mim.

publicado por shark às 17:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quinta-feira, 07.01.10

A FRASE MAIS INÚTIL E IRRITANTE

Eu bem te avisei...

publicado por shark às 22:27 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

FORA DO REDIL

Um dos conceitos aparentemente mais confusos para o entendimento da maioria das pessoas é o da desconsideração. Este palavrão, que traduz um gesto (ou respectiva ausência) que cai mal a alguém, exprime um sentimento negativo que deriva de esse alguém se sentir de alguma forma reduzido à sua mínima expressão por parte de outrem.

 

Uma desconsideração pode manifestar-se sob as mais variadas formas. Do enxovalho inerente ao insulto subjacente, a panóplia de consequências como as sofrem as pessoas desconsideradas depende acima de tudo da natureza do vínculo que liga os protagonistas.
Por exemplo, entre dois parceiros comerciais uma desconsideração pode resultar da negação de um fiado habitual. Ou seja, um dos intervenientes resolve esquecer a ética da coisa e o valor relativo do outro e muda de atitude sem aviso prévio. Acontece imenso quando um dos parceiros é um banco.

Contudo, entre duas pessoas a desconsideração pode ser originada pelo desleixo de uma delas. Seja um compromisso não respeitado, uma data importante esquecida ou ignorada ou a simples ausência de um contacto que se impõe, é fácil de perceber o quanto a desconsideração acaba por oscilar em função do elo em causa: quanto mais próximas as pessoas, mais grave a situação.

 

Dificilmente se encontram inocentes nessa matéria. De uma forma ou de outra, a desconsideração acaba por estar presente no percurso de qualquer pessoa nem que seja por descuido ou distracção.
No entanto, a forma mais indecente passa pela desconsideração intencional, deliberada,
como recurso para amansar alguém (atenção que não resulta com animais ferozes), como meio de punição ou de represália ou apenas como uma forma tortuosa de marcar território, de evidenciar o poder, o ascendente que (supostamente) se tem sobre a pessoa desconsiderada.
Estas últimas são as desconsiderações mais abjectas, pois à atitude negligente corresponde uma motivação hostil. Cai mesmo muito mal e só santos, anjos ou alimárias não reagem à bruta.

 

Pior ainda é o caso da pessoa que depois de denunciar uma desconsideração como a sentiu se confronta com uma variante, com a reincidência que pode resultar, por exemplo, da ausência de uma reacção que agrava a desconsideração original com o pesado fardo da postura malcriada.

É um ponto sem retorno, o da desconsideração reiterada, e regra geral só deixa três caminhos ao dispor da pessoa desconsiderada: ou insiste na manifestação da sua indignação perante os factos em apreço expondo-se a mais um enxovalho (esta é a versão tótó da coisa); ou reage à bruta deixando pouco espaço de manobra para futuras conciliações (esta é a versão colérica da coisa) ou, em alternativa, pura e simplesmente não reage nem deixa portas abertas para arrependimentos tardios da treta. Esta é a versão definitiva, separando sem apelo nem agravo as partes envolvidas.

 

E é também esta última que explica boa parte das minhas dissidências.

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publicado por shark às 18:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)

EU GOSTO DE PESSOAS

two dark

Foto: Shark 

publicado por shark às 11:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)

MAIS COGUMELOS EM LISBOA

A Magic Mushroom, mais conhecida por cogumelo mágico, abriu uma nova loja na capital - Magic Mushroom Alfama.

Está na Rua Cais de Santarém, 26, mesmo ao pé da Casa dos Bicos e cada vez mais perto do tubarão.

 

Esta loja só está aberta até às nove da noite, o que é pena, mas tem malta porreira para fazer a visita guiada pela mercadoria. E faz-se num instante, pois o espaço é bem mais pequeno do que o do Bairro Alto e (para já) menos movimentado.

Não me pagam nem fazem descontos por esta publicidade mas eu simpatizo com o negócio deles e até sou cliente da casa...

publicado por shark às 09:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 06.01.10

A LUTAR PELA RETOMA

Sobra mesmo pouco tempo e carola para postar...

publicado por shark às 14:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Segunda-feira, 04.01.10

EU GOSTO DE PESSOAS

pausa nos degraus 

Foto: Shark

publicado por shark às 19:36 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

PIMENTA E COCA-COLA

Existem duas formas mais ou menos descaradas de nos metermos em bicos de pés, superiorizando-nos de alguma forma aos outros. A mais descarada é dizer a coisa de caras: sou o/a maior e não há ninguém que me convença do contrário. A menos descarada, pelo menos à primeira vista, consiste em dizer a coisa de esguelha: todos os/as outros/as são inferiores por isto ou por aquilo (por uma questão lógica, se os/as outros/as são inferiores quem aponta essa inferioridade superioriza-se do ponto de vista teórico, por comparação).

 

Quem se assume superior de forma descarada costuma merecer de imediato os rótulos mais à mão para mimosear tal descaramento. Arrogante, convencido/a e por aí fora que a malta não admite esse tipo de vaidades assumidas seja a quem for.

Contudo, quem opta pela outra via (a de cernelha) costuma ser poupado/a às reacções hostis dos papalvos que não topam logo a jogada e até se solidarizam com a pessoa tão expedita a detectar as falhas e defeitos alheios.
Papas e bolos, no fundo.

 

Claro que tudo isto da superioridade se esvai quando percebemos que todos nos sentamos numa sanita algures em cada dia e a todos a crista murcha quando a mísera condição humana nos é esfregada nas ventas com um percalço qualquer que nos exponha a fragilidade, a precariedade de qualquer conjuntura favorável que pode sumir num instante.
Ou seja, somos superiores a nada e a ninguém ainda que aqui e além consigamos a vitória pontual ou qualquer outro ascendente momentâneo que se pode esgotar num ápice ou nem chegar a valer aquilo que pensamos.

Feitas as contas, a superioridade faz parte do que enterramos no chão quando acaba o pavio. Todos iguais, mais terra menos terra, mais pedra menos pedra.

 

No entanto, não faltam (por exemplo) na blogosfera as pessoas hábeis em tornear o descaramento (e a insensatez) de se presumirem superiores com base na tal estratégia subversiva de esmiuçarem tudo quanto lhes soa menos bom (inferior) nos seus pares. E recolhem dividendos junto das legiões de gente embasbacada perante tamanhos fenómenos de argúcia e de lucidez, gente anestesiada pela falinha mansa (ou nem por isso) de falsos/as humildes que ocupam o pedestal daqueles/as que derrubam com a perspicácia e capacidade de observação superiores que assim manifestam.
É tolo, visto desta forma. Mas continua a ser tolo visto de qualquer outra.

 

Nem é preciso um esforço de raciocínio superior (lá está...) para lá chegar, a essa conclusão irritante para muitos/as. A superioridade é sempre temporária e relativa, estupidamente subjectiva. E por isso ninguém a pode reclamar, mesmo sob a capa protectora da pedra lançada aos telhados de outrem, sob pena de um dia se escaqueirar a pala. E acreditem que sei do que estou a falar, não me superiorizo seja a quem for nessa matéria nem arrisco tirar o cavalinho da chuva no que respeita às tentações levianas que um simples complexo de superioridade descontrolado ou de inferioridade mal encaixado podem suscitar.

 

Sei, dessa forma, que esta posta constitui por si só um exemplo flagrante de tudo quanto nela afirmei. A lógica funciona assim, com a dinâmica bumerangue que qualquer raciocínio consegue produzir.
Mas aceito com humildade desmascarar-me na condição de imbecil armado ao pingarelho, apontando nos outros aquilo que sinto como um defeito e assim arriscando obter o tal dividendo do reconhecimento que nada fiz por merecer na ocasião.

 

A diferença, a minha tábua de salvação, reside apenas no esforço titânico para sacudir do capote qualquer tipo de ambição de natureza elevatória. Não sou melhor que ninguém e quem me dera conseguir manter um nível à altura de muita gente que respeito e admiro ao ponto de rejeitar aceitá-los/as superiores.

publicado por shark às 18:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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